02/11/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
A PORTUGUESA
de Rita Azevedo Gomes
com Clara Riedenstein, Marcello Urgeghe, Rita Durão, Pierre Léon, Alexandre Alves Costa, Adelaide Teixeira, Manuela de Freitas, Ingrid Caven
Portugal, 2018 - 136 min
legendado em português | M/12
com a presença de Rita Azevedo Gomes
A casa dele é a guerra. A casa dela é Portugal. A jovem e recém-casada esposa do senhor von Ketten está determinada a fazer do inóspito castelo dos von Ketten a sua morada. Mal regressam após o casamento em Portugal, ele parte para a guerra contra o Bispo de Trento e ordena-lhe que regresse ao seu país; ela recusase a partir. Onze anos decorrem, entre contendas e escaramuças, ele raramente vai a casa. Correm rumores à volta da presença daquela “estrangeira”, isolada no castelo sombrio, rodeada pelas aias e escravas moiras e na presença de um primo que vem de visita. Há quem diga que é uma herege… Na realidade, ela impõe uma vida própria: lê, canta, toca música, nada no rio, cavalga na floresta. Adota um lobo a que parece dedicar-se mais do que aos dois filhos – é o que sugere esta adaptação da novela Die Portugiesin de Robert Musil, numa atmosfera de finais da Idade Média com música de José Mário Branco. A figura de Ingrid Caven atravessa o filme com canções declamadas, ou recitando Walther von der Vogelweide pelos pátios do castelo. Tandaradai!
02/11/2026, 22h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
MIDAREGUMO
“Nuvens Dispersas”
de Mikio Naruse
com Yuzo Kayama, Yoko Tsukasa, Mitsuko Kusabue, Mitsuko Mori
Japão, 1967 - 108 min
legendado eletronicamente em português | M/12
O último Naruse, no CinemaScope característico de muitos dos seus filmes, detém-se na personagem de uma jovem grávida assombrada pela morte do marido num acidente de automóvel que a princípio recusa perdoar o condutor do veículo, mas que vê a sua relação com este último mudar depois de os dois se encontrarem por coincidência em Hokkaido. Conto de um amor impossível, é um dos filmes fundamentais de Naruse. “Desde muito novo que disse a mim mesmo que o mundo em que vivemos nos traía; e é este o pensamento que me ficou.” (Mikio Naruse) No programa, faz par com A PORTUGUESA. A apresentar em cópia digital.
03/11/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
O AH! DAS COISAS – O PECADO DE JOÃO PALOLO, 18 DE MAIO DE 2020 | O SOM DA TERRA A TREMER
O AH! DAS COISAS – O PECADO DE JOÃO PALOLO, 18 DE MAIO DE 2020
de Rita Azevedo Gomes
Portugal, 2020 – 5 min
O SOM DA TERRA A TREMER
de Rita Azevedo Gomes
com José Mário Branco, Manuela de Freitas, Miguel Gonçalves, Sara Marques, Duarte de Almeida, Paulo Rocha
Portugal, 1990 – 93 min
duração total da projeção: 98 min | M/12
Longinquamente baseado em Gide (Paludes) e em Hawthorne (Wakefield) é um filme sobre “um escritor que nunca escreveu nada” e que “sopra ao luar o hálito à geada” – desempenho inesquecível de José Mário Branco. O poema de Carlos Queiroz não é citado em O SOM DA TERRA A TREMER, mas o ambiente é esse, entre cartas escritas e jamais recebidas, livros com capas de corvos e acasos que não acontecem por acaso. Ficção dentro da ficção, histórias dentro de histórias, como essas caixinhas chinesas em que há sempre um fundo e outro fundo. Ou as duas margens do mesmo rio, para sempre laterais. Uma das obras mais inclassificáveis do nosso cinema que só podia suscitar – e suscitou – reações extremas. Genérico de António Palolo. A abrir a sessão, O PECADO DE JOÃO PALOLO, um de sete AH! DAS COISAS realizados por Rita Azevedo Gomes em casa nos períodos de confinamento que enfiaram boa parte da população dos quatro cantos do mundo entre quatro paredes por motivos pandémicos (primeira apresentação no espaço físico da sala da Cinemateca). O pretexto foi a “Sala de Projeção” imaginada pela então também confinada equipa de programação da Cinemateca. A apresentar em digital em ambos os casos.
03/11/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
SHADOW OF A DOUBT
Mentira!
de Alfred Hitchcock
com Joseph Cotten, Teresa Wright, Macdonald Carey, Hume Cronyn, Patricia Coolidge
Estados Unidos, 1943 - 108 min
legendado em português | M/12
Um homem suspeito de ser o misterioso “assassino de viúvas” (assombrado pela música de “A Viúva Alegre”) refugia-se numa pequena comunidade californiana onde tem família. Uma sobrinha fascinada pela sua personalidade torna-se alvo de misteriosos “acidentes”. Ela é Teresa Wright, o tio é Joseph Cotten, ambos se chamam Charlie, e é ele quem diz, “Sabes que o mundo é uma pocilga infeta? O mundo é um inferno”. Sob o sol americano e os meandros do crime, é dos mais negros filmes de Hitchcock, que muito o estimava e o construiu dirigindo-se aos alicerces da representação idealizada da sociedade americana. Uma obra-prima sobre a suspeita e a dúvida, cuja dimensão noir se encontra a descoberto na perversidade dos termos, na duplicidade omnipresente, nos segredos obscuros, no cinismo abissal ou nas sombras projetadas através de cortinas. No programa, faz par com O SOM DA TERRA A TREMER.
04/11/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
FRÁGIL COMO O MUNDO
de Rita Azevedo Gomes
com Maria Gonçalves, Bruno Terra, Sophie Balabanian, Manuela de Freitas, Duarte de Almeida
Portugal, 2000 - 90 min
M/12
com a presença de Rita Azevedo Gomes
Com título e epígrafe colhidos num poema de Sophia de Mello Breyner, foi a segunda longa-metragem de Rita Azevedo Gomes uma década após a primeira obra. Um universo poético muito pessoal, filmado num preto-e-branco austero e sempre rigorosamente composto (fotografia de Acácio de Almeida, como em quase todos os filmes de Rita), iluminado por uma sequência a cor, para uma história que é um pouco como o encontro dos adolescentes magoados dos filmes de Nicholas Ray com o lirismo sanguíneo de Werner Schroeter. “Mas nunca a poesia (como a música de Juan Encima, de Vivaldi ou de Haydn, ou a fulgurante citação de Caravaggio – o anjo de Isaac – na sequência da capela) poetiza o filme. Só o estremece mais. Só o fragiliza mais. E este é também um filme de nevoeiro, céu feito de água, cobrindo a terra e os habitantes dela.” (João Bénard da Costa) A apresentar em cópia digital.