07/01/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Uma Cinemateca em Chamas: histórias de projeção e projecionistas | Carta Branca aos Projecionistas da Cinemateca
The Projectionist
de Harry Hurwitz
com Chuck McCann, Ina Balin, Rodney Dangerfi eld
Estados Unidos, 1970 - 88 min
legendado eletronicamente em português | M/12
ESCOLHA DE SAMUEL ANDRADE
Numa sala de cinema de Manhattan um projecionista aborrece-se e sonha que é um super-herói, o Capitão Flash. Levado pela imaginação deixa partir a película para grande indignação dos espectadores. Um choque entre a fantasia o real. A propósito, o projecionista Samuel Andrade recorda que “da cabine, não se projeta apenas película e digital cinema packages. Aquele feixe de luz que ilumina a tela transporta sonhos cinéfilos, fantasias das vidas que nunca viveremos, experiências memoráveis, iconografias de estimação e conhecimento do mundo que nos rodeia. Em THE PROJECTIONIST – aparente mistura de ficção-científica com docuficção, mas autêntico filme de culto em forma e conteúdo –, centrando-se numa profissão quase extinta (exceto na cabine da Cinemateca Portuguesa), Harry Hurwitz revela o cinema enquanto arte de evasão, reflexão e espanto.” Primeira apresentação na Cinemateca, a exibir em cópia 35 mm recentemente preservada pelo MoMA.

A sessão repete no dia 12 às 21h30, na sala M. Félix Ribeiro.

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07/01/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar
CAT’S CRADLE | THE WONDER RING | FUSES | DANCE IN THE SUN | I WAS/I AM | LOS PASCOLEROS – TARAHUMARAS 85
duração total da projeção: 91 minutos
legendados eletronicamente em português | M/18
CAT’S CRADLE
de Stan Brakhage
Estados Unidos, 1959 – 6 min / mudo
THE WONDER RING
de Stan Brakhage
Estados Unidos, 1955 – 6 min / mudo
FUSES
de Carolee Schneemann
Estados Unidos, 1964-1967 – 21 min
DANCE IN THE SUN
de Shirley Clarke
Estados Unidos, 1952 – 7 min
I WAS/I AM
de Barbara Hammer
Estados Unidos, 1973 – 6 min 
LOS PASCOLEROS – TARAHUMARAS 85
de Raymonde Carasco, Régis Hébraud
França - México, 1996 - 27 min

duração total da projeção: 91 minutos
legendados eletronicamente em português | M/12

THE WONDER RING e CAT’S CRADLE são dois trabalhos do início de carreira de Brakhage em que os habituais métodos de filmagem e o apurado trabalho de montagem são combinados com uma exploração de momentos decisivos da sua biografia íntima, razão pela qual a primeira fase da sua obra é associada a um género mais “psicodramático” ou dos “trance films”. Brakhage descreve CAT’S CRADLE como “sexual witchcraft involving two couples and a ‘medium’ cat”. A cores, THE WONDER RING resulta de uma encomenda de Joseph Cornell e anuncia um lirismo que dominará trabalhos posteriores. FUSES revela-nos a intimidade de Carolee Schneemann e James Tenney, casal amigo de Deren que também comparece em CAT’S CRADLE, numa coreografia de corpos atravessada pelo erotismo que se apresenta como uma resposta a Brakhage, nomeadamente aos seus três filmes com o casal. A DANCE IN THE SUN é o primeiro filme de Shirley Clarke e desloca o seu trabalho da dança para o cinema, registando Daniel Nagrin num trabalho coreográfico ao ar livre em Jones Beach, Long Island. Diretamente influenciado pela obra de Deren, I WAS/I AM, de Barbara Hammer, é uma homenagem a MESHES OF THE AFTERNOON. O filme de Raymonde Carasco e Régis Hebraud parte do fresco Taharumaras e filma a preparação das encenações da Paixão no México, alternando as sequências noturnas, a preto e branco, com as sequências a cores das pinturas corporais e das danças diurnas, acompanhadas pela leitura de um texto de Antonin Artaud, relacionando-se diretamente com as experiências de DIVINE HORSEMAN (é Carasco que diz o texto da versão francesa). DANCE IN THE SUN e LOS PASCOLEROS são apresentados em cópias digitais, os restantes em 16mm. 

A sessão repete no dia 8 às 21h30, na sala M. Félix Ribeiro.

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07/01/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
O Trilho do Gato - William A. Wellman
Beggars of Life
Mendigos da Vida
de William A. Wellman
com Wallace Beery, Louise Brooks, Richard Arlen, Edgar Blue Washington
Estados Unidos, 1928 - 82 min
mudo, com intertítulos em inglês legendados eletronicamente em português | M/14
Num dos papéis da sua vida, com aventura, violência e lirismo, Louise Brooks é uma rapariga órfã abusada pelo padrasto, que mata em legítima defesa quando ele tenta violá-la, num ato testemunhado por um vagabundo (Richard Arlen), com quem foge num comboio de mercadorias disfarçada de rapaz. Não escapa à brutalidade sexual masculina quando pernoitam num acampamento dominado pela luta pelo poder de dois vagabundos, embora a liberdade e o amor acabem por triunfar. Foi o filme em que Wellman, aqui realizador-produtor, experimentou o “microfone com perche”, para rodar as cenas faladas (como Dorothy Arzner em WILD PARTY), e outros achados, em que se destaca o dramático início. David O. Selznick, que visitou a rodagem, testemunhou que foi o filme do primeiro plano-sequência e da primeira cena dialogada gravada em direto da Paramount. Boa parte da filmagem realizou-se perto da fronteira do México, com não-atores em papéis secundários. Terá sido o motivo do fascínio que Brooks exerceu nos surrealistas, três anos depois de se ter iniciado na Paramount e no mesmo ano do também fulgurante A GIRL IN EVERY PORT de Hawks. Presentemente existe apenas a versão muda deste filme de que também existiu versão parcialmente falada com uma banda musical e efeitos sonoros síncronos. A apresentar em digital (a partir de 35mm). 

BEGGARS OF LIFE vai ser mostrado mudo, numa alteração forçada que substitui, na sessão, THUNDER BIRDS, filme programado para esta sessão mas cuja cópia chegou com características que invalidam a sua apresentação.

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07/01/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Uma Cinemateca em Chamas - Histórias de Projeção e Projecionistas
Cinema | Objectos de Luz
Sessão com a presença de Acácio de Almeida, Marie Carré, Rodrigo Areias e Isabel Ruth
CINEMA
de Rodrigo Areias
com Acácio de Almeida
Portugal, 2014 – 10 min
 
OBJECTOS DE LUZ
de Marie Carré, Acácio de Almeida
com Isabel Ruth, Luis Miguel Cintra
Portugal, 2022 – 67 min

duração total da projeção: 77 minutos | M/12

O casal Acácio de Almeida, diretor de fotografia maior do cinema português, e Marie Carré, atriz francesa, fizeram de OBJECTOS DE LUZ uma ode à matéria-prima do cinema: a luz. E sendo-o, é também uma ode à vida, à memória e aos mais de 150 filmes cuja fotografia Acácio de Almeida assinou: filmes de João César Monteiro, Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, António Reis e Margarida Cordeiro, Alain Tanner (DANS LA VILLE BLANCHE, que se exibe neste Ciclo no dia 27), Margarida Gil, Rita Azevedo Gomes e Teresa Villaverde, entre muitos outros. A sessão arranca com a curta-metragem CINEMA na qual Rodrigo Areias (o futuro produtor de OBJECTOS DE LUZ) desafiou Acácio de Almeida a interpretar o papel de um projecionista que assombra um cinema abandonado (o Cine Teatro Jordão, em Guimarães). Primeiras apresentações na Cinemateca.

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