Ver

Pesquisa

Notícias

Assunto: Programação
Data: 13/03/2026
Cardinale!, um regresso a TORRE BELA e uma reflexão sobre as ditaduras
Cardinale!, um regresso a TORRE BELA e uma reflexão sobre as ditaduras
No mês de abril, celebramos o restauro de TORRE BELA (Thomas Harlan, 1977), investigamos A Queda das Ditaduras e a Emergência dos Cinemas Novos na Grécia e em Espanha, abrimos alas a Claudia Cardinale e Pier Paolo Pasolini (com a Festa do Cinema Italiano) e recebemos Christa Blümlinger que contará as “Histórias do Cinema” de Harun Farocki. Subimos mais um lanço de escadas no ciclo de três partes d’A Casa, lembramos Patrícia Saramago e visitamos mais destinos da Viagem ao Fim do Mudo.

A Cinemateca Portuguesa e a Festa do Cinema Italiano celebram dois ícones do cinema: a já anunciada retrospetiva de homenagem à recentemente falecida diva do cinema, Claudia Cardinale!, que terá a presença da sua filha, Claudia Squitieri; e bem como o programa Pier Paolo Pasolini – Raridades, por ocasião do lançamento da mais recente edição das Folhas da Cinemateca dedicada ao cineasta e poeta italiano.

Se ao longo de 2026 a Cinemateca tem vindo a comemorar os 30 anos do seu centro de conservação, o Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), a iniciativa deste mês foca-se na apresentação do restauro de TORRE BELA (Thomas Harlan, 1977), feito em colaboração com o Filmmuseum de Munique. O novo restauro do filme corresponde à versão que o autor considerou como “definitiva” e que foi agora digitalizada e restaurada em 4K. A apresentação do novo restauro e o lançamento da nova edição DVD pela Cinemateca Portuguesa é o mote para um programa em torno do filme, intitulado A Enxada é de Toda a Gente – a propósito de TORRE BELA, a decorrer na altura das comemorações do 25 de Abril. Estarão presentes Chester Harlan (filho do realizador), Stefan Drössler (Filmmuseum de Munique), Roberto Perpignani (montador de TORRE BELA), José Manuel Costa (anterior diretor da Cinemateca Portuguesa), José Filipe Costa (realizador de LINHA VERMELHA), Luís Galvão Teles (realizador de COOPERATIVA AGRÍCOLA TORRE BELA) e Manuel Mozos (realizador e arquivista da Cinemateca), entre vários outros convidados.

Em sintonia com a celebração da Revolução dos Cravos, a Cinemateca apresenta um olhar sobre A Queda das Ditaduras e a Emergência dos Cinemas Novos na Grécia e em Espanha. Trata-se de uma mostra colaborativa que juntou Portugal, Espanha e Grécia num projeto comum, já apresentado nos outros dois países e que chega agora à Cinemateca, em formato mais reduzido, sem a componente portuguesa do programa, composta por obras com presença regular na nossa programação.
Christa Blümlinger marca presença nas “Histórias do Cinema” dedicadas a Harun Farocki, de 13 a 17 de abril. A professora, investigadora e crítica de cinema selecionou para estas “Histórias” um conjunto significativo de obras do cineasta que serão assim mostradas, algumas pela primeira vez na Cinemateca, naquele que será o ciclo mais extenso dedicado a Farocki desde 1990 nas nossas salas.

Protegendo-nos das águas mil, subimos ao segundo andar do ciclo d’A Casa e passamos das casas ficcionais para casas verdadeiras. Esta segunda parte centra-se em filmes de realizadores que viraram a câmara para o seu próprio lar, dando azo a que a arquitetura da sua intimidade transbordasse para o grande ecrã.

Entre lágrimas, sombras e encantos, a Viagem ao Fim do Mudo segue o seu rumo, com paragens neste mês no cinema de G. W. Pabst, Arthur Robison e Marcel L’Herbier. Percorremos, respetivamente, o desespero pós-Primeira Grande Guerra na Viena de DIE FREUDLOSE GASSE (1925), exibido dia 11 de abril; o expressionismo alemão de SCHATTEN (1923) no dia 16; e, finalmente, a ficção científica francesa de L’INHUMAINE (1924), no dia 29.

No final do mês, lembramos ainda Patrícia Saramago (1975-2025) e a excelência do seu trabalho de montagem no cinema português recente. Patrícia Saramago – “Fazer e refazer é o dia a dia numa sala de montagem” é um ciclo que apresenta dois dos seus mais relevantes trabalhos (FRÁGIL COMO O MUNDO, de Rita Azevedo Gomes, e ONDE JAZ O TEU SORRISO?, de Pedro Costa), e uma sessão com imagens inéditas por si filmadas e montadas com, e na Casa Conveniente, onde acompanhou Mónica Calle ao longo de vários anos: INFERNO (VALE DE JUDEUS) e A ÚLTIMA GRAVAÇÃO, programados com um filme inicial de Luís Fonseca, um dos primeiros trabalhos montados por Patrícia Saramago (CHUVA).