CICLO
25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas


Se a Parte I do Ciclo “25 de Abril, Sempre”, designada “O Movimento das Coisas”, se centrou essencialmente no cinema documental realizado durante o período revolucionário, esta segunda parte invoca a “Distância das Coisas” num duplo sentido: o distanciamento imposto por toda a ficção, ao trabalhar sobre questões ou imagens associadas à revolução; mas também a distância temporal convocada por todos aqueles filmes realizados muitos anos depois, que implicam uma memória mais longínqua da revolução e regressam aos acontecimentos de 1974-76 recorrendo a arquivos, entrevistas e testemunhos, ou reencenando episódios passados. É assim sobre um intervalo temporal mais dilatado que se constrói este núcleo do Programa, que se divide entre os “Primeiros Ecos na Ficção” e um trabalho posterior sobre a “Memória de Abril”.
Não se trata de um capítulo construído em torno da resistência à ditadura ou da guerra colonial (que estão no centro de tantos filmes e que exigem outros Ciclos), mas do retrato e da reflexão sobre as transformações ocorridas no período pós-revolucionário e sobre o Portugal que imediatamente lhe sucedeu. Curiosamente, grande parte das primeiras ficções aqui reunidas são já fruto da ressaca, revelando um país triste e conformado após a euforia inicial. Mas as dúvidas, as vitórias e as deceções são abordadas por cineastas que não só trabalham em cima do momento, como voltam mais tarde à revolução, reinterrogando-a. Regressar “sempre” ao 25 de abril é também anular a “distância das coisas” convocada para o título. É o que fazem todos estes filmes e que está bem presente na prática dos realizadores mais novos que, participando da “filmografia de abril”, simultaneamente representam, mas também atualizam e tornam mais presente a revolução.
 

28/05/2014, 19h00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Ciclo 25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas

Paraíso Perdido
de Alberto Seixas Santos
Portugal, 1992 - 90 min
 
28/05/2014, 21h30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Ciclo 25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas

Antes de Amanhã | Águas Mil
duração total da sessão: 101 minutos
 
29/05/2014, 19h00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Ciclo 25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas

A Noite saiu à Rua | O Cravo da Liberdade | O Bobo
duração total da sessão: 129 minutos
29/05/2014, 21h30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Ciclo 25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas

Juventude em Marcha
de Pedro Costa
Portugal, França, Suíça, 2006 - 155 min
30/05/2014, 19h00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Ciclo 25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas

Cinema – Alguns Cortes: Censura II
de Manuel Mozos
Portugal, 2014 - 39 min
28/05/2014, 19h00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas
Paraíso Perdido
de Alberto Seixas Santos
com Rui Mendes, Maria de Medeiros, Manuela de Freitas, Carlos Daniel
Portugal, 1992 - 90 min
M/12
Primeiros Ecos na Ficção

Dez anos depois de GESTOS & FRAGMENTOS, Seixas Santos voltou a filmar construindo uma ficção sobre personagens desencontradas com a História recente de Portugal como pano de fundo reflexivo. Um professor universitário de meia-idade e uma rapariga com menos trinta anos do que ele partilham uma ligação feita de trocas de confissões e de memórias. A descoberta da loucura como traço comum ao passado de ambos será decisiva para a solidão de cada um deles.

28/05/2014, 21h30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas
Antes de Amanhã | Águas Mil
duração total da sessão: 101 minutos
M/12
Trabalhar a Memória de Abril

com a presença de Gonçalo Galvão Teles

ANTES DE AMANHÃ
de Gonçalo Galvão Teles
com Filipe Duarte, Beatriz Batarda, Adriano Luz, Albano Jerónimo e Joaquim Leitão
Portugal, 2007 – 16 min
ÁGUAS MIL
de Ivo M. Ferreira
com Gonçalo Waddington, Adelaide João, Cândido Ferreira, Hugo Tourita, Joana Seixas, Lídia Franco
Portugal, 2009 – 85 min

Duas ficções muito recentes, de autores de uma nova geração que regressam ao período revolucionário. Gonçalo Galvão Teles realizou ANTES DE AMANHÃ, curta-metragem que acompanha um momento crucial da vida de Mário, fotógrafo que se sente ameaçado e perseguido pela polícia política do antigo regime na madrugada do dia 25 de abril. A banda sonora é da autoria de Bernardo Sassetti. Segunda longa-metragem de ficção de Ivo M. Ferreira, ÁGUAS MIL revisita as memórias portuguesas do período pós-revolucionário centrando-se na personagem de um jovem encenador em crise pessoal, cujo pai desapareceu logo após o 25 de abril de 1974, e num momento em que se sente bloqueado com a peça de teatro político em que está a trabalhar. O filme segue em viagem com a sua personagem em direção à descoberta dos segredos do seu passado familiar que refletem a História portuguesa recente.
 

29/05/2014, 19h00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas
A Noite saiu à Rua | O Cravo da Liberdade | O Bobo
duração total da sessão: 129 minutos
M/12
Trabalhar a Memória de Abril / Primeiros Ecos na Ficção

A NOITE SAIU À RUA
Portugal, 1987 – 4 min
O CRAVO DA LIBERDADE
Portugal, 1996 – 5 min
de Abi Feijó
O BOBO
de José Álvaro Morais
com Fernando Heitor, Paula Guedes, Isabel Ruth, João Guedes
Portugal, 1982 – 120 min

Baseando-se em desenhos originais de João Abel Manta extraídos do livro Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar, A NOITE SAIU À RUA é um belíssimo filme de Abi Feijó, que significa uma revolução no campo da própria animação portuguesa: “As noites são dias escondidos do outro lado dos nossos desejos. Mas algumas permanecem como sombras flutuantes a deformar as imagens indefesas do quotidiano. Rostos feridos de ausência, figuras hirtas de silêncio, terras salpicadas de sangue... E vamos morrendo adormecidos, indiferentes, até que as manhãs aconteçam.” O CRAVO DA LIBERDADE é um filme de animação evocativo do 25 de abril, realizado pelos alunos da Escola EB 2.3 de Caldas das Taipas. O projeto inicial do filme de José Álvaro Morais, uma adaptação de O Bobo de Alexandre Herculano, tornou-se, com o tempo, uma reflexão sobre a obra literária e a sua representação contemporânea. O filme é fascinante porque reflete, na sua construção, a passagem do tempo (acossado por inúmeras dificuldades de produção, o processo de feitura do filme foi longuíssimo) e as transformações da sociedade portuguesa nos anos a seguir ao 25 de abril de 1974. Um filme fundamental na cinematografia portuguesa dos últimos 40 anos.
 

29/05/2014, 21h30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas
Juventude em Marcha
de Pedro Costa
com Alberto Barros "Lento", Antonio Semedo "Nhurro", Ventura, Vanda Duarte
Portugal, França, Suíça, 2006 - 155 min
legendado em português | M/12
Trabalhar a Memória de Abril

Pedro Costa voltou à comunidade do Bairro das Fontaínhas, depois de OSSOS e NO QUARTO DA VANDA: "Em JUVENTUDE EM MARCHA, o bairro está já destruído e segue um dos seus residentes, Ventura. É um filme sobre um homem que carrega um passado, um homem com fantasmas. O filme também lida com a relação filial (…). É uma história de fidelidade ao nascimento de um bairro, e Ventura contribui muito para esta história de fidelidade". Mas Ventura arrasta consigo a memória dos dias da revolução, um aspecto muito presente em SWEET EXORCIST, curta-metragem que integra CENTRO HISTÓRICO, que infelizmente não pode ser programado agora. Fica assim a referência.

30/05/2014, 19h00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
25 de Abril, Sempre - Parte II. A Distância das Coisas
Cinema – Alguns Cortes: Censura II
de Manuel Mozos
Portugal, 2014 - 39 min
M/6
Sessão especial

sessão apresentada por Manuel Mozos e Margarida Sousa

A partir de várias horas de cortes realizados pela Comissão de Censura entre 1948 e 1971 conservados pela Cinemateca, Manuel Mozos assina um segundo filme de montagem através do qual se dá a ver a violência da censura enquanto negação da possibilidade de olhar estas imagens. Se o primeiro dos filmes, CINEMA – ALGUNS CORTES: CENSURA, foi realizado em 1999 por ocasião do 25º aniversário do 25 de abril e tem um carácter mais genérico, o segundo "capítulo" concentra-se em cortes realizados por motivos políticos. Primeira exibição na Cinemateca.