OUT ONE foi a aventura mais radical de todo o percurso de Jacques Rivette. Foi feito em duas versões, uma, dividida em episódios, num total de cerca de doze horas, intitulada OUT ONE/NOLI ME TANGERE, que depois de uma única projeção pública, só foi apresentada mais de quinze anos depois; e esta versão “curta”, que é o
espectro da versão longa. Jamais Rivette levou tão longe o seu princípio de desenrolar uma narrativa a partir de nada: os complicados meandros percorridos pelos personagens são um pretexto para a existência do objeto cinematográfico, não há elos de causalidade. Por outro lado, nunca os dois temas centrais do seu cinema, o teatro e o
complot, estiveram tão intimamente ligados. Há, por um lado, uma companhia de teatro experimental e a dona de uma loja chamada A Esquina do Acaso (Bulle Ogier), por outro lado dois indivíduos exteriores a este grupo que lançam efabulações, que os outros perseguem como se fossem elementos reais. Rivette revelou numa entrevista que “gostaria que o filme funcionasse como um sonho mau, sobrecarregado de incidências e lapsos, um daqueles sonhos que parecem tanto mais «intermináveis» que temos noção durante o seu desenrolar que se trata de um sonho e do qual pensamos sair para nele voltar a cair”.
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