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Assunto: Programação
Data: 20/05/2026
Um pas de deux e uma expedição ao Reino Unido
Um pas de deux e uma expedição ao Reino Unido
Em junho, a Cinemateca Portuguesa revisita o cânone do género musical, explora o cinema feito por mulheres no Reino Unido a partir da Segunda Guerra Mundial, recebe uma visita do cinema de João Penalva e continua o itinerário do cinema mudo.
Depois de revisitar a ficção científica, o melodrama, a comédia, a guerra no cinema, o film noir e, recentemente, o western, chegou altura de Revisitar os Grandes Géneros: O Musical. O ciclo que se inicia em junho e prossegue no mês seguinte, integrando cerca de 40 títulos, traça uma narrativa do género musical que se quer multidimensional e versátil, explorando o género e os seus subgéneros. A primeira parte abarca várias décadas e visita várias geografias, mostrando a evolução desde os primeiros anos do som até às grandes produções clássicas de Hollywood, sem esquecer a maneira como o musical ganhou formas diferentes consoante a sua produção na URSS, na China ou em Portugal. A programação, composta por filmes em que as pessoas “começam a cantar e a dançar”, evita a repetição de autores e de obras exibidas recentemente (com exceções) e também evita seguir parâmetros cronológicos demasiado restritivos – começamos pelos anos 1950, com uma tarde dedicada ao centenário do nascimento de Marilyn Monroe (THERE’S NO BUSINESS LIKE SHOW BUSINESS e LADIES OF THE CHORUS), para depois recuar ao ano de 1929 com HALLELUJAH!, de King Vidor, e THE LOVE PARADE, de Ernst Lubitsch; de seguida ascendemos, qual Esther Williams em BATHING BEAUTY, até MEET ME IN ST LOUIS e LITTLE MISS BROADWAY, terminando com OKLAHOMA!. Aguardem pela reunião de Fred Astaire e Ginger Rogers, bem como a versão de WEST SIDE STORY de Steven Spielberg, em julho.

Depois das Pioneiras do Cinema Português, de 15 a 30 de junho visitamos as Realizadoras Britânicas – do Esforço de Guerra ao Free Cinema (1940-1964). Ao longo deste ciclo apresentam-se filmes de 16 realizadoras (uma lista não exaustiva), destacando-se o trabalho de Ruby Grierson, irmã de John Grierson, considerado o “pai do documentário”; Muriel Box, a mais prolífica das cineastas inglesas do século XX e a primeira mulher a receber um Oscar na categoria de Melhor Argumento Original; Wendy Toye, bailarina e atriz que se tornou realizadora (premiada em Cannes e nomeada ao Oscar); e ainda os filmes da documentarista Jill Craigie, cuja obra propunha uma organização do mundo de acordo com o socialismo e o feminismo. Na programação marcam ainda presença a cineasta experimental Margaret Tait e a jovem estudante italiana Lorenza Mazzetti, cujos primeiros filmes viriam, entre outros, a inaugurar o movimento Free Cinema. Se este ciclo acontece na sequência do programa Pioneiras do Cinema Português (que incluiu um filme da realizadora inglesa Mary Field rodado em Portugal) também antecipa uma retrospetiva, a realizar no segundo semestre de 2026, dedicada ao caso singular de Margaret Tait.
Numa iniciativa em colaboração com a Culturgest e com as Galerias Municipais de Lisboa, a Cinemateca apresenta duas sessões onde exibe cinco filmes de João Penalva, trabalhos que regressam ao nosso ecrã no âmbito de uma extensa apresentação do seu trabalho em Lisboa e que comemoram os 50 anos de atividade do prolífico artista visual português, que marca presença nas sessões.

Sempre com acompanhamento ao piano, a Viagem ao Fim do Mudo prossegue com paragens pelas proezas de câmara do célebre, mas entretanto esquecido, VARIÉTÉ, de E.A. Dupont (dia 19 de junho), pela primeira tentativa de Charles Chaplin se livrar de Charlot, com A WOMAN OF PARIS (dia 26 de junho), e por KENTUCKY PRIDE, de John Ford (dia 2 de junho), um surpreendente exemplo (por contar a história de uma égua do seu próprio ponto de vista) do trabalho durante o período mudo deste realizador mais conhecido pelas suas obras pós-advento do som.

Ainda em junho, é lançada a edição da Cinemateca dedicada à obra de Billy Woodberry, na sequência da sua presença na rubrica “Realizador Convidado” na Cinemateca, em junho do ano passado, e apresentamos quatro antestreias dos filmes mais recentes de Elsa Bruxelas, Sandro Aguilar, Paula Tomás Marques e Marco Laureano.