Viagem ao fim do mudo em fevereiro passeia pelo circo, sofre de arrebatamento e viaja de locomotiva
Em fevereiro, as paragens desta viagem iniciada em setembro passado fazem-se sob o signo do corpóreo, que, na programação deste mês, se manifesta em três desdobramentos diferentes: o “príncipe do bizarro”, Tod Browning, traz-nos uma narrativa afeiçoada às artes circenses que se relaciona com uma insólita fobia corporal em THE UNKNOWN; Carl Theodor Dreyer confronta-nos com o assombro contido num rosto no expoente da sua estética do grande plano em LA PASSION DE JEANNE D’ARC; e, o adorado Pamplinas de Buster Keaton oferece mais exemplos da sua proeza e humor físicos em THE GENERAL.
O caminho trilha-se primeiro com THE UNKNOWN, uma história de obsessão trágica que joga com limitações físicas, tanto reais como fingidas, que se tornam simbólicas, numa dança erótica, mas plena de artimanhas e enganos. Anos antes do seu famoso FREAKS, Browning e o seu ator fetiche Lon Chaney (colaboraram em 10 influentes e macabros filmes) juntam-se ao circo e trazem Joan Crawford, que protagoniza a filha de um mestre de cerimónias que tem horror a mãos masculinas. A sessão terá João Paulo Esteves da Silva nas teclas do piano e o encontro está marcado para dia 6, às 19h.
Do circo cruzamos para um clássico do cinema mudo que decorre no seio da igreja católica francesa, nas trevas do século XV. Em LA PASSION DE JEANNE D’ARC, o dinamarquês Dreyer envolve-nos nas provações e aflições de uma camponesa que afirma ter falado com Deus e o tratamento cruel a que é sujeita pelos membros do clero. Os grandes planos da protagonista, Renée Falconetti, serão acompanhados ao
piano por Filipe Raposo e a veneração está preparada para a apropriadamente supersticiosa
sexta-feira dia 13 de fevereiro, às 19h.
Desembocamos, no final do mês, nas tropelias de Pamplinas, nome pelo qual Keaton era conhecido em Portugal, cuja cara séria lhe valeu a alcunha “The Great Stone Face” – mas valeu também, a audiências mundo e décadas fora, incontáveis gargalhadas. A sua comédia é sempre física (nunca esquecer a casa que quase lhe cai em cima em STEAMBOAT BILL, JR.) e THE GENERAL, que co-realizou com Clyde Bruckman (com quem trabalhou em muitas das suas mais populares longas-metragens), não é exceção. “A melhor comédia jamais feita… e talvez o melhor filme jamais feito” – e quem o diz é Orson Welles – é exibida
dia 21, sábado,
com Daniel Schvetz a musicar algumas das mais elaboradas coreografias cómicas da história do cinema.
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