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Assunto: Programação
Data: 15/07/2026
Em agosto, há esplendor na Esplanada com Rebeldes Sem Causas
Em agosto, há esplendor na Esplanada com Rebeldes Sem Causas
Em agosto, a Cinemateca apresenta um único ciclo para todo o mês: Rebeldes Sem Causas. Este é um programa em torno da ideia de rebeldia e da forma como esta ideia foi esmiuçada pelo cinema hollywoodiano dos anos 1950 aos anos 1970, ou de REBEL WITHOUT A CAUSE com James Dean a SATURDAY NIGHT FEVER com John Travolta – com a singela exceção de THE OUTSIDERS, um filme de 1983 que remonta a uma realidade de 1965. Estas décadas abarcam ainda uma altura em que os estúdios americanos, desengonçados com o final do studio system, fazem pontaria a uma fatia de mercado até aí pouco explorada: o público adolescente nascido no pós-Segunda Guerra, jovens e jovens adultos com literacia cinematográfica (tanto pela sofisticação do meio desenvolvida ao longo dos tempos, quer pelo facto de a história do cinema começar a ser lecionada no ensino superior) e dinheiro no bolso para ir ao cinema com frequência.

Os filmes programados exploram temas como a juventude, a revolta (incluindo a delinquência juvenil), a passagem para a vida adulta, a exclusão (ou a especificidade de uma certa organização) social, a repressão (ou emancipação) sexual e a pertença a uma contracultura. Mas, sobretudo, o tema da rebeldia-sem-causa passa por sensibilidades muito particulares: a angústia existencial sentida por adolescentes, a sensação de alienação perante os pais que transborda em confronto geracional. Este confronto geracional representado no ecrã refletia um outro, entre a antiga e a “Nova Hollywood”, feita de caras frescas que se tornaram estrelas incandescentes: Cybill Shepherd, Dennis Hopper, Dustin Hoffman, Harrison Ford, Jack Nicholson, Jean Seberg, Jeff Bridges, Natalie Wood, Peter Fonda, Richard Dreyfuss, Sidney Poitier, Steve McQueen ou Warren Beatty.
A rebeldia começa por ser um processo individual (nos filmes dos anos 1950), resultado de personagens que se sentem profundamente incompreendidas, frustradas ou emocionalmente confusas (REBEL WITHOUT A CAUSE, SPLENDOR IN THE GRASS, BONJOUR TRISTESSE), para vir a adquirir características mais abrangentes (nos filmes da década de 1960), patentes na rebeldia política e cultural de THE GRADUATE, TAKING OFF, ALICE’S RESTAURANT ou EASY RIDER. Face a uma crescente fragmentação social, resta a estes rebeldes a construção de novas formas de pertença (THE LAST PICTURE SHOW, AMERICAN GRAFFITI, SATURDAY NIGHT FEVER) – embora nada possa trazer de volta a hora do esplendor na relva.

O programa de agosto decorre com duas sessões diárias, uma na Sala Luís de Pina (exceto a sessão de abertura do ciclo, dia 1, às 18h) e outra na Esplanada. A Sala M. Félix Ribeiro estará encerrada devido a trabalhos de instalação de equipamento sonoro ao longo do mês.