13/04/2026, 18h30 | Sala Luís de Pina
Histórias do Cinema: Christa Blümlinger/Harun Farocki
PROGRAMA 1 – INSTRUÇÕES EM ECONOMIA POLÍTICA
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR CHRISTA BLÜMLINGER
ZWISCHEN ZWEI KRIEGEN
“Entre duas Guerras”
de Harun Farocki
Alemanha, 1978 – 83 min / legendado em inglês e eletronicamente em português | M/12
Um filme sobre a época dos altos-fornos (1917-1933) e sobre o desenvolvimento de uma indústria enquanto metáfora de uma máquina perfeita que culminou na sua própria destruição, e simultaneamente como ilustração do carácter autodestrutivo da produção capitalista. Em “ENTRE DUAS GUERRAS”, Harun Farocki procura entrelaçar a lógica da guerra com a lógica da produção industrial como dinâmicas determinantes dos anos em questão, mas realiza também um filme sobre as exigências da produção cinematográfica e uma reflexão sobre a criação. Farocki apresenta-nos “imagens que pensam”, revelando-nos um cinema ensaístico assente na montagem, com fortes afinidades com o trabalho de outros cineastas como Jean-Luc Godard. A apresentar em cópia digital, em primeira exibição na Cinemateca.
14/04/2026, 18h30 | Sala Luís de Pina
Histórias do Cinema: Christa Blümlinger/Harun Farocki
PROGRAMA 2 – A ARTE DA OBSERVAÇÃO
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR CHRISTA BLÜMLINGER
JEDER EIN BERLINER KINDL
“Todos São uma Kindl Berlinense”
ZUR ANSICHT: PETER WEISS
“Para Visualização: Peter Weiss”
DER GESCHMACK DES LEBENS
“O Sabor da Vida”
de Harun Farocki
Alemanha, 1966, 1979, 1979 – 4, 44, 29 min
duração total da projeção: 77 minutos / legendados em inglês e eletronicamente em português | M/12
Num dos seus primeiros trabalhos Harun Farocki parodia a marca de cerveja berlinense Kindl mediante uma análise crítica da sua estratégia publicitária, num exercício de semiótica política através dos tempos. ZUR ANSICHT: PETER WEISS correponde a uma entrevista de Farocki a Peter Weiss em torno do seu livro “A Estética da Resistência” (1975-1981), um romance histórico antifascista que acompanha um grupo de jovens estudantes que discutem as relações entre arte e resistência política, evocando-se a Guerra Civil Espanhola ou a luta contra o nazismo. A propósito de “O SABOR DA VIDA”, Farocki descreveu um dos grandes propósitos do seu trabalho: “Durante anos, tenho procurado uma forma de captar o quotidiano tal como é percebido num relance da rua. (…) Durante duas semanas e meia, caminhei por diferentes partes da cidade com a minha câmara e recolhi imagens para o filme.” A apresentar em cópias digitas, em primeiras exibições na Cinemateca.
15/04/2026, 18h30 | Sala Luís de Pina
Histórias do Cinema: Christa Blümlinger/Harun Farocki
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR CHRISTA BLÜMLINGER
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR CHRISTA BLÜMLINGER
EINSCHLAFGESCHICHTEN: BRÜCKEN
“Histórias para Dormir: Pontes”
Alemanha, 1977 – 3 min / legendado em inglês e eletronicamente em português | M/12
BILDER DER WELT UND INSCHRIFT DES KRIEGES
“Imagens do Mundo e Epitáfios da Guerra”
de Harun Farocki
Alemanha, 1989 – 75 min / legendado em português
duração total da projeção: 78 minutos | M/12
No filme-ensaio “IMAGENS DO MUNDO E EPITÁFIOS DA GUERRA”, a guerra é interpretada como regime perceptivo em que se procura ver sem ser visto. Farocki percorre a história da arte e a história da imagem técnica, do iluminismo à moderna tecnologia de guerra que recorre à imagem como instrumento de controlo ou policiamento do território, para levar a cabo uma inquirição sobre a diferentes formas de barbárie com recurso à imagem. “Esta progressão para a descoberta”, escreveu Manuel Cintra Ferreira aquando da passagem do filme em 1990 na Cinemateca, “transforma BILDER DER WELT... numa verdadeira obra policial, num exercício fascinante a que não falta o suspense”. A curta-metragem que introduz a sessão faz parte de um conjunto de filmes para crianças realizados por Farocki para a televisão alemã, cujo tema aqui são as pontes. A apresentar em cópias digitas, BRÜCKEN é mostrado pela primeira vez na Cinemateca.
16/04/2026, 18h30 | Sala Luís de Pina
Histórias do Cinema: Christa Blümlinger/Harun Farocki
PROGRAMA 4 – ANÁLISE DE ENQUADRAMENTOS
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR CHRISTA BLÜMLINGER
LEBEN-BRD
“Como Viver na Alemanha Ocidental”
de Harun Farocki
Alemanha, 1990 – 83 min / legendado em inglês e eletronicamente em português | M/12
Harun Farocki constrói um retrato da Alemanha Ocidental recolhendo cenas e gestos em que a vida é ensaiada e aqueles que são filmados aparecem como atores da sua própria vida. Por toda a parte sente-se o esforço permanente para “estar preparado para a emergência da realidade”. Através de uma acumulação de situações do quotidiano, “COMO VIVER NA ALEMANHA OCIDENTAL” retrata uma sociedade em que ações como dar à luz, morrer, cuidar de outras pessoas, ou mesmo atravessar uma rua, são ensinados e aprendidos em instituições pensadas para o efeito. Uma explicitação de um modo de vida e uma crítica ao mundo e à sua representação. A apresentar em cópia digital, primeira exibição na Cinemateca.
17/04/2026, 18h30 | Sala Luís de Pina
Histórias do Cinema: Christa Blümlinger/Harun Farocki
PROGRAMA 5 – UM LABORATÓRIO DE EXPRESSÕES ICÓNICAS
SESSÃO-CONFERÊNCIA POR CHRISTA BLÜMLINGER
ARBEITER VERLASSEN DIE FABRIK
“Operários ao Sair da Fábrica”
DER AUSDRUCK DER HÄNDE
“A Expressão das Mãos”
IN-FORMATION
de Harun Farocki
Alemanha, 1995, 1997, 2005 – 36, 30, 16 min
duração total da projeção: 82 minutos / legendados em português | M/12
O filme dos irmãos Lumière é o ponto de partida para uma análise sobre a forma como a história do cinema abordou o tema dos trabalhadores que saem de uma fábrica, desde o nascimento do cinematógrafo até ao ano de ARBEITER VERLASSEN DIE FABRIK. Inicialmente empregue para transmitir emoções através de expressões faciais, depressa os cineastas começaram também a focar a sua atenção nas mãos, recorrendo ao grande plano. Montando excertos de filmes, em “A EXPRESSÃO DAS MÃOS” Farocki explora este motivo, o seu simbolismo e a sua musicalidade. IN-FORMATION utiliza pictogramas e diagramas de imigração na RFA para realizar uma crítica conceptual sobre os modos como o fenómeno é tratado, retraçando as origens anacrónicas destes ícones, e o discurso que subjaz a tal representação. A apresentar em cópias digitais, os dois últimos em primeira exibição na Cinemateca.