CICLO
Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)


E eis-nos chegados ao musical, nesta revisitação dos grandes géneros clássicos que a Cinemateca tem proposto desde 2019 e que já passou pela ficção científica, o melodrama, o western, a comédia, a guerra no cinema, o film noir. Género particularmente acarinhado, não tem estado ausente destas salas, desde o imenso ciclo de 1985-1986 (acompanhado por um igualmente imenso catálogo, em quatro volumes) ao mais recente “São Todos Musicais” (2016, em complemento da retrospetiva integral de Vincente Minnelli), passando pela série de programas “É do Meu Género” (2003) e “Um País, Um Género” (no caso, a Índia e o Musical, em 2007). E também, claro, em programas de autor, como foi o caso do já referido Minnelli, ou Stanley Donen, dois dos nomes mais imediatamente associados ao musical.
Porque não se pretende repetir nenhum destes programas, o que nesta revisitação se propõe é um programa caleidoscópico e multifacetado como o próprio género o é, nas suas diversas formas e sub-géneros (o musical integrado, os backstage musicals, os  jukebox musicals), exibindo obras de diversas latitudes de modo a apresentar um panorama histórico e formal do cinema musical desde o início do sonoro até aos nossos dias, dividido em duas partes e com um total de cerca de quarenta títulos. Como “fronteira” na divisão das partes do programa, recorremos à cronologia (com duas excepções, BARKLEYS OF BROADWAY, o filme de 1949 que reune Fred Astaire e Ginger Rogers após um hiato de dez anos, que só poderemos ver na segunda parte deste ciclo que por isso troca com FUNNY LADY) e a um título específico, WEST SIDE STORY, de 1961 – que, contudo, não será exibido, exibindo-se o filme de Steven Spielberg, de 2021 – e é o título mais recente do programa. A relação ausências/presenças tem uma razão: é que na seleção dos títulos, em que procurámos essencialmente e preferencialmente escolher filmes em que as pessoas “começam a cantar e a dançar, e não aqueles em que se limitam a tocar música”, também nos impusemos a não repetição de obras recentemente exibidas (e o filme de Jerome Robbins e Robert Wise – e Leonard Bernstein – foi-o, em 2020) tal como procurámos não repetir autores, mesmo que isso significasse escolher e decidir entre MEET ME IN ST. LOUIS ou AN AMERICAN IN PARIS, ou BRIGADOON, ou… Exceções há e haverá sempre – pois como “evitar” incluir um Demy, mesmo que recentemente tenhamos exibido UNE CHAMBRE EN VILLE, e também LES DEMOISELLES DE ROCHEFORT? Finalmente, era e é irresistível abrir este ciclo, que se inicia a 1 de junho, com um “núcleo” dedicado a Marilyn no dia que assinala também o centenário do nascimento desse “mistério”. E por isso, com Marilyn e para Marilyn, abrimos com “There’s no business like show business/Like no business I know… /There’s no people like show people/They smile when they are low.”
 
 
06/06/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)

DIE DREIGROSCHENOPER
“A Ópera dos Três Vinténs”
de Georg Wilhelm Pabst
Alemanha, 1932 - 110 min
 
08/06/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)

VIKTOR UND VIKTORIA
Jorge e Georgina
de Reinhold Schünzel
Alemanha, 1933 - 98 min
08/06/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)

EL ULTIMO CUPLÉ
O Último Couplet
de Juan de Orduña
Espanha, 1957 - 110 min
09/06/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)

FOOTLIGHT PARADE
Mil Apoteoses
de Lloyd Bacon
Estados Unidos, 1933 - 104 min
09/06/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)

ONE HUNDRED MEN AND A GIRL
Cem Homens e Uma Rapariga
de Henry Koster
Estados Unidos, 1937 - 84 min
06/06/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)
DIE DREIGROSCHENOPER
“A Ópera dos Três Vinténs”
de Georg Wilhelm Pabst
com Rudolf Forster, Carola Neher, Reinhold Schunzel
Alemanha, 1932 - 110 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Um dos mais famosos filmes de Pabst adaptando um texto de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil. O grande teórico e crítico Bela Bálasz colaborou na adaptação. Apesar de inicialmente se ter envolvido no projeto, Brecht acabou por se demarcar passado pouco tempo, pois os produtores não estavam interessados em realçar a vertente politizada da peça. Uma vez o filme pronto, Brecht fez um processo e perdeu-o. Teria as suas razões, mas o facto é que graças ao talento de Pabst toda a força da sua escrita e das suas ideias (além da esplêndida música de Weil) se fazem sentir no filme magnífico que é DIE DREIGROSCHENOPER.

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08/06/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)
VIKTOR UND VIKTORIA
Jorge e Georgina
de Reinhold Schünzel
com Renate Muller, Hermann Thimig, Hilde Hildebrand, Friedel Pisetta
Alemanha, 1933 - 98 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Uma divertida comédia de quiproquós, feita no período final da República de Weimar (estreou-se menos de um ano depois da chegada dos nazis ao poder). Uma jovem cantora arranja trabalho no palco como substituta de um homem que trabalha em travesti feminino e se torna famoso. Ou seja, uma mulher faz-se passar por homem para substituir um homem que representa papéis de mulher. Soa familiar? Sem dúvida. O irresistível filme de Schünzel foi refeito quase meio século depois por Blake Edwards em VICTOR VICTORIA com Julie Andrews. E já tinha sido refeito em 1935 em Inglaterra e em 1957 na Alemanha. VIKTOR UND VIKTORIA é um excelente exemplo do cinema de entretenimento alemão, que a abundância de obras-primas do período 1919-33 relegou ao esquecimento.

A sessão repete no dia 17 às 19h30, na sala Luís de Pina.

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08/06/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)
EL ULTIMO CUPLÉ
O Último Couplet
de Juan de Orduña
com Sara Montiel, Armando Calvo, Enrique Vera
Espanha, 1957 - 110 min
legendado eletronicamente em português | M/12
O filme que revelou Sarita Montiel – então regressada de Hollywood – como uma grande estrela internacional. De volta a Espanha para protagonizar um modesto musical quase mais por amizade a Juan de Orduña do que com verdadeiro foco na carreira, Montiel acabaria por transformar EL ULTIMO CUPLÉ num fenómeno do cinema espanhol e europeu. Recuperando o universo nostálgico do cuplé, entre melodrama e musical, o filme inaugurou o período mais célebre da sua carreira. Acompanhando a ascensão e queda de uma célebre cantora de variedades, o filme faz um retrato sentimental de um mundo boémio em desaparecimento que se cruza com o desaparecimento da própria cantora.

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09/06/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)
FOOTLIGHT PARADE
Mil Apoteoses
de Lloyd Bacon
com James Cagney, Joan Blondell, Ruby Keeler, Dick Powell, Frank McHugh
Estados Unidos, 1933 - 104 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Se bem que esteja assinado por Lloyd Bacon, FOOTLIGHT PARADE é, quase todo ele, um filme de Busby Berkeley. Quase todo, porque pouco está à margem dos fabulosos números musicais que ele encena para os espetáculos que James Cagney vai dar numa noite louca em vários teatros, onde se apresentam os bailados mais eróticos de Berkeley: “Honeymoon Hotel”, “By a Waterfall” e “Shangai Lil”. A exibir em cópia digital.

A sessão repete no dia 24 às 21h30, na sala M. Félix Ribeiro.

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09/06/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Revisitar os Grandes Géneros: O Musical (I)
ONE HUNDRED MEN AND A GIRL
Cem Homens e Uma Rapariga
de Henry Koster
com Deanna Durbin, Adolphe Menjou, Alice Brady
Estados Unidos, 1937 - 84 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Se o primeiro filme de Henry Koster para a Universal (THREE SMART GIRLS, 1936) salvou os estúdios da bancarrota iminente, “o saborosíssimo ONE HUNDRED MEN AND A GIRL” (João Bénard da Costa) colocou-o, a Deanna Durbin e à companhia, no topo. Neste “classic musical movie”, Deanna Durbin é a filha de um músico (Adolphe Menjou) que convence Leopold Stokowski a dirigir uma orquestra composta por cem amigos desempregados recentemente chegados aos EUA (alusão ao exílio forçado de tantos – incluindo Koster – que deixaram a Alemanha nazi) num concerto que lhes valerá um contrato com a rádio. O filme, a apresentar em cópia digital, não é exibido na Cinemateca desde 1986.

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