João Penalva é um artista com um percurso multifacetado: dos palcos europeus que atravessou como bailarino (em companhias como a de Pina Bausch e Gerhard Bohner) até aos anos de estudo das belas-artes na Chelsea School of Art que dão origem a um percurso como aclamado pintor. Daí resulta um processo de heterogeneização subsequente. A sua obra, guiada por uma ideia de narrativa – que o artista ora constrói, ora desconstrói –, desdobra-se em explorações por uma variedade de linguagens e práticas artísticas. A pintura traz a fotografia, traz a música, traz a instalação, traz o vídeo, traz o cinema. Imagens e textos criam experiências imersivas – nas quais o cinema se distingue.
No âmbito de uma ampla apresentação do trabalho de Penalva em Lisboa – que envolve duas exposições que comemoram os cinquenta anos de atividade e obra do artista (a exposição Personagens e Intérpretes, na Culturgest, e a exposição A Colecção Ormsson, patente no Pavilhão Branco) –, a Cinemateca Portuguesa apresenta o programa duplo Filmes de João Penalva, que verá os seus trabalhos, já projetados noutras ocasiões, regressarem à nossa tela.
Nos dias 8 e 9 de junho, João Penalva estará presente em duas sessões na Cinemateca para a exibição de cinco filmes.
Na segunda-feira, dia 8, às 19h, a primeira sessão apresenta KITSUNE (O Espírito da Raposa) e A HARANGOZÓ (O Sineiro, que parte do romance de Thomas Mann, O Eleito), dois filmes que cruzam uma experiência intrincada de imagens e banda de som, onde o fio narrativo são as histórias e as lendas.
Na terça-feira, dia 9, pelas 18h30, seguimos pelos 336 PEK (336 Rios) para mais um trabalho sobre a memória, desta vez a de um montador de cinema que vê a sua vida a refratar-se em muitas versões; em THE ROAR OF LIONS (O Rugir de Leões) passeamos entre imagens de registo documental e estórias tecidas por um narrador; chegamos, depois e enfim, aos longos planos de THE WHITE NIGHTINGALE (O Rouxinol Branco), onde as imagens se entrelaçam uma narrativa que brota dos intertítulos do filme.