12/11/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
NIAGARA
Niagara
de Henry Hathaway
com Marilyn Monroe, Joseph Cotten, Jean Peters, Casey Adams
Estados Unidos, 1953 - 88 min
legendado em castelhano e eletronicamente em português | M/12
Famosíssimo filme, que bastaria para “imortalizar” as cataratas do Niagara. Um dos papéis dramáticos importantes de Marilyn Monroe, numa história com ecos de film noir: cansada de um marido mentalmente instável (Cotten), a personagem de Marilyn planeia com o amante fazê-lo desaparecer, utilizando para isso todas as possibilidades oferecidas pelas cataratas. A fotografia de Joseph MacDonald, num fabuloso Technicolor, faz maravilhas com a espetacular paisagem e favorece o magenta de um vestido da protagonista feminina. No programa, faz par com FRÁGIL COMO O MUNDO.
13/11/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
LA VIE DE BOHÈME
de Aki Kaurismäki
com Matti Pellonpää, Évelyne Didi, André Wilms
Finlândia, 1992 - 103 min
legendado em inglês e eletronicamente em português | M/12
com a presença de Rita Azevedo Gomes
Motivos clássicos não faltam no cinema de Aki Kaurismäki, normalmente revistos à luz de um qualquer twist mais ou menos irónico. Assim acontece em LA VIE DE BOHÈME, que retoma o texto de Henri Murger que servira, entre outros, para uma célebre ópera de Puccini, contando uma história contemporânea, em Paris, que junta artistas na miséria e imigrantes sem documentos. Uma belíssima demonstração do idealismo kaurismäkiano, sempre encontrado entre a dureza da realidade e a fantasia romântica que se lhe vem sobrepor – como, duas décadas mais tarde, aconteceria em LE HAVRE, filme que retomou, noutro contexto, algumas personagens de LA VIE DE BOHÈME. De notar, ainda, participações especiais, em pequenos papéis, de gente como Samuel Fuller. “À semelhança de ervas flutuantes os personagens de Kaurismäki são um artifício inventado. Mas as pessoas que lhes dão forma são a mais real das realidades.” (Rita Azevedo Gomes, 2023)
13/11/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
OKRAINA
“Subúrbios”
de Boris Barnet
com Aleksandr Chisyakov, Sergei Komarov, Elena Kuzmina
URSS, 1933 - 98 min
legendado em francês e eletronicamente em português | M/12
Primeiro filme sonoro de Boris Barnet, situado em 1914, numa obscura e não identificada cidade russa. A ação consiste numa série de episódios, que vão do cómico ao soturno. Barnet utiliza em seu proveito, de modo magistral, o então incipiente sistema de som, e funde diversos estilos praticados na União Soviética, da vanguarda muda (Kulechov e Kozintsev, por exemplo) à comédia, numa síntese magistral e pessoal que parece anunciar o tom dos primeiros filmes de Godard. Barnet considerava OKRAINA um dos seus filmes predilectos, a par de “A RAPARIGA DA CAIXA DE CHAPÉUS” (1927) e ANNUSHKA (1959). Uma obra-prima, um título fundamental dos anos 1930. A apresentar em cópia digital.
14/11/2026, 16h00 | Sala Luís de Pina
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
A 15ª PEDRA: MANOEL DE OLIVEIRA E JOÃO BÉNARD DA COSTA EM CONVERSA FILMADA POR RITA AZEVEDO GOMES
de Rita Azevedo Gomes
com Manoel de Oliveira, João Bénard da Costa
Portugal, 2004 - 117 min
M/12
Palavra a Rita Azevedo Gomes: “Cruzam-se três gerações: Antes de tudo, Manoel de Oliveira, o realizador presente em todo o século XX, o que foi berço do próprio cinema, e que, com cada um dos seus filmes surpreende ao mesmo tempo que reafirma, sem transigência, o seu conceito cinematográfico; depois, João Bénard da Costa, aquele que pelos filmes entrou e pelo cinema e com o cinema viu e deu a ver a vida; e por fim, eu própria que, desde a minha ‘iniciação’ no cinema me aproximei de ambos e que, de cada vez que estive perante os dois juntos, fui observando, para além do exposto, uma relação pessoal. Relação essa, mantida e continuada ao longo dos muitos anos e duma finura fundamentada num género de entendimento humano e respeito mútuo que é raro ter a sabedoria para fazer perdurar. Terá a ver com a tal ‘educação’ para lá chegar? Nasce daí, creio eu, uma luz qualquer que se me assemelha ao conceito de liberdade de espírito, e liberdade na expressão desse espírito. Também isto eu procurava ‘retratar’”.
14/11/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
BANSHUN
Primavera Tardia
de Yasujiro Ozu
com Chishu Ryu, Setsuko Hara, Haruko Sugimura
Japão, 1949 - 108 min
legendado em português | M/12
BANSHUN é o filme que inaugura o período final da obra de Ozu, as obras de grande maturidade que o fizeram conhecer tardiamente no estrangeiro. É a partir daqui que, no seu cinema, a trama narrativa se torna rarefeita e o estilo visual se depura ao máximo: raríssimos movimentos de câmara, ausência total de panorâmicas, sequências ligadas unicamente por cortes e a celebérrima posição da câmara (a “câmara Ozu”), quase sempre a mesma, à altura de uma pessoa sentada no chão, à japonesa. E como sempre, neste período final, Ozu conta histórias de separação e resignação, histórias de mudanças e da passagem do tempo. No programa, faz par com A 15ª PEDRA. A apresentar em cópia digital.