Para julho, a Cinemateca Portuguesa propõe uma (re)descoberta do cinema de Hugo Fregonese, que realizou noirs e westerns na Argentina, em Hollywood e na Europa; um mergulho no universo cinematográfico de Bruce Springsteen, o cantor do sonho americano despedaçado; e cinco sessões, cinco filmes num ciclo de homenagem a Mário Jorge Torres, ao seu trabalho e à sua cinefilia. Continua, neste próximo mês, a coreo-filmografia que é o ciclo de revisitação dos musicais, bem como a navegação em torno da Viagem ao Fim do Mudo. Por fim, tragam a sombrinha de papel (e por vezes a mantinha), pois eis o retorno do cinema na esplanada da Cinemateca.
Bruce Springsteen é um ícone global que reflete uma ideia de sonho americano do ponto de vista da classe operária. Springsteen não vê a realidade com ingenuidade (“You ain’t a beauty/ but, hey, you’re alright”), mas mantém algo de romanticamente confiante no futuro (“We're gonna get to that place/ Where we really want to go, and we'll walk in the sun”). O ciclo em torno deste músico é multifacetado e construído como uma constelação: canções que deram título ou inspiraram filmes (THUNDER ROAD), filmes que influenciaram o imaginário de Springsteen (THE SEARCHERS, BADLANDS) ou obras que incorporaram a sua música (PHILADELPHIA, PALOMBELLA ROSSA) ou a sua presença (HIGH FIDELITY).
Ao longo do mês, revelamos o trabalho do realizador e argumentista argentino Hugo Fregonese, cuja carreira o levou da Argentina a Hollywood, com passagem por terras italianas, inglesas, alemãs e espanholas antes de regressar à terra natal. A sua especialidade talvez fosse pegar em material humilde, para o transformar em algo com garra e elegância, criando ambientes cruéis povoados por personagens irrequietas ou que não se enquadram. A itinerância é uma imagem recorrente do seu cinema (SADDLE TRAMP, BLOWING WIND), assim como a prisão e a sua escapatória, como em APENAS UN DELINCUENTE, MY SIX CONVICTS, SEVEN THUNDERS ou BLACK TUESDAY.
Crítico, professor especialista em literatura norte-americana e estudos fílmicos, entusiasta do melodrama e de tudo o que o cinema tem para oferecer, Mário Jorge Torres começou por se apaixonar por Buster Keaton e Charles Chaplin, encontrou depois uma musa em Audrey Hepburn e uma fonte de prazer no estudo do cinema clássico americano. Em cinco sessões que o homenageiam, de Douglas Sirk a Sofia Coppola, exploramos o fascínio do melodrama, mas também o seu restante e versátil sentido cinematográfico. A primeira sessão, ALL THAT HEAVEN ALLOWS, no dia 4 de julho, incluirá uma conversa com Clara Rowland, Francisco Frazão e José Bértolo.
O ciclo Revisitar os Grandes Géneros: O Musical continua, cantando e dançando, por algumas oferendas clássicas (THE SOUND OF MUSIC, THE BARKLEYS OF BROADWAY, com Fred Astaire e Ginger Rogers), mas desdobra-se também em extrapolações do género a movimentos de contra-cultura (CRY-BABY, THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW), a reinterpretações mais modernas (ONE FROM THE HEART, LA LA LAND) ou ainda por adaptações da-Broadway-ao-cinema (CABARET, WEST SIDE STORY, este também um remake do clássico de Jerome Robbins e Robert Wise por Steven Spielberg). Continua também a Viagem ao Fim do Mudo, com ZEMLYA (A Terra), de Aleksandr Dovzhenko, DAS KABINETT DES DR CALIGARI, de Robert Wiene, e THE MARRIAGE CIRCLE, de Ernst Lubitsch.
Finalmente, e para formalizar a chegada do verão, no primeiro dia de julho declara-se aberta a época do cinema na esplanada da Cinemateca, apresentando uma panóplia de filmes dos principais ciclos do mês.