Le roman d'un tricheur

Le roman d'un tricheur (Sacha Guitry, 1936)

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Cineastas, do nosso tempo

 

A apresentação em projecção da série concebida por Janine Bazin e André S. Labarthe nos cinéfilos anos 1960 franceses prossegue com a exibição de um conjunto de filmes ainda dessa década, ainda da “primeira vida” dos “Cinéastes de Notre Temps”. Os retratados são Godard, Truffaut, Roger Leenhardt, Pagnol, Walsh, Pasolini, Renoir, Lang, Astruc, Fuller, Sternberg, Robbe-Grillet, Jerry Lewis, Cassavetes, Vidor, mas também jovens cineastas franceses, entre os quais Téchiné, os novos cinema italiano e canadiano, a Nouvelle Vague, um filme sobre o Festival de Tours, um ensaio filmado de Rohmer, um filme dedicado à cor. Assinam os filmes Hubert Knapp, Jean-Pierre Chartier, André S. Labarthe, Eric Rohmer, Claude Nahon, Jean-André Fieschi, Jacques Rivette, Jean Douchet, Jean-Louis Comolli, Noël Burch. A belíssima saga dos “Cinéastes / Cinéma, de Notre Temps” continua em Março. À excepção de LE CELULLOÏD ET LE MARBRE, PASOLINI L’ENRAGÉ, JEAN RENOIR LE PATRON e LA PREMIÈRE VAGUE I: DELLUC & CIE, os filmes da série agora programados são primeiras exibições na Cinemateca. Mantém-se o princípio do programa iniciado em Janeiro, que inclui filmes dos cineastas em foco.

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Luis García Berlanga
em colaboração com o ICAA - Instituto de Cinematografia y Artes Audiovisuales e Filmoteca Española

 

Em 1986, com o realizador em Lisboa, a Cinemateca dedicou uma retrospectiva à obra de Luis García Berlanga (1921-2010), cujos mais sonantes títulos têm sido mostrados com alguma regularidade entretanto. Voltamos agora a ela, propondo a rara oportunidade de mostrar um lote de dez dos seus filmes em cópias recentemente restauradas pela Filmoteca Española, até agora vistas apenas em Espanha (no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata), e nos Estados Unidos (no MoMA de Nova Iorque).
Luis García Berlanga é uma das figuras de proa do cinema moderno espanhol, onde se iniciou nos duros anos cinquenta da ditadura franquista, marca indissociável da sua obra, por sua vez indistinta da construção de um estilo e da visão de um país massacrado pela experiência da guerra civil e pelo deserto da ditadura. Essa obra, esse estilo, essa visão, foram também marcados pela associação de Berlanga com o argumentista Juan Antonio Bardem, iniciada com a primeira longa-metragem de ambos em 1951 (ESA PAREJA FELIZ), e consagrada no ano seguinte com BIENVENIDO, MR. MARSHALL!. Foi este o filme que estabeleceu como imagem de marca do cinema de Berlanga a irrisão e o impulso de arriscar cada filme no território da comédia negra, do patético, do absurdo, numa visão do mundo enformada pelo pessimismo e configurada como um universo cinematográfico de marca pessoal e ferocidade transmissível.

 

Sacha Guitry
em colaboração com Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura

 

Sacha Guitry continua a ser um dos mais surpreendentes realizadores da história do cinema, onde ocupa um lugar cronologicamente balizado entre as décadas francesas de 1930 e 50, nas quais assinou mais de trinta filmes, cuja importância, originalidade, mordacidade, brilho, frescura e sentido de humor são ainda insuficientemente reconhecidos. Em 1994, a Cinemateca dedicou-lhe uma extensa retrospectiva, revelando uma obra até então praticamente inédita em Portugal, e alguns dos seus filmes têm sido exibidos com regularidade de então para cá nestas salas. Essa primeira retrospectiva chamou-se “Sacha Guitry – A Necessária Revisão” e a verdade é que a expressão mantém o seu sentido, por continuar a ser fundamental (re)descobrir a obra de Guitry, que foi actor, dramaturgo e autor de teatro, argumentista, actor e realizador de cinema, um homem de inegável génio mas também um homem polémico no seu tempo, o que deixou marcas relativamente à posteridade da sua obra.
Porque muitos dos seus textos teatrais foram por si adaptados ao cinema, a ligação entre os dois territórios é um dos princípios da obra de Guitry. O seu cinema é assim favorecido pelo sentido da cena, pelo domínio e o poder dos diálogos, pela excelência do trabalho dos actores. Jogando com estas premissas, a perspectiva é sempre, eminentemente, imaginativamente, cinematográfica. E nos antípodas do politicamente correcto.
A Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, entidade com que colaborámos na organização da retrospectiva a ter lugar em Guimarães entre 12 e 16 de Fevereiro, ofereceu o pretexto para voltarmos a Guitry neste momento, o que fazemos num Ciclo composto por dez filmes que terá a sua conclusão no princípio de Março.
 

 

João Bénard da Costa

 

Para o dia dos anos de João Bénard da Costa (seria o 77º aniversário) a Cinemateca preparou um momento especial: vai ser inaugurada uma peça escultórica, criada por João Cutileiro, evocativa da sua figura. Doravante, a lembrança de João Bénard da Costa passará a estar inscrita, também fisicamente, no espaço da Cinemateca. Depois da cerimónia, vamos ver um dos filmes por ele mais amados: THE GHOST AND MRS MUIR, de Joseph L. Mankiewicz.

Bicentenário de Charles Dickens
em colaboração com o Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa

 

A Cinemateca associa-se, mais uma vez, ao Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa, desta feita para comemorar o bicentenário do nascimento de Charles Dickens, escritor cuja importância, longe de se resumir à história da literatura, se fez sentir também no cinema e na constituição da narrativa cinematográfica clássica. O CEAUL assinala a data com várias iniciativas (uma exposição, uma sessão de leitura, entre outras), e na Cinemateca vamos ver o único filme português baseado numa obra de Dickens, TEMPOS DIFÍCEIS, que João Botelho rodou em 1988 adaptando Hard Times, for These Times.

O ciclo das estações - o primeiro olhar
em colaboração com os Filhos de Lumière Associação Cultural

 

Integrado na oficina fundadora da Associação Os Filhos de Lumière, “O Primeiro Olhar – O Ciclo das Estações” é um projecto que alia a iniciação ao cinema com a observação e reflexão sobre os ciclos da natureza, que culminou na realização de quatro filmes-ensaio (ou um filme em quatro partes) sobre as várias estações do ano. Realizados entre Outubro de 2009 e Setembro de 2010 no Jardim Botânico de Lisboa – o outro parceiro deste projecto –, os vários filmes a apresentar envolveram a participação de alunos de quatro escolas: Escola Secundária Passos Manuel (Outono), Escola Secundária Pedro Nunes (Inverno), Escola Básica Marquesa de Alorna (Primavera) e o Centro de Promoção Juvenil (CPJ) (Verão).
Depois de uma primeira projecção na Cinemateca Júnior, onde os filmes foram apresentados dois a dois, esta sessão procura reunir todos os participantes do projecto de modo a que possam ver os quatro filmes juntos, partilhem o seu olhar e reflictam sobre esta experiência.

José e Pilar, versão longa

 

Organizada em colaboração com a Jumpcut, produtora de Miguel Gonçalves Mendes, esta sessão propõe a rara oportunidade de projecção de uma versão de montagem de cinco horas e meia do filme JOSÉ E PILAR.

Matinés da Cinemateca

 

No contexto do espírto de programação que anunciámos em Janeiro como regra para 2012, as sessões das tardes de Fevereiro da Cinemateca serão clássicas e apresentarão filmes de produção mais recente, dos anos oitenta e noventa; serão variadas e trazem novidades à Félix Ribeiro. Os encontros marcados são com Woody Allen, John Badham, Roberto Benigni, Bergman, Bogdanovich, Cukor, Dieterle, Ford, Imamura, Kasdan, Mervyn LeRoy, Richard Lester, Mankiewicz, Minnelli, Resnais, Scola, Tanner, Vidor, Walsh, Wilder, Franciolini, Rossellini, Visconti, Zampa e Guarini.

O que quero ver

 

As propostas dos espectadores continuam a trazer uma oferta variada de sessões, este mês sob o signo de David Lean, Antonioni, os Beatles (por Michael Lindsay-Hogg), Alain Tanner, Otto Preminger, Tarzan (por Richard Thorpe), Manoel de Oliveira.

O primeiro século do cinema

 

O percurso dos sábados pelo “Primeiro Século do Cinema”, inaugurado em Janeiro como prolongamento da “História Permanente do Cinema”, mantém os mesmos princípios de programação – dar a ver obras das principais escolas do período mudo, clássico e moderno, misturando filmes de autor e filmes de género, filmes maiores e menores, grandes clássicos e obras raras ou desconhecidas, documentários e filmes experimentais –, estendendo o período abrangido até ao ano de 1995.
Este mês, o nosso percurso dos sábados pelo “Primeiro Século do Cinema” será encurtado devido ao facto de três sessões do dia 11 serem dedicadas à apresentação da versão integral de JOSÉ E PILAR. Mas nem por isso será menos rico e variado do que de costume. Ao lado de clássicos de Tourneur, Renoir e Mankiewicz, poderemos rever modernos clássicos do cinema francês, de Pialat, Rohmer, Truffaut e Demy (o raríssimo LADY OSCAR), além de MY BEAUTIFUL LAUNDRETTE, de Stephen Frears e de PROFESSIONE REPORTER, de Antonioni. Também faremos incursões a territórios cinematográficos muito mais raros e menos frequentados: as pasolininianas STORIE SCELLERATE de Franco Citti, uma extravagância de Jess Franco (OS AMANTES DA ILHA DO DIABO), um documentário político de Emile de Antonio (UNDERGROUND) e um raro filme do filipino Mike de León. No domínio do cinema mudo (que Louis Delluc definiu como a “música do silêncio”), de presença obrigatória nestes sábados, dois clássicos, um de Jean Renoir e o outro de Boris Barnet e duas raridades: uma luxuosa versão alemã de LUCREZIA BORGIA e o belo THE REAL ADVENTURE, de King Vidor. Os caminhos do cinema são muito variados e a curiosidade é o melhor guia do espectador.
 

Abrir os cofres

 

Nos últimos anos esta rubrica regular de programação, caracterizada pela oportunidade de visibilidade de obras raras ou pouco conhecidas da colecção, bem como dos trabalhos de preservação e restauro em que o Arquivo da Cinemateca é prolífero, tem apostado na programação de curtas-metragens documentais em sessões organizadas tematicamente e apresentadas por historiadores, sociólogos e investigadores. Pretendemos agora inaugurar outra variante da ideia de trazer do exterior novos olhares sobre a colecção, propondo a exibição de longas-metragens portuguesas em sessões apresentadas por investigadores que tenham estado a trabalhar sobre elas, os respectivos autores ou temáticas relacionadas do cinema português.
Desta primeira vez, propomos duas sessões Manuel Guimarães, dois filmes dos anos 1950 e 70, que Leonor Areal virá comentar. Realizadora e investigadora de cinema, Leonor Areal publicou muito recentemente o livro Cinema Português. Um País Imaginado – Antes de 1974 (Volume I) e Após 1974 (Volume II) –, um importante estudo que resulta de uma investigação desenvolvida entre 2003 e 2008 e de uma tese de doutoramento defendida em 2009 (Um País Imaginado – Ficções do Real no Cinema Português). O cinema de Manuel Guimarães é um dos tópicos mais defendidos por Leonor Areal nesse seu livro, onde o define como o único representante do Neo-realismo português.

Ante-estreias

 

Duas sessões para cinco filmes que compõem programas compostos por curtas, médias e longas-metragens de Mário Fernandes, José Oliveira e Marta Ramos; Ricardo Machado, Bruno Carnide e Paulo César Fajardo.

Cinema português : primeiras obras, primeiras vezes

 

Especialmente dedicado ao cinema português e de carácter retrospectivo, este programa tem vindo a marcar presença na programação da Cinemateca nos últimos dois anos. Na sua primeira edição de 2012, propomos voltar aos primeiros filmes de Joaquim Sapinho, na viragem das décadas de 1980 e 90.
Sapinho fez o curso de cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema, onde começou a dar aulas nos anos 1990, a mesma época em que começou a trabalhar em argumento e montagem (por exemplo, como assistente de Rita Azevedo Gomes em O SOM DA TERRA A TREMER). Foi um dos fundadores da Rosa Filmes, onde, para além dele próprio, começaram João Pedro Rodrigues e Manuela Viegas, estreando-se em 1994 com o filme documental JULIÃO SARMENTO. Mas é sobretudo à sua primeira longa-metragem de ficção que o início do seu percurso se associa: CORTE DE CABELO. MULHER POLÍCIA e DIÁRIOS DA BÓSNIA foram os filmes seguintes. O último, do ano passado, chama-se DESTE LADO DA RESSURREIÇÃO. Para evocar o seu começo na realização, escolhemos, com ele, exibir uma primeira curta-metragem de escola e a primeira longa de ficção. 

Não o levarás contigo - Economia e Cinema

 

A série de sessões a decorrer até Julho próximo iniciou-se no mês passado, baptizada a partir de um célebre filme de Frank Capra sobre o dinheiro, YOU CAN’T TAKE IT WITH YOU (1938), e dedicada à discussão de temas encontrados na confluência entre a economia e o cinema. O cinema como, também, “questão económica”, mas sobretudo o cinema como retrato e reflexo dos grandes problemas da economia, os eternos, os ocasionais, os recorrentes. A série foi concebida em estreita ligação com um conjunto de personalidades de reconhecida autoridade no tema, tendo a Cinemateca pedido a cada uma delas que escolhesse um filme (ou o filme) que na sua perspectiva melhor ou mais luminosamente exprimisse um olhar cinematográfico sobre a economia. Em Fevereiro, o economista João Salgueiro, co-fundador da SEDES, ex-Vice-Governador do Banco de Portugal e ex-Ministro do Estado, das Finanças e do Plano, escolheu e vem apresentar um (outro) Capra muito célebre e muito celebrado, IT’S A WONDERFUL LIFE.

Histórias do cinema: Seixas Santos / Straub-Huillet

 

Na sua quinta edição, as “Histórias do Cinema” propõem Straub-Huillet por Seixas Santos. Trata-se de uma rubrica explicitamente concebida e anunciada como um binómio, como a temos vindo a divulgar: de um lado, um investigador ou especialista em cinema; de outro, um autor ou um tema histórico abordado pelo primeiro, ao longo de cinco tardes e em torno de cinco filmes (ou em cinco sessões, com número variável de obras projectadas), cujas projecções são antecedidas e sucedidas de apresentações e conversas sobre o autor ou o tema em causa, numa sequência de encontros antes de mais pensados como experiência cumulativa. Foi o caso das edições anteriores, que trouxeram as duplas “Eisenschitz / Chaplin”, “Berriatúa / Murnau”, “Marías / Buñuel” e “Labarthe / Godard”.
Realizador, mas também crítico, professor e programador de cinema, o percurso de Alberto Seixas Santos está directamente associado ao surgimento do Cinema Novo na viragem das décadas de 1960 e 70, extravazando o âmbito da sua obra. Passou pelo cineclubismo, pela crítica, pelo ensino, actividades em que deixou marcas fortes e fizeram dele um dos espíritos mais influentes no meio do cinema português. Como cineasta, entre BRANDOS COSTUMES (primeira longa-metragem, em 1975) e E O TEMPO PASSA (2011), assinou vários títulos fundamentais das últimas décadas, num diálogo continuado com o Portugal contemporâneo que faz do cinema um instrumento de pensamento, interrogação e afirmação, atravessado por um intransigente desejo de modernidade a que não é estranha a influência de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet. E é o cinema de Straub e Huillet, num percurso pensado, comentado e conduzido por Alberto Seixas Santos, provavelmente o cineasta português que, em todos os sentidos da expressão, mais o reflectiu, o foco desta edição das “Histórias do Cinema”.
 

 

Notas

Informação sobre as sessões e venda antecipada de bilhetes

Para esta rubrica, a Cinemateca propõe um regime de venda de bilhetes específico, fazendo um preço especial e dando prioridade a quem deseje seguir o conjunto das sessões. Assim, quem deseje seguir todas as sessões poderá comprar antecipadamente a sua entrada pelo preço global de 12,80 euros a partir do dia 20 (venda exclusiva para a totalidade das sessões, máximo de duas colecções por pessoa). A partir de 27 de Fevereiro, os lugares que não tenham sido vendidos antes serão disponibilizados através do normal sistema de venda no próprio dia de cada sessão, no horário de bilheteira habitual e de acordo com o preço habitual.

 

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Cinemateca Júnior

 

Fevereiro é mês de regresso ao clássico americano de Chaplin O CIRCO, um título de finais dos anos vinte. Em francês e a cantar, propomos um dos mais belos filmes de amor, OS CHAPÉUS-DE-CHUVA DE CHERBURGO de Jacques Demy. As outras duas sessões são de cinema de animação, destinadas ao nosso público mais novinho : AS VIAGENS DE GULLIVER, um clássico de 1939, e o recente HAPPY FEET, com uns adoráveis pinguins dançarinos e cantores.
No dia 25, às 11h30, teremos o habitual Atelier Família dedicado a “As Sombras Fantásticas do Oriente” e destinado a um público júnior entre os 7 e os 12 anos: o teatro de sombras, um dos mais antigos espectáculos do mundo, de origem asiática, é o tema deste atelier onde se propõe a construção de uma figura articulada e como aprender a contar histórias com sombras. O atelier requer marcação prévia até 21 de Fevereiro para cinemateca.junior@cinemateca.pt, só se realizando com o mínimo de dez participantes.