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Assunto: PROGRAMAÇÃO
Data: 15/01/2026
Crítica moral, sátira social e paródia total: Heisler, Fernán-Gómez e Mel Brooks
Crítica moral, sátira social e paródia total: Heisler, Fernán-Gómez e Mel Brooks
Em fevereiro, a Cinemateca propõe um mergulho no cinema clássico americano de Stuart Heisler e um olhar sobre a obra de um dos nomes mais importantes do cinema espanhol do século XX, Fernando Fernán-Gómez. A subversão carnavalesca chega pelas mãos de Mel Brooks, num diálogo entre a paródia irreverente do autor e os filmes canónicos que satiriza. 

O tiro de partida de fevereiro é dado por Stuart Heisler, num ciclo dedicado a este nome singular, embora menos lembrado, do cinema clássico americano. Destacou-se como realizador de cinema e de televisão, tendo antes também trabalhado como montador, possuindo uma filmografia que cruza múltiplos géneros que Heisler trabalha com destreza: do film noir ao melodrama, passando pelo western e pelo cinema de consciência social. A mostra, intitulada Avisos de Tempestade – os Filmes de Stuart Heisler, vai além dos seus títulos mais sonantes, onde se destacam marcos do noir dos anos 1940 (AMONG THE LIVING, THE GLASS KEY), bem como obras que revelam as suas preocupações com temáticas sociais e políticas (SMASH-UP: THE STORY OF A WOMAN, STORM WARNING). Apesar de ter deixado marca no panorama da série B, no cinema de Heisler encontramos estrelas como Veronica Lake, Bette Davis, Natalie Wood, Humphrey Bogart, Bing Crosby, Fred Astaire, Susan Hayward, Jack Palance, Shelley Winters, Gary Cooper, Loretta Young ou Tony Curtis. O ciclo inclui ainda THE NEGRO SOLDIER (1944), documentário propagandístico que evidencia a importância dos contributos dos soldados afro-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. 

No mês de Carnaval, a Cinemateca acolhe a comédia caótica e os dotes satíricos de Mel Brooks, um dos grandes mestres da comédia americana, responsável por algumas das mais célebres, e infames, paródias hollywoodescas. A sua comédia é irreverente e o seu humor mistura-se com a vulgaridade, mas também com uma notória cinefilia face aos géneros clássicos, num contrabalançar constante entre o humor físico, a inteligência verbal de um trocadilho bem colocado, mas, sobretudo, a constante subversão das convenções narrativas. Mel Brooks, Deixa-nos em Paz! propõe um jogo de espelhos entre os filmes de Mel Brooks e as obras que os inspiraram, colocando lado a lado títulos como YOUNG FRANKENSTEIN e FRANKENSTEIN, de James Whale, ou SPACEBALLS e STAR WARS, num diálogo que pisca o olho ao génio cómico de Brooks e ao cinema que ele homenageia e reformula.

Figura central da cultura espanhola do século XX, Fernando Fernán-Gómez (ator, romancista, argumentista e realizador de cinema e encenador de teatro), é o protagonista de um olhar retrospetivo de filmes por si realizados e marcados pelo humor mordaz das suas sátiras cómicas, mas também por uma profunda sensibilidade que não deixa de preservar um olhar crítico sobre a sociedade espanhola. As Estranhas Viagens de Fernando Fernán-Gómez é um programa que percorre títulos fundamentais por si realizados como EL EXTRAÑO VIAJE (1964) ou EL MUNDO SIGUE (1965), filmes marcados pela censura e críticos da repressão franquista, bem como comédias deleitosas como LA VIDA POR DELANTE (1958) e LA VIDA ALREDEDOR (1959) e as sátiras SOLO PARA HOMBRES (1960) e LA VENGANZA DE DON MENDO (1962). 
Durante a estadia de Mihály Víg em Lisboa, o músico conhecido também pelo seu trabalho enquanto compositor das bandas sonoras de Béla Tarr marca presença na sessão de exibição de KÁRHOZAT, no dia 27 de fevereiro. No dia seguinte, homenageamos o realizador húngaro recentemente falecido, cuja obra e presença foi frequente nas nossas salas ao longo dos últimos anos, com a exibição de SÁTÁNTANGÓ, que Víg protagoniza.

O programa que assinala os 30 anos do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento continua com uma sessão em torno de A DOCKWORKER'S DREAM (2016), de Bill Morrison – um dos grandes nomes do cinema experimental contemporâneo que tem trabalhado com material de arquivo e found footage. A sessão, apresentada por Tiago Baptista, diretor do departamento ANIM, coloca esta obra de Morrison em diálogo com algumas curtas-metragens portuguesas que deram forma a esse trabalho, para o qual recuperou imagens, antigas e raramente vistas, dessa memória coletiva preservadas pela Cinemateca. 

Prossegue também a Viagem ao Fim do Mudo que vagueia pelas paragens incertas de Tod Browning e o seu THE UNKNOWN, desembocando na PASSION DE JEANNE D’ARC, de Carl Dreyer, e THE GENERAL, de Buster Keaton e Clyde Bruckman.

A terminar, sublinha-se o espetáculo de lanterna mágica por Abi Feijó, dia 14 de fevereiro, numa viagem pela sua coleção de diapositivos e de lanternas mágicas que reúne a Cinemateca Júnior e o grande ciclo dedicado aos projecionistas Uma Cinemateca em Chamas.