Do terceiro ao último dia de fevereiro, a obra de um dos cineastas do cinema clássico americano que ainda carece de atenção e análise passa pelo nosso grande ecrã. Avisos de Tempestade – os Filmes de Stuart Heisler reúne 12 títulos deste realizador, sensivelmente metade da sua obra cinematográfica, de forma a dar a conhecer a sua filmografia para além dos seus trabalhos mais conhecidos, tais como: THE GLASS KEY, uma adaptação de Dashiell Hammett com Veronica Lake e Alan Ladd; ALONG CAME JONES, um dos primeiros “meta-western”, com Gary Cooper; SMASH-UP: THE STORY OF A WOMAN, que valeu a Susan Haywards uma nomeação ao Oscar de Melhor Atriz; ou THE STAR, um estudo sobre a fama e o alcoolismo com Bette Davis; bem como o filme que dá nome ao ciclo, STORM WARNING, um drama anti-Ku Klux Klan com Ginger Rogers e Ronald Reagan.
Em Hollywood, Heisler começou por trabalhar sobretudo como montador, mas não só. É na Paramount que começa um percurso enquanto “realizador por contrato”, uma promoção que chega depois de ter sido o realizador de segunda equipa no THE HURRICANE de John Ford. A partir daí, foi seguindo esse caminho, até experimentar a televisão, no início dos anos 1960, e se afastar completamente depois do idiossincrático HITLER. O facto de Heisler ser realizador-para-toda-a-obra permitiu que se estendesse por inúmeros géneros: do fantástico ao noir, ao melodrama social, passando pelo women’s picture e ainda pelo documentário – com o singular THE NEGRO SOLDIER, uma reflexão sobre a presença dos soldados afroamericanos no exército americano, produzido por Frank Capra no contexto da Segunda Guerra Mundial.
Este nome singular, embora menos lembrado, foi indicado por Robert Lachenay nos Cahiers du cinema, como “um daqueles valentes que não sabem falhar um filme”. Entre avisos de tempestade, este ciclo desafia à comprovação deste veredicto.