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Assunto: PROGRAMAÇÃO
Data: 11/09/2025
O Estilo Documental de Rob Rombout, o Rei da Estrada
O Estilo Documental de Rob Rombout, o Rei da Estrada
O programa “Rob Rombout, a Mise en Scène do Real” inclui uma exposição de fotografias, patente desde o dia 18 de setembro, uma palestra acerca da mise en scène do real e o ensino do documentário, que acontecerá no dia 25, e um ciclo de cinema, entre os dias 20 e 25 do mesmo mês. Diferentes vias de acesso a uma obra multifacetada ou uma tentativa de desenhar um retrato desse “cidadão do mundo” nascido nos Países Baixos, radicado na Bélgica e com uma forte ligação afetiva a Portugal. 

Sempre entre destinos, a sua câmara, a de filmar e a fotográfica, viaja sem se fixar por demasiado tempo num só sítio. O nome do curso que cofundou, DocNomads, reflecte esse desejo pela errância. Por exemplo, vai da sua Amesterdão natal até às múltiplas cidades com o mesmo nome localizadas nos Estados Unidos, no seu épico de 6 horas, dividido em duas sessões (ambas no dia 20), AMSTERDAM STORIES, e parte em viagem para transformar os Açores num plateau cinematográfico ao serviço da presença e da música dos Madredeus, numa obra chamada LES AÇORES DE MADREDEUS, que passa pela primeira vez na Cinemateca no dia no dia 23 com o clássico ZOO do compatriota Bert Haanstra e o seu ENTRE DEUX TOURS. O próprio cinema de Rombout deambula entre o documental e o ficcional, fazendo da alternância entre a paisagem e o rosto humano marca distintiva de uma mise en scène de estilo documental.
Escreveu Marc-Emmanuel Mélon, num livro (re)lançado na Livraria Linha de Sombra em 2022, aquando da última visita do cineasta à Cinemateca, e cujo título dá nome ao presente programa, que “Rombout não realiza um filme sobre qualquer coisa, mas sobre a conexão que ele estabelece entre coisas”. O ponto de partida pode ser uma ideia ou uma estória simples, quase mundana. No entanto, a “moldura” formal parece provir do domínio da ficção. Com efeito, entre os seus filmes favoritos “on the road” contam-se tanto documentários (por exemplo, ROUTE ONE/USA de Robert Kramer ou ENCOUNTERS AT THE END OF THE WORLD de Werner Herzog) como ficções (exemplo de PARIS, TEXAS de Wim Wenders ou PLANES, TRAINS & AUTOMOBILES de John Hughes).

A sua atividade como docente surge representada numa sessão, a ter lugar no dia 25 de setembro, com três obras produzidas por ex-alunos de Rombout no âmbito do mestrado DocNomads que o próprio cofundou e que pôs em articulação faculdades da Bélgica (LUCA – School of Arts), da Hungria (SZFE – Universidade de Teatro e Cinema de Budapeste) e de Portugal (Universidade Lusófona).

Tudo isto em diálogo com a exposição ON THE ROAD, que se impõe como uma súmula do seu olhar deambulante, uma mostra composta por fotografias tiradas entre Bruxelas e Lisboa, passando por França, Vietname, Camboja, Estados Unidos da América e Grécia. Um realizador e docente que se dá a descobrir agora como fotógrafo “on the road”. 

Consulte o programa completo aqui.