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Assunto: PROGRAMAÇÃO
Data: 19/12/2025
Brincar com o fogo: Deren, Farocki, Wellman e o cinema dos projecionistas
Brincar com o fogo: Deren, Farocki, Wellman e o cinema dos projecionistas
A programação de 2026 na Cinemateca arranca vinda diretamente da cabine de projeção, com um grande ciclo dedicado aos projecionistas, os profissionais que fazem a magia acontecer nas salas de cinema (da Cinemateca e não só). Promete-se uma Cinemateca em chamas em janeiro, mês em que chega ao fim a grande retrospetiva dedicada a William A. Wellman e vamos ao encontro do trabalho da pioneira do cinema de vanguarda Maya Deren para mostrar todos os seus filmes e alguns títulos de realizadores que a influenciaram e também de quem foi influenciado pela sua obra. Por fim, destaque para novo capítulo das Histórias do Cinema, desta vez dedicado a Harun Farocki, e ao início de um programa que assinala os 30 anos do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento, o centro de conservação da Cinemateca e polo dos trabalhos de preservação, restauro, acesso e investigação das coleções fílmicas em suporte analógico e digital.
 
Uma Cinemateca em Chamas Histórias de Projeção e Projecionistas. É este o mote para o grande ciclo de janeiro, que se organiza enquanto elogio dessa forma comunitária (pública e íntima) de mergulhar nas imagens. Sendo um programa dedicado à projeção é, trambém, sobre o trabalho dos projecionistas, em particular os projecionistas da Cinemateca. ´E uma mostra com vários cruzamentos (com a Cinemateca Júnior e com uma Carta Branca proposta pela equipa de projeção da Cinemateca) e que se estende além da sala de cinema, numa grande exposição distribuída pelos vários espaços da Barata Salgueiro. Do cinema popular ao de vanguarda, há um pouco de tudo: múltiplas projeções, filmes em 3D, filmes projetados em ordem aleatória, projeções-performance.
 
Herdeira do surrealismo e das vanguardas europeias dos anos 1920 e 30, Maya Deren foi responsável por uma curta mas fundamental obra que marcou a História do cinema e várias gerações de autores do cinema de vanguarda norte-americano. De origem ucraniana, além de realizadora foi coreógrafa, bailarina e escritora, dominando artes e áreas como a antropologia, que acabaram por também surgir no seu trabalho cinematográfico, sobretudo no que diz respeito à dança. Um cinema de sonhos, duplos e movimentos corporais que agora veremos na sua integralidade, em paralelo com filmes assinados por quem influenciou o seu trabalho (Man Ray, Léger, Duchamp, mas também Gregory Bateson, Margaret Mead, Katherine Dunham) e por alguns cineastas que podemos ver como discípulos da sua arte cinematográfica, como Stan Brakhage ou Shirley Clarke.
Em janeiro regressa a rubrica Histórias do Cinema, com cinco sessões-conferência dedicadas a Harun Farocki a cargo da historiadora de cinema Christa Blümlinger que tem escrito regularmente sobre a obra do cineasta e artista alemão, grande teórico dos Media que analisou como poucos através dos seus documentários que assumiram a forma de grandes filmes-ensaios sobre os mais variados temas. A maior parte dos filmes propostos por Blümlinger são primeiras exibições na Cinemateca, o que faz desta uma das propostas imperdíveis do mês.
 
No coração da Hollywood clássica, “O Trilho do Gato – William A. Wellman” percorrido desde novembro, apresenta em janeiro um punhado de títulos maiores da obra do cineasta, entre os quais  pontuam a crueza realista de WILD BOYS OF THE ROAD, a potência dos filmes de guerra THE STORY OF G.I. JOE e BATTLEGROUND, a singularidade da cor e do CinemaScope de TRACK OF THE CAT (uma sessão com conversa final que reunirá os programadores Maria João Madeira e Luís Miguel Oliveira ao crítico de cinema Vasco Câmara) e, a abrir, o fabuloso BEGGARS OF LIFE numa sessão acompanhada ao piano por João Paulo Esteves da Silva. Novo cruzamento com o programa “Viagem ao Fim do Mudo”, que em janeiro traz Murnau (TARTÜFF) e Vidor (THE BIG PARADE).
 
Por fim, mas não menos importante, em janeiro a Cinemateca dá início às comemorações do trigésimo aniversário do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), um dos polos da atividade museográfica da Cinemateca a par do trabalho desenvolvido nas áreas da programação e exibição e da documentação. O pontapé de saída será dado com uma sessão dedicada ao cinema português de animação apresentada por Paulo Cambraia, investigador e autor da obra Um Percurso Pelo Cinema Português de Animação. O programa completo em torno dos 30 anos do ANIM será desvendado em janeiro.