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Assunto: Programação
Data: 17/04/2026
Desbravar várias histórias do cinema, com Billy Wilder e as pioneiras portuguesas
Desbravar várias histórias do cinema, com Billy Wilder e as pioneiras portuguesas
Em maio dedicamo-nos a explorar diferentes cantos da história do cinema, começando por nadar nas águas cómicas e aterradoras do mockumentary e visitar uma seleção de filmes em novas cópias digitais recentemente restauradas com o IndieLisboa. Há, depois, espaço para revisitar as histórias do cinema português de maneira a destacar as mulheres que nele trabalharam enquanto pioneiras. Recebemos também Adrian Martin, que selecionou clássicos de Billy Wilder para uma semana de sessões-conferência, no âmbito da rubrica Histórias do Cinema. Subimos, ainda, a mais um andar d’A Casa, para descobrir títulos que apontam para este espaço como arena política e voltamos a seguir o itinerário da Viagem ao Fim do Mudo. Finalmente, lembramos Manuel Faria de Almeida e Gita Cerveira.

Focando-se no período do cinema mudo até meados da década de 1960, o ciclo Pioneiras do Cinema Português desvenda uma faceta da história do cinema português pouco aprofundada, numa exploração que se dedica ao trabalho feito por mulheres em várias categorias técnicas e artísticas. São 18 sessões que incluem acompanhamentos musicais, sessões comentadas e sessões-aula. Se só Bárbara Virgínia conseguiu, em TRÊS DIAS SEM DEUS (1946), ter o seu nome no pelouro da realização de uma longa-metragem de ficção, algo que não voltaria a acontecer até Margarida Cordeiro em TRÁS-OS-MONTES (1976, assinado com António Reis), este ciclo dá a conhecer o trabalho de dezenas doutras mulheres cineastas. TRÊS DIAS SEM DEUS, fragmentado e com partes perdidas no tempo, é lançado em edição em DVD no dia 29 de maio, sexta-feira, às 18h, na Livraria Linha de Sombra – evento ao qual se segue uma sessão focada na atriz e realizadora.  

Depois de Harun Farocki, este mês contam-se mais “Histórias do Cinema”. Estará presente o crítico e professor universitário Adrian Martin com uma seleção de filmes de Billy Wilder, um dos mais bem-sucedidos cineastas da época dourada de Hollywood, cuja ilustre carreira abrangeu noirs e comédias. A semana compõe-se de títulos como DOUBLE INDEMNITY (1944) ou THE APARTMENT (1960), bem como exemplos mais incompreendidos como o seu penúltimo, FEDORA (1978).
Dois ciclos lembram figuras importantes do cinema português. Manuel Faria de Almeida, realizador que ficou conhecido como o autor de CATEMBE – SETE DIAS EM LOURENÇO MARQUES (1964), o filme mais censurado do cinema português. Gita Cerveira, por sua vez, destacou-se com uma extensa e internacional carreira na área do som, tendo trabalhado com realizadores como Manoel de Oliveira, Eduardo Geada, Fernando Vendrell ou Zézé Gamboa.

A Casa chega à sua terceira e última parte, onde o lar se torna espaço de poder e controlo (CENAS DA VIDA CONJUGAL), mas também manifestação de luta de classes (AQUARIUS) ou de estruturas ideológicas (ARCA RUSSA), e ainda lugar onde a dicotomia entre privado e público se começa a esbater (GREY GARDENS).

Com o IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema, prosseguem as sessões das duas secções que decorrem na Cinemateca Portuguesa: um olhar retrospetivo sobre o subgénero do mockumentary e a apresentação de uma seleção de novas cópias digitais recentemente restauradas, na secção Director’s Cut.

A retrospetiva sobre o mockumentary funde-se com o ciclo Viagem ao Fim do Mudo com a exibição de HÄXAN (1922), de Benjamin Christensen. A viagem depois prossegue com STAGE STRUCK, de Allan Dwan, e AELITA, Jakov Protazanov, o primeiro filme de ficção científica soviético. Todas as sessões terão acompanhamento ao piano.