26/11/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
SPLENDOR IN THE GRASS
Esplendor na Relva
de Elia Kazan
com Warren Beatty, Natalie Wood, Barbara Loden, Pat Hingle, Audrey Christie, Fred Stewart
Estados Unidos, 1961 - 124 min
legendado em castelhano e eletronicamente em português | M/12
A adaptação da peça de William Inge que gira à volta dos recalcamentos sexuais (como acontecia em Picnic, peça do mesmo autor, também adaptada ao cinema). Neste caso, as personagens são dois adolescentes à descoberta do amor no fim da década de vinte do século XX. Elia Kazan constrói um dos mais dilacerantes e belos poemas de amor no cinema, dando a Warren Beatty e a Natalie Wood os papéis das suas vidas. A sequência em que se invoca o poema que dá o título ao filme é um dos momentos mais perfeitos da História do cinema. “O efeito misterioso do cinema caiu em mim como nunca antes. Um argumento aparentemente simples, um filme onde tudo vem muito mais da visão de Kazan, que lhe dá outra dimensão, do que da história dos dois jovens do Kansas.” (Rita Azevedo Gomes, 2023) No programa, faz par com ALTAR.
27/11/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
LA VIE DE BOHÈME
de Aki Kaurismäki
com Matti Pellonpää, Évelyne Didi, André Wilms
Finlândia, 1992 - 103 min
legendado em inglês e eletronicamente em português | M/12
Motivos clássicos não faltam no cinema de Aki Kaurismäki, normalmente revistos à luz de um qualquer twist mais ou menos irónico. Assim acontece em LA VIE DE BOHÈME, que retoma o texto de Henri Murger que servira, entre outros, para uma célebre ópera de Puccini, contando uma história contemporânea, em Paris, que junta artistas na miséria e imigrantes sem documentos. Uma belíssima demonstração do idealismo kaurismäkiano, sempre encontrado entre a dureza da realidade e a fantasia romântica que se lhe vem sobrepor – como, duas décadas mais tarde, aconteceria em LE HAVRE, filme que retomou, noutro contexto, algumas personagens de LA VIE DE BOHÈME. De notar, ainda, participações especiais, em pequenos papéis, de gente como Samuel Fuller. “À semelhança de ervas flutuantes os personagens de Kaurismäki são um artifício inventado. Mas as pessoas que lhes dão forma são a mais real das realidades.” (Rita Azevedo Gomes, 2023)
30/11/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
VERTIGO
A Mulher Que Viveu Duas Vezes
de Alfred Hitchcock
com James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, Tom Helmore
Estados Unidos, 1958 - 128 min
legendado em português | M/16
Duas mulheres que são uma só e um homem que numa procura recriar a imagem que tem da “outra”. Diz-se que Hitchcock só filmou histórias de amor. Se dúvidas houvesse, VERTIGO dissipava-as. É só a paixão (que chega à necrofilia) que motiva o protagonista desta obra-prima. O crime, a intriga policial não são mais do que o clássico macguffin, de tal modo que o espectador se esquece que o crime fica sem castigo. O saber de Hitchcock iludiu todas as censuras. Algumas das mais extasiantes cenas de VERTIGO passam-se dentro de um museu, com Kim Novak inebriada diante do quadro que a obceca fazendo de James Stewart um espectador inebriantemente obcecado por ela. A mais “fantasmática” é a do quarto de hotel em que, sob uma luz transfiguradora, Novak toma definitivamente a forma da mulher desejada por Stewart e aos olhos dele.
30/11/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azavedo Gomes | Realizadora Convidada
OKRAINA
“Subúrbios”
de Boris Barnet
com Aleksandr Chisyakov, Sergei Komarov, Elena Kuzmina
URSS, 1933 - 98 min
legendado em francês e eletronicamente em português | M/12
Primeiro filme sonoro de Boris Barnet, situado em 1914, numa obscura e não identificada cidade russa. A ação consiste numa série de episódios, que vão do cómico ao soturno. Barnet utiliza em seu proveito, de modo magistral, o então incipiente sistema de som, e funde diversos estilos praticados na União Soviética, da vanguarda muda (Kulechov e Kozintsev, por exemplo) à comédia, numa síntese magistral e pessoal que parece anunciar o tom dos primeiros filmes de Godard. Barnet considerava OKRAINA um dos seus filmes predilectos, a par de “A RAPARIGA DA CAIXA DE CHAPÉUS” (1927) e ANNUSHKA (1959). Uma obra-prima, um título fundamental dos anos 1930. A apresentar em cópia digital.