CICLO
Bruce Springsteen


Não é no cinema que pensamos quando se evoca o nome de Bruce Frederick Joseph Springsteen, nascido a 23 de Setembro de 1949 na pequena cidade de Long Branch, no estado de Nova Jérsia, bem perto de Nova Iorque mas do lado “errado”, do lado industrial e operário. Como é evidente, porque foi na música que ele se exprimiu, e foi através da música, dos vinte e um álbuns de estúdio que editou desde 1973 e Greetings from Asbury Park, N.J., que Bruce Springsteen se tornou uma das grandes figuras da cultural popular norte-americana. Hoje, quando já é septuagenário, adquiriu mesmo um estatuto ao alcance de muito poucos, pontuado por uma capacidade de intervenção pública e política que o tornam uma presença relevante dentro da sociedade norte-americana muito para além do domínio estritamente musical. Ou seja, não deve haver ninguém que tenha estado vivo nos últimos 50 anos a precisar que lhe apresentem Bruce Springsteen.
E este ciclo não é para isso, nem é para fazer a história de Springsteen. É para evocar um facto muito simples e muito incontestável: se não é no cinema que se pensa logo quando se fala de Springsteen, isso não quer dizer que Springsteen não pense no cinema, e que o cinema não pense em Springsteen. A cultura popular norte-americana é um sistema de vasos comunicantes, e já o vimos bem a propósito de Bob Dylan, quando (ainda antes do Nobel), dedicámos um vasto ciclo ao tortuoso labirinto da relação de Dylan com o cinema e do cinema com Dylan. É um pouco o mesmo jogo que praticamos agora com Springsteen, um jogo um pouco menos perverso, porque Springsteen, de certo modo, é uma versão franca, quase transparente, de Dylan, e porque bem menos perversa foi a sua relação com o cinema, mas não menos rica.
Porque sabemos a importância que o cinema teve enquanto inspiração de Springsteen, sobretudo no caso clássico do seu disco Nebraska, que começou a tomar uma forma no seu espírito depois de um visionamento do BADLANDS de Terrence Malick (sendo que “Badlands” é, justamente, o título de uma canção desse disco). Ou, no final dos anos 1990, o seu disco The Ghost of Tom Joad, que está perto de ser um “remake” musical do filme que John Ford extraiu ao romance de John Steinbeck.
O ciclo traz as inspirações de Springsteen, mas também traz Springsteen como inspiração. Outro caso clássico: STREETS OF FIRE, de Walter Hill, que em princípio seria um musical construido sobre as canções de Springsteen mas que, depois de um desentendimento entre o artista e a produção, deixou de ser, e ficou só o título. Ou ainda a curiosa obsessão de Peter Bogdanovich, que pretendia que a banda sonora de MASK fosse essencialmente composta por canções de Springsteen e, quando não o conseguiu, se “vingou” disseminando por TEXASVILLE, poucos anos depois, uma quantidade enorme de canções dele.
Investigamos neste ciclo, portanto, o trânsito em dois sentidos da relação Springsteen/cinema e cinema/Springsteen. A que não faltam, também, os paralelismos e os parentescos, os filmes nascidos e criados nos ambientes de Springsteen, que com ele podiam partilhar a sensibilidade, sobretudo os filmes que mostram e falam de Nova Jérsia, do subúrbio, da vida dos operários, dos “blue collars” – como quando, em COPLAND, James Mangold teve a intuição de pôr Sylvester Stallone (o homem do ROCKY ou de PARADISE ALLEY) em escuta das canções de Bruce.
Será um bom mês de esplanada, cinema e música. E como é Verão, nem falta uma piscina, a piscina da PALOMBELLA ROSSA de Nanni Moretti, onde um jogo de pólo aquático era interrompido para se ouvir, em ritual litúrgico, “I’m On Fire”.
 
 
04/07/2026, 22h00 | Esplanada
Ciclo Bruce Springsteen

HIGH FIDELITY
Alta Fidelidade
de Stephen Frears
Estados Unidos, 2000 - 113 min
 
06/07/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Bruce Springsteen

PHILADELPHIA
Filadélfia
de Jonathan Demme
Estados Unidos, 1993 - 119 min
07/07/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Bruce Springsteen

HIGH FIDELITY
Alta Fidelidade
de Stephen Frears
Estados Unidos, 2000 - 113 min
09/07/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Bruce Springsteen

IN EINEM JAHR MIT 13 MONDEN
O Ano das Treze Luas
de Rainer Werner Fassbinder
Alemanha, 1978 - 124 min
10/07/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Bruce Springsteen

PHILADELPHIA
Filadélfia
de Jonathan Demme
Estados Unidos, 1993 - 119 min
04/07/2026, 22h00 | Esplanada
Bruce Springsteen
HIGH FIDELITY
Alta Fidelidade
de Stephen Frears
com John Cusack, Iben Hjejle, Todd Louiso, Jack Black (e Bruce Springsteen, num cameo)
Estados Unidos, 2000 - 113 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Adaptado do romance homónimo de Nick Hornby, HIGH FIDELITY acompanha Rob Gordon, proprietário de uma loja de discos em Chicago, após uma nova separação amorosa. Ao longo do filme, Rob revisita as suas antigas relações e procura compreender os motivos dos seus fracassos sentimentais num exercicio de autoanálise marcado por uma tendência muito contemporânea para organizar a vida em listas e classificações. A música e a cultura pop atravessam este percurso como referências constantes – muito literalmente, com um cameo  de Bruce Springsteen -, estruturando a sua forma de pensar e de narrar o passado. Primeira exibição na Cinemateca.

A sessão repete no dia 07 às 19h30, na sala Luís de Pina.

consulte a FOLHA da CINEMATECA aqui

 
06/07/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Bruce Springsteen
PHILADELPHIA
Filadélfia
de Jonathan Demme
com Tom Hanks, Denzel Washington, Antonio Banderas, Jason Robards
Estados Unidos, 1993 - 119 min
legendado eletronicamente em português | M/12
O filme que marca o reconhecimento “oficial” da Sida pelo cinema de Hollywood, com um argumento sobre um advogado que perde o emprego por sofrer da doença e processa a empresa que o despediu. Uma espantosa interpretação de Tom Hanks, premiada com um Oscar, com uma sequência de antologia (Hanks acompanhando uma ária de ópera cantada por Maria Callas). A canção-titular, “Streets of Philadelphia”, é, como se sabe, de Bruce Springsteen, e valer-lhe-ia o Oscar de Melhor Música Original na cerimónia de 1994.

A sessão repete no dia 10 às 15h30, na sala M. Félix Ribeiro.

consulte a FOLHA da CINEMATECA aqui

 
07/07/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Bruce Springsteen
HIGH FIDELITY
Alta Fidelidade
de Stephen Frears
com John Cusack, Iben Hjejle, Todd Louiso, Jack Black (e Bruce Springsteen, num cameo)
Estados Unidos, 2000 - 113 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Adaptado do romance homónimo de Nick Hornby, HIGH FIDELITY acompanha Rob Gordon, proprietário de uma loja de discos em Chicago, após uma nova separação amorosa. Ao longo do filme, Rob revisita as suas antigas relações e procura compreender os motivos dos seus fracassos sentimentais num exercicio de autoanálise marcado por uma tendência muito contemporânea para organizar a vida em listas e classificações. A música e a cultura pop atravessam este percurso como referências constantes – muito literalmente, com um cameo  de Bruce Springsteen -, estruturando a sua forma de pensar e de narrar o passado. Primeira exibição na Cinemateca.

consulte a FOLHA da CINEMATECA aqui
 
09/07/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Bruce Springsteen
IN EINEM JAHR MIT 13 MONDEN
O Ano das Treze Luas
de Rainer Werner Fassbinder
com Volker Spengler, Ingrid Caven, Gottfried John
Alemanha, 1978 - 124 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Um dos filmes mais importantes e pessoais do período final de Fassbinder, que, além de o realizar e de escrever o argumento, foi o operador de câmara, o montador e concebeu os cenários. Esta história dos últimos dias da vida de um homem que fez uma operação para mudar de sexo, por amor a um especulador imobiliário, talvez seja o filme mais desprovido de esperança e, entre todos os que Fassbinder fez, aquele em que, como nunca, “o amor é mais frio do que a morte”. Os Suicide, cujo tema “Frankie Teardrop” é utilizado repetidamente por Fassbinder neste filme, são, declaradamente, uma das bandas que mais influenciaram Bruce Springsteen, que mais tarde faria uma versão da canção “Dream Baby Dream”.

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10/07/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Bruce Springsteen
PHILADELPHIA
Filadélfia
de Jonathan Demme
com Tom Hanks, Denzel Washington, Antonio Banderas, Jason Robards
Estados Unidos, 1993 - 119 min
legendado eletronicamente em português | M/12
O filme que marca o reconhecimento “oficial” da Sida pelo cinema de Hollywood, com um argumento sobre um advogado que perde o emprego por sofrer da doença e processa a empresa que o despediu. Uma espantosa interpretação de Tom Hanks, premiada com um Oscar, com uma sequência de antologia (Hanks acompanhando uma ária de ópera cantada por Maria Callas). A canção-titular, “Streets of Philadelphia”, é, como se sabe, de Bruce Springsteen, e valer-lhe-ia o Oscar de Melhor Música Original na cerimónia de 1994.

consulte a FOLHA da CINEMATECA aqui