Num dos papéis da sua vida, com aventura, violência e lirismo, Louise Brooks é uma rapariga órfã abusada pelo padrasto, que mata em legítima defesa quando ele tenta violá-la, num ato testemunhado por um vagabundo (Richard Arlen), com quem foge num comboio de mercadorias disfarçada de rapaz. Não escapa à brutalidade sexual masculina quando pernoitam num acampamento dominado pela luta pelo poder de dois vagabundos, embora a liberdade e o amor acabem por triunfar. Foi o filme em que Wellman, aqui realizador-produtor, experimentou o “microfone com perche”, para rodar as cenas faladas (como Dorothy Arzner em WILD PARTY), e outros achados, em que se destaca o dramático início. David O. Selznick, que visitou a rodagem, testemunhou que foi o filme do primeiro plano-sequência e da primeira cena dialogada gravada em direto da Paramount. Boa parte da filmagem realizou-se perto da fronteira do México, com não-atores em papéis secundários. Terá sido o motivo do fascínio que Brooks exerceu nos surrealistas, três anos depois de se ter iniciado na Paramount e no mesmo ano do também fulgurante A GIRL IN EVERY PORT de Hawks. Presentemente existe apenas a versão muda deste filme de que também existiu versão parcialmente falada com uma banda musical e efeitos sonoros síncronos. A apresentar em digital (a partir de 35mm).
BEGGARS OF LIFE vai ser mostrado
mudo, numa alteração forçada que substitui, na sessão, THUNDER BIRDS, filme programado para esta sessão mas cuja cópia chegou com características que invalidam a sua apresentação.
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