Bárbara Virgínia, a primeira mulher a realizar uma longa-metragem sonora em Portugal, será celebrada a 29 de maio, sexta-feira, dia em que lhe são dedicadas duas sessões de cinema e em que decorre o lançamento da edição em livro-e-DVD dessa mesma longa-metragem, TRÊS DIAS SEM DEUS, exibida há 80 anos na primeira edição do festival de Cannes.
Estes eventos realizam-se no âmbito do ciclo Pioneiras do Cinema Português que inaugurou no passado dia 11 de maio e que tem vindo a mostrar o trabalho feito por mulheres, em várias categorias técnicas e artísticas, desde o período do cinema mudo até meados da década de 1960 e ao advento do Cinema Novo Português.
A primeira das duas sessões, às 15h30, apresenta AS PIONEIRAS DO CINEMA EM LÍNGUA PORTUGUESA e QUEM É BÁRBARA VIRGÍNIA?, ambas realizações de Luísa Sequeira. A primeira é um episódio piloto, com vista a desenvolver-se uma série, que explora a história de várias mulheres cineastas, referindo-se o trabalho de algumas das primeiras realizadoras internacionais (Alice Guy-Blaché, Lotte Reiniger) e a figura de Carmen Santos, atriz e realizadora brasileira nascida em Portugal. A segunda é um “roadmovie documental” onde uma realizadora procura os vestígios da carreira multifacetada de Bárbara.
Pelas 18h, a Cinemateca Portuguesa apresenta, em parceria com a Livraria Linha de Sombra, o livro-e-DVD de TRÊS DIAS SEM DEUS, filme do qual apenas foram recuperados fragmentos, em nova cópia digital restaurada e legendada, utilizando os materiais sobreviventes. Esta edição inclui vários extras, como o trailer do filme (do qual foi preservado o som) e um novo documentário de Luísa Sequeira, ESSE OLHAR QUE É SÓ TEU. O volume conta ainda com textos de Ana Cabral Martins e Ricardo Vieira Lisboa e a reprodução fac-similada da planificação anotada do filme, que permite compreender melhor como terá sido o filme à data da estreia. A entrada é livre.
A este evento segue-se, às 19h, uma sessão que apresenta os trabalhos da atriz e realizadora, onde será, claro, exibido TRÊS DIAS SEM DEUS, mas também o seu trailer e duas curta-metragens em que Bárbara Virgínia esteve envolvida: ALDEIA DOS RAPAZES – ORFANATO STA. ISABEL DE ALBARRAQUE, cuja realização lhe é atribuída, e os materiais que subsistem de NEVE EM LISBOA, realizado por Raúl Faria da Fonseca e que teria a narração de Bárbara Virgínia.