Ver

Pesquisa

Notícias

Assunto: Programação
Data: 22/12/2023
2024 NA CINEMATECA: DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO - MEMÓRIA DO PAÍS, MEMÓRIA DO CINEMA
2024 NA CINEMATECA: DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO - MEMÓRIA DO PAÍS, MEMÓRIA DO CINEMA
Em anteriores aniversários redondos do “25 de Abril” (nos 10, 25 e 40 anos) a Cinemateca levou a cabo importantes ciclos e outras iniciativas de celebração. Aos 50 anos, a imensidade de memórias, reflexões e interrogações que a data nos sugere no próprio território do cinema exigiu outra escala de tempo, invadindo um ano inteiro de programação. Em 2024, todo o ano será assim contaminado por esta evocação, seja de forma direta seja de forma indireta, estabelecendo-se uma grelha de programação em que outros ciclos estruturantes virão confrontar-se, e de algum modo sempre dialogar, com iniciativas várias que reuniremos sob o chapéu “Abril 50”. O que propomos não é só lembrar Abril, ou pensar Abril, ou pensar a nossa história; é também lembrar e pensar tudo isso tomando por base a história do cinema, mais uma vez pensando-a e pensando com ela.     
 
ABRIL 50
 
QUE FAREI EU COM ESTA ESPADA? Dentro deste chapéu, a primeira e maior iniciativa a assinalar é aquela que correrá a totalidade do ano, de janeiro a dezembro, e que terá início logo na primeira sessão de 2024: tomando de empréstimo (e naturalmente em explícita homenagem) o título de João César Monteiro QUE FAREI EU COM ESTA ESPADA? aí reuniremos quatro grandes eixos de programação temáticos, livremente trabalhados na história do cinema, todos sugeridos pelo memória de Abril, pela suas ressonâncias históricas e pela projeção destas no nosso presente. São eles REVOLUÇÃO, LIBERDADE, COMUNIDADE e FUTURO. Com eles abriremos e fecharemos o ano, e a eles voltaremos, portanto, regularmente, no decurso dele.
 
O CINEMA EM 1974 E 1975 Uma segunda vertente sugerida pelo cinquentenário será a revisitação do “estado das coisas” no cinema mundial, no momento da mudança histórica ocorrida em Portugal e durante o tempo da maior convulsão política e social que dela derivou – os anos de 1974 e 1975. O que era o cinema nesse exato período do século XX? Com que obras do cinema internacional veio o cinema português da época confrontar-se? O que eram os marcos da ficção cinematográfica e também do documentário? Serão dois anos de cinema a evocar através de uma seleção de filmes que exibiremos ao longo de dois meses, neste caso (e por entre as iniciativas mais diretamente ligadas à própria realidade histórica de Abril de 1974) em abril e maio de 2024.
 
IMAGENS DE ABRIL / UMA HOMENAGEM AO CINEMA PORTUGUÊS / CORTES DE CENSURA / INSTALAÇÃO DE LUCIANA FINA Também no próprio mês de abril de 2024, e em datas mais próximas da efeméride propriamente dita, a Cinemateca voltará a exibir as “imagens de abril”, seja nas obras de referência da época, em filmes posteriores que a evocam, ou até em alguns documentos inéditos entretanto recuperados. No feriado de 25 de abril, voltaremos a abrir as portas da sede, onde decorrerá uma maratona de imagens dessas várias tipologias. Próximo dessa data, apresentaremos de novo (repetindo e renovando a experiência feita nos 70 anos da Cinemateca) uma longa sessão de homenagem ao Cinema Português, numa “montagem crua de bobines” de filmes de múltiplos géneros, em diálogo com a nossa História contemporânea. Voltaremos ainda ao tema CENSURA, retomando a exibição de montagens de “cortes” feitos pela censura portuguesa do Estado Novo. Finalmente, no próprio dia 25 de abril será também inaugurada na sede uma instalação da realizadora Lucina Fina, convidada pela Cinemateca para uma evocação livre do tema.
 
TEMPO COLONIAL – TEMPO PÓS-COLONIAL / CINEMAS DA LIBERTAÇÃO Ainda outra vertente, que consideramos indissociável de toda esta memória e interrogação, será a da realidade colonial e pós-colonial, que aqui abordaremos numa dupla dimensão. Por um lado, voltaremos aos primórdios do cinema colonial, com imagens do nosso e de outros arquivos europeus. Por outro – na ponta oposta do espectro – incluir-se-ão mostras de cinema de países lusófonos libertados do jugo colonial, nisso incluindo obras importantes fundadoras das suas próprias cinematografias e exemplos de criações recentes por parte de novas gerações.  
 
OUTROS CICLOS DE CINEMA PORTUGUÊS
 
Como habitualmente, a programação de 2024 incluirá outros espaços dedicados ao Cinema Português, que se articularão, neste caso por vezes de forma muito direta, com a memória e a reflexão do cinquentenário de Abril. Serão eles:
 
. CICLOS DE AUTOR DEDICADOS A FERNANDO MATOS SILVA, MONIQUE RUTLER E JOSÉ NASCIMENTO
 
. O CINEMA DE ARTISTAS PLÁSTICOS PORTUGUESES Primeira mostra abrangente de filmes realizados por grandes artistas plásticos portugueses que se exprimiram também através do cinema, utilizando a película cinematográfica de formatos reduzidos (anteriormente à expressão videográfica), entre os anos 60 e 80 do século XX.
 
. SAGUENAIL E REGINA GUIMARÃES - REALIZADORES CONVIDADOS
 
OUTROS CICLOS ESTRUTURANTES DA PROGRAMAÇÃO DE 2024
 
Como destaques especiais da programação de 2024 dedicada ao cinema mundial, anunciamos ainda:
 
. RAÚL RUIZ grande ciclo dedicado à extensa obra do realizador chileno, que a partir do Golpe de Estado de Pinochet se exilou em França, e que Paulo Branco trouxe a filmar em Portugal nos anos 80 e depois ao longo dos anos 90 e onde em 2010 filmou OS MISTÉRIOS DE LISBOA. Retrospetiva distribuída por vários meses, tendencialmente integral.
 
. JOSEPH CONRAD ciclo dedicado às adaptações cinematográficas da obra do escritor polaco.
 
. HOLLYWOOD PRÉ-CÓDIGO Centrando-se num núcleo de filmes especial ou vertiginosamente livres no que toca “à moral e costumes” no sistema dos estúdios, o ciclo revisita os anos 1930 americanos que antecederam a entrada em vigor da forma mais censória do código de produção vulgarmente conhecido em Hollywood como “Código Hays”.
 
. ANATOLE LITVAK Ciclo que aborda as várias etapas da obra de Litvak, que, nascido em Kiev (então Império Russo) em 1902, começou a trabalhar em cinema, como assistente, no regime soviético, mas teve longa carreira de realizador na Alemanha pré-hitleriana, em França, na Hollywood clássica, e de novo na Europa, já nos anos 50 (até 1970). Ciclo que se procura o mais completo possível, e que será apresentado em Lisboa no seguimento de uma apresentação, em versão um pouco mais reduzida, no festival Il Cinema Ritrovato, de Bolonha, no mesmo ano.
 
. O OUTRO 25 DE ABRIL (Com a Festa do Cinema Italiano) Ciclo de filmes que (sendo provenientes da época ou sendo posteriores mas com ecos dessa mesma época) abordam o contexto de um outro histórico 25 de Abril, neste caso de 1945, em Itália, quando as forças aliadas, juntamente com a guerrilha italiana, expulsam as forças de ocupação nazis, tornando irreversível o fim do regime fascista.
 
. CHRIS MARKER (Com a Festa do Cinema Francês) Finalmente, a integral Marker que, apesar das inúmeras exibições da sua obra nestas salas, nunca chegou a ser aqui apresentada.
 
. PÁL FEJÖS Cineasta de origem húngara, o percurso de Fejös como realizador percorreu várias geografias (Alemanha, Estados Unidos, Dinamarca, etc) numa carreira atípica iniciada no cinema mudo e terminada com documentários de natureza antropológica filmados na Ásia e na América do Sul. Uma obra que, à exceção da obra-prima que é LONESOME (1928), permanece quase inteiramente por redescobrir.
 
. TERENCE DAVIES Desaparecido em outubro de 2023, Terence Davies era um dos grandes autores do cinema britânico contemporâneo. A sua obra cruza a memória do classicismo com uma muito moderna apropriação dos seus códigos nomeadamente nas várias adaptações literárias que dirigiu.
 
. GREGORY MARKOPOULOS / ROBERT BEAVERS Parceiros de trabalho e de vida, Markopoulos e Beavers construíram dentro do cinema experimental – primeiro nos Estados Unidos e depois na Europa - duas obras distintas, mas igualmente marcadas pela singularidade e pela resistência a qualquer tipo de formatação.
 
. CINEMAS DE ÁFRICA No seguimento do foco sobre autores africanos que aqui teve expressão especial com a retrospetiva Ousmane Sembene e, agora, Djibril Diop Mambéty, a Cinemateca prosseguirá em 2024 a abordagem de cinematografias africanas (com programa a anunciar)