Agentes secretos, tramas de espionagem e redes criminosas. A calçada branca e o ar solarengo de Lisboa são contrastados com uma vertente especial da capital portuguesa: ser cenário de filmes onde a intriga é a palavra-chave. Lisboa, Capital da Intriga Internacional é um ciclo de 21 filmes que trilham as paisagens centrais e arredores lisboetas. As suas paragens delineiam um percurso tanto ao longo do tempo (perpassando por grande parte do século XX) como com origem em múltiplos pontos geográficos (EUA, Itália, França, Espanha, Reino Unido, Alemanha e União Soviética).
Os títulos reúnem várias primeiras apresentações na Cinemateca, numa mostra que viaja do Terreiro do Paço ou Castelo de São Jorge até ao Estoril e Cascais. Quem calcorreia a calçada de Lisboa são figuras incógnitas e algumas icónicas, do fictício espião James Bond (ON HER MAJESTY’S SECRET SERVICE) ao realismo da escrita de John le Carré (THE RUSSIA HOUSE). Contudo, a exploração topográfica não se fica por aqui, dado que o ciclo também se passeia por diferentes géneros, sejam thrillers, filmes noir, policiais com uma pitada de giallo ou a comédia estapafúrdia de Jerry Lewis.
De entre a seleção, a cargo do historiador Rui Lopes, deparamo-nos com: LISBON (Ray Miland, 1956), a primeira produção americana inteiramente rodada em Portugal; ON HER MAJESTY’S SECRET SERVICE (Peter R. Hunt, 1969), a única passagem de James Bond pelo Estoril; STORM OVER LISBON (George Sherman, 1944) é um filme de série B que traz Erich von Stroheim a Lisboa; já o conto de Roald Dahl Beware of the Dog é a base das 36 HOURS (George Seaton, 1964) vividas por James Garner com um pezinho à beira-Tejo; ou THE CONSPIRATORS (Jean Negulesco, 1944), que traz Hedy Lamarr e dois atores de CASABLANCA (Paul Henreid e Peter Lorr) à capital portuguesa.
O ciclo inclui duas obras portuguesas que jogam com os códigos das aventuras de espiões, com OPERAÇÃO DINAMITE (Pedro Martins, 1967, filme que passa com “duplo chapéu”, em homenagem a Glória de Matos) e SETE BALAS PARA SELMA (António de Macedo, 1967). O primeiro tem não o dossier Pelicano, mas o dossier Pentágono nas mãos de Nicolau Breyner, e o segundo é um filme de espionagem psicadélico que inclui perseguições e retroescavadoras.
Dia 7, às 16h, na Sala Luís de Pina, decorre uma mesa-redonda que reúne especialistas em história, estudos de cinema, media e turismo para discutir alguns dos filmes do ciclo, bem como a relação histórica do cinema com a cidade de Lisboa, a espionagem, o turismo e as relações internacionais do Estado Novo, desde a Segunda Guerra Mundial ao fim do regime. Há também, em duas ocasiões, visitas guiadas para explorar locais de rodagem recorrentes nos filmes do ciclo e que terminam a tempo da exibição de LE GRAIN DE SABLE (Pierre Kast, 1964) e STORM OVER LISBON, dia 13 (sexta-feira) e dia 21 (sábado) de março, respetivamente.
Lisboa, Capital da Intriga Internacional resulta de uma colaboração entre a Cinemateca, o Instituto de História Contemporânea (IHC) e o projeto ExPORT (baseado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), com o apoio da Fundação Luso-Americana – Para o Desenvolvimento (FLAD), Instituto Italiano di Cultura di Lisbona, Institut français du Portugal, Instituto Cervantes de Lisboa e Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa.