CICLO
A Casa


Terceira parte do ciclo “A Casa”, ao mesmo tempo uma revisão, uma expansão, e a abertura de caminhos que não serão seguidos, e a partir daí uma espécie de convite ao caos: eis um conjunto de pistas, eventualmente até contraditórias, para o vastíssimo território coberto por este universo temático. Objetivamente, convocamos mais o documentário do que nas partes anteriores, com vários exemplos do que pode ser filmar, documentalmente, casas concretas e ideias de casa. Também objetivamente, vamos atrás de filmes contemporâneos, produções muito recentes de autores na maioria ainda em atividade – uma forma de confirmar que “a casa” continua a funcionar e a ser adotada como estratégia dramatúrgica, mas igualmente como repositório de propriedades simbólicas que nos mostram não tanto o que temos hoje a dizer sobre as casas mas sobretudo o que é que as casas nos dizem, neste tempo e sobre este nosso tempo em que a dimensão política da casa – ter uma casa, não ter uma casa – talvez seja mais evidente do que alguma vez foi. E, terceira linha objetiva, vamos mais no encalço do cinema português: Rita Azevedo Gomes, Pedro Costa, João Pedro Rodrigues, João Mário Grilo (sem esquecer a curta sueca de Solveig Nordlund).
Mas acima de tudo, esta terceira parte pretende-se menos um “fecho” do que uma “coda”, um sinal de que poderíamos continuar, ad aeternum, às voltas com as casas do cinema, porque, também no cinema, there’s no place like home.
 
 
28/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo A Casa

Remember my name
Recorda o meu Nome
de Alan Rudolph
Estados Unidos, 1978 - 94 min
 
28/05/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

Ossos
de Pedro Costa
Portugal, 1997 - 94 min
29/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo A Casa

Dvoryanskoe Gnezdo
“Um Ninho de Nobreza”
de Andrei Konchalovsky
URSS, 1969 - 111 min
29/05/2026, 21h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

Hemmet | Scener Ur Ett Aktenskap
30/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

O Trio em Mi Bemol
de Rita Azevedo Gomes
Portugal, 2022 - 127 min
28/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
A Casa
Remember my name
Recorda o meu Nome
de Alan Rudolph
com Geraldine Chaplin, Anthony Perkins, Berry Berenson, Jeff Goldblum
Estados Unidos, 1978 - 94 min
legendado em sueco e eletronicamente em português | M/12
Antigo assistente de Robert Altman (em LONG GOODBYE ou NASHVILLE), que lhe produziu o filme, Alan Rudolph teve em REMEMBER MY NAME um primeiro ponto alto de atenção, abrindo caminho para aqueles filmes da década de 80 (CHOOSE ME, TROUBLE IN MIND) que fizeram dele um dos mais singulares cineastas desse período. Com um humor sibilino, próximo de Altman (aquela câmara sempre atenta ao espaço em volta) mas também de alguns “modernos” europeus (pensa-se em Rivette, pelo gosto da divagação, e pelo recorte da protagonista), conta a história de uma ex-presidiária (Geraldine Chaplin) que vem “reclamar” o antigo marido, entretanto casado com outra mulher. A casa desse casal (Anthony Perkins e Berry Berenson), espionada, assediada, invadida por Geraldine, torna-se o centro do filme. Primeira exibição na Cinemateca, a apresentar em cópia 35mm.

consulte a FOLHA da CINEMATECA aqui
 
28/05/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
Ossos
de Pedro Costa
com Nuno Vaz, Maria Lipkina, Isabel Ruth
Portugal, 1997 - 94 min
M/12
A terceira longa-metragem de Pedro Costa centra-se em personagens que habitam o então existente Bairro das Fontaínhas nos arredores de Lisboa. “Muito mais do que uma estocada na má consciência burguesa, OSSOS é um filme que a transforma numa parada de ‘zombies’, de ‘mortos em licença’ e o bairro é, aqui, todo o mundo” (Luís Miguel Oliveira).
 
29/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
A Casa
Dvoryanskoe Gnezdo
“Um Ninho de Nobreza”
de Andrei Konchalovsky
com Irina Kupchenko, Leonid Kulagin, Beata Tyszkiewicz
URSS, 1969 - 111 min
legendado em finlandês e eletronicamente em português | M/12
A terceira longa-metragem de Andrei Konchalovsky, adaptando uma história de Turguenev, sobre o regresso de um aristocrata à sua propriedade, depois de uma estadia de 11 anos em Paris. Mais do que a descrição dos costumes e mentalidades da aristocracia russa do século XIX, o que conta em DVORYANSKOE GNEZDO é articulação disso com o espaço, muito material, da casa que serve de cenário: um sítio invadido pela natureza, muito musgo e muita humidade, como se aí se pudessem encontrar propriedades metafóricas da própria condição aristocrática. Primeira exibição na Cinemateca.
 
29/05/2026, 21h00 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
Hemmet | Scener Ur Ett Aktenskap
HEMMET
“Casa”
de Solveig Nordlund
Suécia, 1982 – 7 min

SCENER UR ETT AKTENSKAP
Cenas da Vida Conjugal
de Ingmar Bergman
com Liv Ullmann, Erland Josephson, Bibi Andersson
Suécia, 1973 – 172 min / legendado em português

Duração total da projeção: 179 min | M/12

Montagem para a distribuição cinematográfica de uma série de televisão em seis episódios, que descreve, com muitos reflexos autobiográficos, os conflitos, separações e reencontros de um casal. O casamento apresenta-se, à partida, sólido, em contraste com o de um casal amigo, que se desagrega. Mas de súbito, aparece uma falha e o conflito desenvolve-se velozmente. Uma constatação clínica até à crueldade do fracasso das relações. A apresentar em cópia digital. A abrir a sessão, uma curta-metragem de Solveig Nordlund centrada na aldeia sueca da sua infância.
 
30/05/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
O Trio em Mi Bemol
de Rita Azevedo Gomes
com Rita Durão, Pierre Léon, Ado Arrieta, Olivia Cábez
Portugal, 2022 - 127 min
M/12
Rita Azevedo Gomes filma uma peça teatral de Eric Rohmer (a única que ele escreveu) sobre os sucessivos encontros de um homem e de uma mulher que foram um casal e entretanto se divorciaram. Fica-se próximo da comédia (do “recasamento”) mas o tom está sempre a oscilar entre a leveza e a gravidade, que também são a leveza e a gravidade do magnífico par protagonista, Rita Durão e Pierre Léon. É, de resto, muito musical (um grande momento de “Mozart no cinema”), mas também muito “espacial”, porque é como um levantamento do seu cenário único, uma casa minhota desenhada por Álvaro Siza. Primeira apresentação na Cinemateca.