25/05/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Pioneiras do Cinema Português
Vera Wang Franco Nogueira, Diarista
Sessão comentada por Aida Franco Nogueira
FILMES DE VERA WANG FRANCO NOGUEIRA
Portugal, 1959-1981 – 61 min / sem som
Vera Wang Franco Nogueira (1927-2018), é lembrada como a fundadora da Academia de Santa Cecília e como mulher do Alberto Franco Nogueira (1918-1993), embaixador, cônsul e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1961-1969). Mas Vera Wang era, além de muitas outras coisas, uma imparável realizadora amadora que, com a sua câmara de 8mm registava incessantemente o dia-a-dia do seu marido e da sua pequena filha, Aida. Entre 1958 e 1981, Vera Wang Franco Nogueira filmou centenas de horas, documentando eventos familiares, viagens (de família e de estado), eventos sociais, manifestações, festas, touradas. Totalmente integrada na alta sociedade do Estado Novo, os seus filmes apresentam-nos uma outra faceta sobre as figuras políticas da ditadura. Do Presidente da República ao Presidente do Conselho, passando pelos vários Ministros, Embaixadores e Cônsules, todos eles foram filmados por Vera Wang, que os registava fora da típica pose oficial. Nesta sessão apresentar-se-á uma montagem de filmes (e excertos) de Vera Franco Nogueira que, por não terem som, serão comentados pela filha da realizadora, Aida Franco Nogueira, contextualizando as imagens e identificando os retratados.
26/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Pioneiras do Cinema Português
Realizadoras Amadoras
Entrada livre, mediante levantamento de ingresso na bilheteira uma hora antes da sessão (sujeito à lotação da sala)
FILMES DA FAMÍLIA MANUELA DE SOUZA
FILMES DA FAMÍLIA MIRANDA
provenientes da Videoteca Municipal de Lisboa
TEATRO INFANTIL – ARTES DE MAGIA
de Maria Helena Noronha Feyo
Portugal, Angola, 1959 – 17 min
Duração total da projeção: 60 min (aprox.)
Provenientes da coleção da Videoteca Municipal de Lisboa, apresenta-se uma seleção de filmes domésticos das famílias Manuela de Souza e Miranda, rodados nos anos 1950 e 60, onde a câmara de filmar circulava pelos vários elementos: mãe, pai, filhas, avós, tios e tias. A “autoria” dilui-se no seio familiar, mas não será por isso que estas imagens deixarão de nos cativar pela forma como fixam o olhar de algumas destas mulheres cinegrafistas. Já o caso de Maria Helena Noronha Feyo é mais complexo. Estão-lhe atribuídos dois filmes, ambos filmados pelo seu marido, José Maria Noronha Feyo, diretor da Diamang (Companhia de Diamantes de Angola). Tratam-se de festas infantis concebidas, escritas, encenadas, musicadas, vestidas e decoradas por Maria Helena, onde participam os filhos dos funcionários da empresa. O registo, filmado em película de 16mm colorida, plano fixo, geral e em sequência, limita-se a fixar a peça – sem som. Mas guarda-se o programa das festas com indicações do acompanhamento musical (que será aqui reproduzido de forma tentativa).
26/05/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Pioneiras do Cinema Português
Edila Gaitonde, Viajante
Com a presença de Ricardo Leite
BOMBAY – GOA
de Edila Gaitonde
Índia, [1970] – 12 min
AS MAÇÃS AZUIS
de Ricardo Leite
com Edila Gaitonde
Portugal, 2022 – 83 min
Duração total da projeção: 95 min | M/12
Edila Gaitonde (1921-2021) nasceu na Horta, Açores, e deixou o arquipélago em 1943 para vir estudar piano em Lisboa. Aí adoeceu, foi tratada pelo médico (e escritor e ativista anticolonial) goês Pundalik Gaitonde e os dois apaixonaram-se. Edila foi a primeira mulher portuguesa a casar com um goês de origem indiana durante a ditadura. Lutadora pela independência de Goa, professora de piano, apresentadora de rádio, foi também realizadora, tendo assinado cerca de duas dezenas de documentários em 8mm e Super8. Apesar do suporte amador, os filmes de Edila são particularmente cuidados (filmados com profissionalismo, montados e sonorizados com música e narração). São delicados retratos das coisas ao seu redor, onde o ímpeto pedagógico se fundia com o entusiasmo pelo mundo: os Açores, Lisboa, Goa, Londres, a Nova Inglaterra. O realizador Ricardo Leite conheceu-a, aos 95 anos, e ajudou a recuperar os seus filmes. AS MAÇÃS AZUIS é o documentário que lhe dedicou, onde nos conta sobre a sua vida, a sua ação política e o seu cinema.
27/05/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Pioneiras do Cinema Português
Raquel Soeiro de Brito, Geógrafa – I
Sessão comentada por Raquel Soeiro de Brito
MOÇAMBIQUE: VALE DO ZAMBEZE
MACAU
CABO VERDE
ANGOLA I: DO CUANZA A CHELA
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE (excerto)
TIMOR (excerto)
Portugal, 1960-1973 – 71 min / sem som | M/12
Raquel Soeiro de Brito (1925-) foi a primeira mulher a doutorar-se em Geografia (em 1955) e uma das primeiras dez mulheres a obter tal grau académico em Portugal. Aos 100 anos, estará na Cinemateca para apresentar uma Sessão-Aula, onde mostrará e comentará alguns dos seus filmes. Realizados entre 1960 e 1973 como parte da “Junta de Investigações do Ultramar”, estes são documentos filmados (pela própria), que serviam como cadernos de campo em movimento. Usados como ferramenta de investigação, eram apresentados em contexto de sala de aula, sempre com descrições da Professora Raquel (daí não terem som). Mais do que “filmes”, são estudos e registos de práticas e mudanças humanas, naturais e geológicas. Rodados em película de 16mm colorida, serão apresentados em cópias digitais produzidas no âmbito do projeto FILMar.
28/05/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Pioneiras do Cinema Português
Raquel Soeiro de Brito, Geógrafa – II
Sessão com comentário gravado de Raquel Soeiro de Brito
ERUPÇÃO VULCÂNICA DOS CAPELINHOS, ILHA DO FAIAL - AÇORES
de Raquel Soeiro de Brito
Portugal, 1958 – 34 min / sem som
RAQUEL SOEIRO DE BRITO NA CASA DA MISSÃO
de AvistaVulcão (Gonçalo Tocha, Sophie Barbara)
Portugal, 2021 – 24 min
Duração total da projeção: 58 min | M/12
Em outubro de 1957 e janeiro de 1958, Raquel Soeiro de Brito esteve no Faial para estudar a erupção do vulcão dos Capelinhos. Integrava uma Missão de estudo chefiada por Orlando Ribeiro onde era a única mulher (“nunca tinha visto uma mulher de calças” lembrou um dos aldeãos da freguesia de Capelo). Tinha 32 anos e nunca tinha pegado numa câmara de filmar. Foi graças ao operador Salvador Fernandes, que integrava a Missão, que Raquel Soeiro de Brito começou a filmar com uma câmara de 16mm “velha e pesada como um burro”. Das várias horas de material, montou uma primeira versão (de 48 minutos) que seria depois reduzida para a versão de 34 minutos. Nesta sessão apresenta-se a versão curta, em cópia digital restaurada, acompanhada por um comentário de Raquel Soeiro de Brito, gravado propositadamente para esta apresentação. A sessão é complementada pelo documentário produzido aquando do regresso de Raquel Soeiro de Brito à casa onde residiu durante a Missão. Aos 95 anos voltou a dormir nessa mesma casa que, por coincidência, pertence agora aos realizadores Gonçalo Tocha e Sophie Barbara (que lhe organizaram uma homenagem).