CICLO
A Casa


Terceira parte do ciclo “A Casa”, ao mesmo tempo uma revisão, uma expansão, e a abertura de caminhos que não serão seguidos, e a partir daí uma espécie de convite ao caos: eis um conjunto de pistas, eventualmente até contraditórias, para o vastíssimo território coberto por este universo temático. Objetivamente, convocamos mais o documentário do que nas partes anteriores, com vários exemplos do que pode ser filmar, documentalmente, casas concretas e ideias de casa. Também objetivamente, vamos atrás de filmes contemporâneos, produções muito recentes de autores na maioria ainda em atividade – uma forma de confirmar que “a casa” continua a funcionar e a ser adotada como estratégia dramatúrgica, mas igualmente como repositório de propriedades simbólicas que nos mostram não tanto o que temos hoje a dizer sobre as casas mas sobretudo o que é que as casas nos dizem, neste tempo e sobre este nosso tempo em que a dimensão política da casa – ter uma casa, não ter uma casa – talvez seja mais evidente do que alguma vez foi. E, terceira linha objetiva, vamos mais no encalço do cinema português: Rita Azevedo Gomes, Pedro Costa, João Pedro Rodrigues, João Mário Grilo (sem esquecer a curta sueca de Solveig Nordlund).
Mas acima de tudo, esta terceira parte pretende-se menos um “fecho” do que uma “coda”, um sinal de que poderíamos continuar, ad aeternum, às voltas com as casas do cinema, porque, também no cinema, there’s no place like home.
 
 
15/05/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

Two Lovers
Duplo Amor
de James Gray
Estados Unidos, 2008 - 110 min
 
18/05/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

Les Maisons de la Misère | Killer of Sheep
18/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo A Casa

Roter Himmel
Céu em Chamas
de Christian Petzold
Alemanha, 2023 - 103 min
19/05/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

Hard Truths
Verdades Difíceis
de Mike Leigh
Reino Unido, 2024 - 97 min
19/05/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

Tab
Lá em Cima
de Hong Sang-soo
República da Coreia, 2022 - 97 min
15/05/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
Two Lovers
Duplo Amor
de James Gray
com Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow, Isabella Rossellini, Vinessa Shaw
Estados Unidos, 2008 - 110 min
legendado em português | M/12
O primeiro filme em que James Gray abordou diretamente o melodrama, despido de componentes de tipo policial, embora como de costume na obra do cineasta o ambiente continuasse a ser o das comunidades imigrantes de origem russa na zona de Nova Iorque. Vagamente inspirado nas NOTTI BIANCHE de Visconti, TWO LOVERS conta a história de um homem dividido entre duas mulheres e duas promessas de vida completamente diferentes. “Os filmes de James Gray, no seu pensamento como na sua expressão, são obras clássicas que reinventam a nossa conceção do classicismo. São, portanto, inteiramente modernos. Com autores como ele, o cinema não morrerá” (Jean Douchet).
A apresentar em cópia 35mm.

consulte a FOLHA da CINEMATECA aqui
 
18/05/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
Les Maisons de la Misère | Killer of Sheep
LES MAISONS DE LA MISÈRE
de Henri Storck
Bélgica, 1936 - 30 min / legendado eletronicamente em português

KILLER OF SHEEP
de Charles Burnett
com Henry Gayle Sanders, Kaycee Moore, Charles Bracy, Angela Burnett
Estados Unidos, 1977 – 83 min / legendado eletronicamente em português

Duração total da projeção: 113 min | M/12

LES MAISONS DE LA MISÈRE é um dos filmes socialmente mais contundentes de Henri Storck: um olhar sobre as casas de um bairro operário num subúrbio de grande cidade, denunciando a falta de condições sanitárias, a sobrepopulação, etc. Um testemunho muito áspero das grandes clivagens sociais na Bélgica de meados da década de 1930. KILLER OF SHEEP é um caso de atribulações e de culto: realizado como filme de final de curso na UCLA, a primeira longa-metragem de Burnett foi rodada perto da sua casa de família no bairro de Watts, gueto negro de Los Angeles, em vários fins de semana, com um elenco maioritariamente amador e um pequeno orçamento. O quotidiano de uma família cujo pai trabalha num matadouro e sofre de depressão foi filmado num preto e branco ganuloso e câmara à mão. Questões de direitos musicais comprometeram a visibilidade inicial do filme, mas em 1981 recebeu o prémio da crítica do Festival de Berlim e, 30 anos depois de ter sido realizado, foi restaurado pela UCLA e recuperado.


consulte a FOLHA de KILLER OF SHEEP aqui
 
18/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
A Casa
Roter Himmel
Céu em Chamas
de Christian Petzold
com Thomas Schubert, Paula Beer, Langston Uibel
Alemanha, 2023 - 103 min
legendado em português | M/12
Talvez o mais enigmático filme de um realizador que aposta cada vez mais nos enigmas, nos subentendidos, nos não-ditos e nas elipses. Um grupo de personagens numa casa de campo, perto da costa do norte da Alemanha, incêndios nas proximidades como uma iminência de um apocalipse muito à John Carpenter, conversas sobre livros e literatura, manobras de sedução e de contra-sedução – e o Céu fica em Chamas. Primeira exibição na Cinemateca.
 
19/05/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
Hard Truths
Verdades Difíceis
de Mike Leigh
com Marianne Jean-Baptiste, Michele Austin, Tuwayne Barrett
Reino Unido, 2024 - 97 min
legendado em português | M/12
O mais recente filme de Mike Leigh lembra-nos de que ele é, se calhar antes de tudo o mais, um cineasta do reduto doméstico, da intimidade familiar, onde abundam segredos, mentiras, e verdades duras. Ou seja: um cineasta da casa, e das casas. E a casa é particularmente importante em HARD TRUTHS, símbolo de uma mobilidade social que esbarra no subúrbio, mantida sempre num brinquinho pela obsessão maníaca pela limpeza da protagonista (uma Marianne Jean-Baptiste em absoluto estado de graça), e um lugar de silêncio, por trás dos vidros duplos que a isolam do exterior. Primeira exibição na Cinemateca.

consulte a FOLHA da CINEMATECA aqui
 
19/05/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
Tab
Lá em Cima
de Hong Sang-soo
com Kwon Hae-hyo, Lee Hye-yeong, Song Seon-mi
República da Coreia, 2022 - 97 min
legendado em português | M/12
É o filme mais recente de Hong Sang-soo com estreia comercial em Portugal, mas entretanto, com o seu ritmo estonteante, ele já estreou mais seis longas-metragens (e uma curta…). Neste ponto, o cinema do coreano é pura depuração e refinamento de um método de trabalho que se tornou ele próprio num método de “escrita” cinematográfica. Os filmes mais leves alternam com os mais graves, e LÁ EM CIMA, que até foi filmado num preto e branco frio como o inverno coreano, pertence à ala dos mais graves. Também é o mais vertical numa obra que tende para os filmes horizontais: tudo se passa através dos vários andares do mesmo prédio, entre residentes e visitantes. Primeira exibição na Cinemateca.

A sessão repete no dia 28 às 15h30, na sala M. Félix Ribeiro.