11/05/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Pioneiras do Cinema Português
Sessão de Abertura
CASCAES
de Amélia Borges Rodrigues
Portugal, 1937 – 7 min
TRÊS DIAS SEM DEUS – TRAILER
de Bárbara Virgínia
Portugal, Brasil, 1949 – 4 min
UMA CAIXINHA DE SURPRESAS
de Isaura Pavia de Magalhães Lisboa
Portugal, 1951 – 12 min / sem som
RITOS DE PUBERDADE DAS RAPARIGAS
de Margot Dias
Portugal, 1958 – 7 min
ERUPÇÃO VULCÂNICA DOS CAPELINHOS, ILHA DO FAIAL – AÇORES (EXTRAS)
de Raquel Soeiro de Brito
Portugal, 1958 – 14 min / sem som
CINZELAGEM
de Maria Luísa Bivar
Portugal, 1963 – 9 min
[FILME 6]
de Vera Wang Franco Nogueira
Portugal, 1969 – 5 min / sem som
Duração total da projeção: 58 min | M/12
Na primeira sessão do Ciclo “Pioneiras do Cinema Português” apresentam-se sete filmes de sete dessas mulheres que, entre as décadas de 1930 e 60, ousaram fazer filmes. A sessão pauta-se pela sua diversidade: um filme de contornos turísticos por parte de Amélia Borges Rodrigues (com a aparição do presidente Óscar Carmona); o único material sonoro referente ao filme de Bárbara Virgínia, a atriz de 22 anos que realizou uma longa-metragem de ficção em 1946; um filme amador de Isaura Pavia de Magalhães Lisboa que, desde 1931, fazia filmes de ficção com os vários membros da família (e rodou uma longa-metragem em 1945!); dois filmes de natureza científica, um feito em Moçambique pela etnóloga Margot Dias com o povo maconde, outro filmado pela geógrafa Raquel Soeiro de Brito em 1958, aquando da erupção do Vulcão dos Capelinhos; a terminar (e já na década de 1960), um dos episódios da série “Artistas e Artesãos” que Maria Luísa Bivar dirigiu para a Junta de Acção Social, e um filme doméstico rodado por Vera Wang Franco Nogueira (mulher do Ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar) que nos apresenta uma outra faceta do ditador.
12/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Pioneiras do Cinema Português
Maria Dulce, Produtora
A LUZ VEM DO ALTO
de Henrique Campos
com Maria Dulce, Curado Ribeiro, Roberto Camardiel,
Mário Pereira, Félix Fernandez
Portugal, 1959 – 98 min | M/12
Maria Dulce (1936-2010) foi uma importante atriz de cinema e teatro. Ainda não tinha terminado o curso do Conservatório e foi escolhida para interpretar o papel de Maria de Noronha em FREI LUÍS DE SOUSA, de António Lopes Ribeiro, tinha apenas 13 anos. Entre os palcos e os plateaux, fez carreira entre Portugal e Espanha. Mas foi graças à televisão que se tornou numa cara conhecida dos portugueses (a matriarca de ‘Os Andrades’ e outros papéis em ‘Chuva na Areia’ ou ‘Dei-te Quase Tudo’). Quando tinha 22 anos, tornou-se produtora associada do filme A LUZ VEM DO ALTO, por si protagonizado (filme que tinha outras mulheres na equipa como Maria Teresa Ramos, assistente de realização, e Ana Maria Marchent, assistente de montagem). Realizado por Henrique Campos, este é um filme que apesar da sua trama melodramática (um retorcido triângulo amoroso em terras do Alto Vouga), revela uma forte experimentação formal pontuada por “certos planos insólitos” (como referiu Luís de Pina). Será por aí, pelas suas várias marcas de modernidade, que importa agora revisitá-lo.
13/05/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Pioneiras do Cinema Português
Margot Dias, Etnóloga – I
com a presença de Catarina Alves Costa
MARGOT
de Catarina Alves Costa
com Margot Dias
Portugal, 2022 – 72 min | M/12
Entre 1958 e 1961, Margot Dias integrou quatro Missões Etnográficas ao Norte de Moçambique. Filmou e gravou muitas horas, registos visuais e sonoros únicos da cultura Maconde. Quando, em meados dos anos 1990, Catarina Alves Costa trabalhava no Museu Nacional de Etnologia, conheceu e privou com Margot Dias. Das longas conversas resultou o fundamental Guia para os Filmes realizados por Margot Dias em Moçambique que serviu de base à edição de DVD dos seus filmes etnográficos (feita pela Cinemateca e pelo Museu de Etnologia em 2016). A partir dessa revisitação, e das horas de entrevistas que havia filmado em 1997 (com Joaquim Pais de Brito), surgiu MARGOT, retrato da mulher por detrás dos registos. Da sua infância na Alemanha dos anos 20 ao encontro (e casamento) com o etnólogo Jorge Dias, passando pelo seu trabalho enquanto pianista e etnomusicóloga, este é, também, um filme onde Catarina Alves Costa viajou a Maputo com o intuito de devolver aqueles filmes às comunidades de descendência Maconde. Filme programado em diálogo com o colóquio “Histórias da Antropologia e Restituições” (13 a 15 de maio na FCSH e no Museu Nacional de
Etnologia). Primeira apresentação na Cinemateca.
15/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Pioneiras do Cinema Português
Maria Emília Castello Branco, Promotora
VOICE OF THE VINTAGE
de Mary Field
Reino Unido, 1938 – 18 min
CONSERVAS DE ATUM (inacabado)
Portugal, 1929 – 5 min / sem som
ROTEIROS LÍRICOS DO DOURO
A REGIÃO DO DOURO E DO VINHO DO PORTO
[TESTES COM TERESA MAGALHÃES]
de Maria Emília Castello Branco
Portugal, 1956-58 – 15, 12, 1 min
Duração total da projeção: 51 min | M/12
Maria Emília Castello Branco, grande atriz do cinema mudo português (O DESTINO, A SEREIA DE PEDRA, OS OLHOS DA ALMA, O TÁXI N.º 9297), foi igualmente produtora e realizadora. O seu pai era sócio da casa Mello Castelo Branco Limitada, empresa que na década de 30 produziu vários filmes turísticos, mas também longas de ficção como A DANÇA DOS PAROXISMOS. Maria Emília assumiu diferentes funções nessa empresa (que além de cinema produzia também enlatados), nomeadamente em A CASTELÃ DAS BERLENGAS. No final dos anos 1940 inicia esforços para a realização de um ousado projeto de ficção, “A Tragédia das Terras do Douro”. No outono de 1948 inicia a rodagem, mesmo sem apoios. Ao longo de duas décadas multiplicam-se as cartas ao Secretariado Nacional de Informação a pedir apoios (que são sempre recusados). Após várias recusas, a realizadora converte o material já filmado em dois documentários sobre a região do Douro e o Vinho do Porto – em 2024 foi depositado um “rolinho” de película com 21 metros do que parecem ser testes com atores para o referido filme. A sessão é complementada por um documentário inglês da cineasta Mary Field sobre a mesma região (antecipando o ciclo de junho dedicado ao trabalho das realizadoras inglesas). As cópias dos filmes de Maria Emília Castello Branco, em primeira apresentação na Cinemateca, resultam de uma nova preservação, concluída em 2026.
16/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Pioneiras do Cinema Português
Margot Dias, Etnóloga – II
de Margot Dias
Portugal, Moçambique, 1958 - 78 min
M/12
Sessão acompanhada pela leitura dos
Diários de Campo de Jorge Dias e Margot Dias,
por João Leal e Catarina Alves Costa
MACONDE A FAZER UM PENTE E VISITA DO HUMU PUTUKU E DO NAÑGOLO ANTUPA
MPAMBANDA, O CURANDEIRO, A CONTAR UMA HISTÓRIA
[DANÇAS DE INVESTIDURA DE UM NOVO HUMU EM MULUMBA]
DANÇA DO MAPIKO
RITOS DE PUBERDADE MASCULINA “LIKUMBI KUINDJILA” EM KUMAÑGOMA
[ENTERROS MACONDES]
MÚSICOS MACONDES
OLARIA MACONDE
O ESCULTOR MACONDE NANGONGA
filmes de Margot Dias
Portugal, Moçambique, 1958 – 78 min | M/12
Margot Dias (1908-2001) foi pianista, antropóloga e etnomusicóloga e, entre 1959 e 1961 realizou vinte e oito filmes em Moçambique e Angola, pertencentes ao Arquivo Fílmico do Museu Nacional de Etnologia. Produzidas no contexto das “Missões de Estudos das Minorias Étnicas do Ultramar Português”, dirigidas por Jorge Dias, estas imagens constituem uma das primeiras utilizações do filme etnográfico no âmbito da antropologia portuguesa. Nesta sessão especial, os professores e antropólogos Catarina Alves Costa e João Leal acompanharão os registos visuais Margot Dias com a leitura de passagens dos Diários de Campo do casal Dias aquando das referidas Missões. Essa sessão antecipa a publicação anotada e contextualizada (por João Leal) destes diários até agora inéditos. Sessão programada em diálogo com o colóquio “Histórias da Antropologia e Restituições” (13 a 15 de maio na FCSH e no Museu Nacional de Etnologia).