CICLO
Rebeldes Sem Causas


A ideia por trás deste ciclo, a que chamámos Rebeldes Sem Causas, é mostrar através de 25 filmes americanos, o retrato da juventude americana nas gerações que cresceram entre os meados da década de 1950 e meados da década de 1970.
Partindo do pressuposto (porventura demasiado simplista e indemonstrável) de que a partir do final dos anos 70, todos os rebeldes e revoltados passam (novamente) a ter as suas causas, sejam elas quais forem. Ou seja, só nessas cerca de duas décadas, a rebeldia (ou, se se preferir, rebelião), característica intrinsecamente ligada à juventude, se manifesta porque sim, sem motivo aparente. Se este ciclo tivesse um subtítulo poderia muito bem ser: “Como tudo começou com REBEL WITHOUT A CAUSE (James Dean) e acabou em SATURDAY NIGHT FEVER (John Travolta)".
O boom económico do pós-Segunda Guerra, nos Estados Unidos, permitiu, a uma enorme classe média, o acesso a toda uma gama de novos utensílios e produtos (“toda a gente” tinha carro, casa com frigorífico, televisão, eletrodomésticos, etc, o que - e pela primeira vez na História – permitiu a uma geração viver num relativo desafogo e conforto; o desemprego era residual, as perspetivas de futuro não podiam ser mais risonhas.
Ora, é precisamente esse conforto que vai provocar, paradoxalmente, nos jovens, uma estranha sensação de desconforto. Nuns casos leva à inadaptação a uma sociedade demasiado materialista, noutros à revolta (ou rebeldia) contra essa mesma sociedade. É a primeira vez que os motivos – as causas – da revolta não são sobretudo económicos (há até, nalguns casos, um desprezo lírico pelo dinheiro), mas existenciais.
Mas essa revolta tem, no entanto, vários alvos e pode manifestar-se de diversas formas. Uma mais coletiva, através de gangues (WEST SIDE STORY, THE WARRIORS, THE OUTSIDERS), outra mais individual, (LILITH, SPLENDOR IN THE GRASS, BONJOUR TRISTESSE, INSIDE DAISY CLOVER). Rebeldia face à escola (BLACKBOARD JUNGLE, THE TROUBLE WITH ANGELS) ou à família (REBEL WITHOUT A CAUSE, TAKING OFF, SATURDAY NIGHT FEVER). 
E finalmente, não podia faltar, por um lado, o sexo – mais concretamente a iniciação sexual (SUMMER OF '42, THE GRADUATE) –, a droga e os hippies (THE TRIP, HAIR, SKIDOO, ALICE’S RESTAURANT, EASY RIDER)
O cinema, para personificar essa juventude, tinha forçosamente de descobrir novas caras e novos talentos. E foram muitos e talentosíssimos. Para além dos já citados (James Dean e John Travolta), e para nos ficarmos apenas nos representados neste ciclo, podemos comprovar isso (re)vendo no ecrã “estrelas” como Warren Beatty, Steve McQueen, Dustin Hoffman, Elvis Presley, Sidney Poitier, Richard Dreyfuss, Harrison Ford, Jeff Bridges, Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson, Joe Dallesandro, Cybill Shepherd, Natalie Wood, Jean Seberg.
Finalmente, uma justificação. Optámos por programar um filme produzido antes de 1955 (THE WILD ONE, de 1953) e dois estreados após 1977 (THE WARRIORS de 1979, THE OUTSIDERS, de 1983, HAIR, de 1979) por acharmos que se enquadram perfeitamente no âmbito do ciclo (como SPLENDOR IN THE GRASS, de 1961, mas cuja ação decorre nos anos 20). Em última análise o que mais importa é ver (e mostrar) bom cinema.
22/08/2026, 21h30 | Esplanada
Ciclo Rebeldes Sem Causas

Alice’s Restaurant
de Arthur Penn
Estados Unidos, 1969 - 111 min
24/08/2026, 19h00 | Sala Luís de Pina
Ciclo Rebeldes Sem Causas

Flesh
O Prostituto
de Paul Morrissey
Estados Unidos, 1968 - 105 min
24/08/2026, 21h30 | Esplanada
Ciclo Rebeldes Sem Causas

The Last Picture Show
A Última Sessão
de Peter Bogdanovich
Estados Unidos, 1971 - 118 min
 
25/08/2026, 19h00 | Sala Luís de Pina
Ciclo Rebeldes Sem Causas

Saturday Night Fever
A Febre de Sábado à Noite
de John Badham
Estados Unidos, 1977 - 118 min
 
25/08/2026, 21h30 | Esplanada
Ciclo Rebeldes Sem Causas

Taking Off
Taking Off – os Amores de uma Adolescente
de Milos Forman
Estados Unidos, 1971 - 93 min
22/08/2026, 21h30 | Esplanada
Rebeldes Sem Causas
Alice’s Restaurant
de Arthur Penn
com Arlo Guthrie, Patricia Quinn, James Broderick
Estados Unidos, 1969 - 111 min
legendado eletronicamente em português | M/12
ALICE’S RESTAURANT não é o nome de um restaurante, é apenas o nome de uma canção e, por extensão, deste filme. Arthur Penn dá vida à célebre composição de dezoito minutos de Arlo Guthrie – com o próprio cantor de folk a interpretar uma versão de si mesmo – que relata um episódio verídico da sua juventude. Preso por despejar lixo na via pública, Guthrie veria esse registo criminal tornar-se, mais tarde, o motivo pelo qual a junta militar o considerou inapto, moralmente, para servir na Guerra do Vietname. Inapto para matar por atirar lixo de uma ravina? Afinal tudo o que é preciso para escapar à guerra é cantar “You can get anything you want in Alice’s Restaurant”. A exibir em cópia 35mm.

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24/08/2026, 19h00 | Sala Luís de Pina
Rebeldes Sem Causas
Flesh
O Prostituto
de Paul Morrissey
com Joe Dallesandro, Geraldine Smith, Patti D’Arbanville
Estados Unidos, 1968 - 105 min
legendado eletronicamente em português | M/18
Primeira longa-metragem “a solo” de Paul Morrissey, depois de três obras co-realizadas com Andy Warhol, FLESH foi produzido enquanto Warhol recuperava da tentativa de assassinato cometida por Valerie Solanas, a 3 de junho de 1968. Com uma galeria fascinante de personagens, em que “todos se encontram numa situação difícil relacionada com a sua carne” (Paul Morrissey), FLESH acompanha um dia na vida de Joe (Joe Dallesandro, que com este filme se transformaria numa estrela da noite para o dia e um ícone do cinema queer), um prostituto que vai trabalhar para ajudar a pagar o aborto da namorada da sua mulher. A exibir em cópia 35mm.

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24/08/2026, 21h30 | Esplanada
Rebeldes Sem Causas
The Last Picture Show
A Última Sessão
de Peter Bogdanovich
com Timothy Bottoms, Jeff Bridges, Cybill Shepherd, Cloris Leachman, Ellen Burstyn
Estados Unidos, 1971 - 118 min
legendado em português | M/12
THE LAST PICTURE SHOW forma com TEXASVILLE o díptico cinéfilo e texano de Peter Bogdanovich com Jeff Bridges, Cybill Shepherd e Timothy Bottoms. A ação do primeiro recua a 1951 para seguir a vida de um grupo de adolescentes numa pequena cidade do Texas. Retratam-se a passagem para a idade adulta, as primeiras desilusões e o fim de uma época, representados pelo encerramento da única sala de cinema da localidade e pelo embarque de alguns para a guerra na Coreia. Requiem pelo cinema clássico americano e alegoria dos dramas presentes em 1971, com a Coreia sugerindo o Vietname, num filme melancólico e magnífico. A exibir em cópia 35mm.

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25/08/2026, 19h00 | Sala Luís de Pina
Rebeldes Sem Causas
Saturday Night Fever
A Febre de Sábado à Noite
de John Badham
com John Travolta, Karen Lynn Gorney, Barry Miller, Joseph Cali, Paul Pape
Estados Unidos, 1977 - 118 min
legendado eletronicamente em português | M/12
O filme do fenómeno “Travolta” no reino do disco sound dos anos 70 americanos. Um ano depois, num livro sobre o ator lia-se: “Is there anyone in the entire United States of America who isn’t crazy about John Travolta? It seems a sure bet that the simple answer is no”. Entre referências a James Dean (em REBEL WITHOUT A CAUSE) e a Elvis, SATURDAY NIGHT FEVER tem Travolta em versão frenética, os Bee Gees e a excitação de noites febris. A exibir em cópia digital.

25/08/2026, 21h30 | Esplanada
Rebeldes Sem Causas
Taking Off
Taking Off – os Amores de uma Adolescente
de Milos Forman
com Lynn Carlin, Buck Henry, Georgia Engel
Estados Unidos, 1971 - 93 min
legendado eletronicamente em português | M/14
Primeiro filme americano de Milos Forman, quatro anos depois do último filme checo (HORI MA PANENKO, que fora proibido), e três anos depois de ter chegado aos EUA, em exílio voluntário na sequência da invasão soviética que pôs termo à Primavera de Praga. Os grandes sucessos americanos de Forman (ONE FLEW OVER THE CUCKOO’S NEST, AMADEUS) ainda estavam por vir, mas o cineasta mergulhava já, a fundo, na cultura popular e no modo de vida do seu país adotivo: TAKING OFF foca o fim dos libérrimos anos 60, a partir da história de um casal dos subúrbios nova-iorquinos que procura a filha adolescente desaparecida, circunstância narrativa que permite a Forman, como um “antropólogo cultural”, examinar as diferenças geracionais na sociedade americana. A exibir em cópia digital.

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