CICLO
25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas


Se a Parte I do Ciclo “25 de Abril, Sempre”, designada “O Movimento das Coisas”, se centrou essencialmente no cinema documental realizado durante o período revolucionário, esta segunda parte invoca a “Distância das Coisas” num duplo sentido: o distanciamento imposto por toda a ficção, ao trabalhar sobre questões ou imagens associadas à revolução; mas também a distância temporal convocada por todos aqueles filmes realizados muitos anos depois, que implicam uma memória mais longínqua da revolução e regressam aos acontecimentos de 1974-76 recorrendo a arquivos, entrevistas e testemunhos, ou reencenando episódios passados. É assim sobre um intervalo temporal mais dilatado que se constrói este núcleo do Programa, que se divide entre os “Primeiros Ecos na Ficção” e um trabalho posterior sobre a “Memória de Abril”.
Não se trata de um capítulo construído em torno da resistência à ditadura ou da guerra colonial (que estão no centro de tantos filmes e que exigem outros Ciclos), mas do retrato e da reflexão sobre as transformações ocorridas no período pós-revolucionário e sobre o Portugal que imediatamente lhe sucedeu. Curiosamente, grande parte das primeiras ficções aqui reunidas são já fruto da ressaca, revelando um país triste e conformado após a euforia inicial. Mas as dúvidas, as vitórias e as deceções são abordadas por cineastas que não só trabalham em cima do momento, como voltam mais tarde à revolução, reinterrogando-a. Regressar “sempre” ao 25 de abril é também anular a “distância das coisas” convocada para o título. É o que fazem todos estes filmes e que está bem presente na prática dos realizadores mais novos que, participando da “filmografia de abril”, simultaneamente representam, mas também atualizam e tornam mais presente a revolução.
 

 
30/05/2014, 21h30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Ciclo 25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas

25 de Abril, Uma Aventura para a Demokracya | Saturado | A Caça Revoluções
duração total da sessão: 48 minutos
 
30/05/2014, 21h30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas
25 de Abril, Uma Aventura para a Demokracya | Saturado | A Caça Revoluções
duração total da sessão: 48 minutos
M/12
Trabalhar a Memória de Abril

com a presença de Edgar Pêra e Tiago Afonso

25 DE ABRIL, UMA AVENTURA PARA A DEMOKRACYA
de Edgar Pêra
Portugal, 2000 – 17 min 
SATURADO
de Tiago Afonso
Portugal, 2009 – 20 min 
A CAÇA REVOLUÇÕES
de Margarida Rêgo
Portugal, 2013 – 11 min

Três filmes que se apropriam e trabalham arquivos vários do 25 de abril, no sentido da sua reinterpretação à luz do presente. 25 DE ABRIL, UMA AVENTURA PARA A DEMOKRACYA é um documentário experimental no inconfundível estilo de Edgar Pêra, um filme sobre o fim do fascismo e a revolução, visto a partir das ruas e dos rostos das pessoas. Mais do que mostrar o golpe militar, revela a adesão popular ao movimento. Imagens e sons do passado misturam-se com imagens e sons do presente (manifestações de apoio à independência de Timor). Uma produção do Centro de Documentação 25 de Abril. SATURADO é um tríptico que explora a saturação da cor e é simultaneamente um projeto saturado de referências dispersas ao 25 de Abril, como sejam a proliferação dos sistemas de vigilância, ou as palavras de Camilo Mortágua, quando desabafa que “os portugueses pensaram que a revolução estava feita, logo voltaram para casa”. Uma reflexão sobre a necessidade de transformação, que atravessa vários dos filmes de Tiago Afonso e que aqui passa por estas imagens. A CAÇA REVOLUÇÕES é o mais recente título da “filmografia de abril” presente neste programa. Tendo tido a sua primeira apresentação pública no IndieLisboa’14, esta curta-metragem de Margarida Rêgo interroga a revolução de abril, que não foi vivida pela realizadora, mas que é convocada a partir de uma fotografia da época.