CICLO
Ir ao Cinema em 1975


Este Ciclo continua o programa iniciado em abril, que se virava para o cinema de 1974. Avançamos um ano, e mantemos o princípio, aplicando-o agora a 1975: uma seleção de títulos emblemáticos da produção mundial estreados no período em que Portugal vivia embrenhado no seu processo revolucionário. Era o meio do caminho da década de 1970, um período em que, sobretudo no cinema americano, se assistiu a um movimento de grande regeneração, com a chegada à primeira linha de uma série de nomes de jovens realizadores que o futuro não tardaria a consagrar – mas no entanto, alguns velhos mestres oriundos do coração do cinema clássico ainda estavam ativos, como Otto Preminger ou Robert Aldrich. Na Europa, Marguerite Duras e Chantal Akerman estreavam os seus filmes mais célebres (INDIA SONG e JEANNE DIELMAN), e Pier Paolo Pasolini deixava pronto, antes de morrer assassinado, o mais bombástico dos seus filmes (SALÒ). Tantas histórias para contar no cinema de 1975…
 
03/05/2024, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Ir ao Cinema em 1975

India Song
Índia Song
de Marguerite Duras
França, 1975 - 118 min
 
04/05/2024, 17h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Ir ao Cinema em 1975

Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles
de Chantal Akerman
Bélgica, França, 1976 - 193 min
 
04/05/2024, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Ir ao Cinema em 1975

Night Moves
Um Lance no Escuro
de Arthur Penn
Estados Unidos, 1975 - 100 min
04/05/2024, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Ir ao Cinema em 1975

Salò o Le 120 Giornate di Sodoma
Salò ou os 120 Dias de Sodoma
de Pier Paolo Pasolini
Itália, França, 1975 - 115 min
06/05/2024, 16h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Ir ao Cinema em 1975

Shivers
Os Parasitas da Morte
de David Cronenberg
Canadá, 1975 - 87 min
03/05/2024, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ir ao Cinema em 1975
India Song
Índia Song
de Marguerite Duras
com Delphine Seyrig, Matthieu Carrière, Michel Lonsdale
França, 1975 - 118 min
legendado em português | M/12
INDIA SONG é uma inesquecível experiência que conta a história “de um amor vivido na Índia, nos anos 30, numa cidade super-povoada à beira do Ganges” (Duras), filmada nos arredores de Paris, que circula por entre personagens silenciosas, enquanto em off se ouvem as confissões envolvidas numa música embriagante, do argentino Carlos d’Alessio. Um filme encantatório e mágico que forma um par com SON NOM DE VENISE DANS CALCUTTA DÉSERT, a mesma história vista por Duras numa outra dimensão.

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04/05/2024, 17h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ir ao Cinema em 1975
Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles
de Chantal Akerman
com Delphine Seyrig, Henri Storck, Jan Decorte
Bélgica, França, 1976 - 193 min
legendado português | M/12
O filme mais decisivo na consagração de Chantal Akerman. JEANNE DIELMAN, 23… é uma observação sistematizada, quase “maníaca”, do dia-a-dia rotineiro de uma mulher de Bruxelas (Delphine Seyrig), com a prostituição a aparecer como um espectro de coloração realista. A dureza formal do filme de Akerman, a sua obsessiva calendarização do tempo e das rotinas, transcende em muito a mera transmissão de um discurso “feminista” – e hoje isso é mais claro do que nunca. A exibir em cópia digital.

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04/05/2024, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ir ao Cinema em 1975
Night Moves
Um Lance no Escuro
de Arthur Penn
com Gene Hackman, Jennifer Warren, Edward Binns
Estados Unidos, 1975 - 100 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Gene Hackman na pele de um detetive privado contratado para encontrar o paradeiro de uma adolescente em fuga (a adolescente é Melanie Griffith, na sua estreia absoluta no cinema). Mas nada é assim tão simples nesta trama que revisita, com alguma ironia, os códigos do film noir (começava-se a usar a expressão neo-noir para definir filmes assim), para pintar um retrato, cheio de mordacidade, da sociedade californiana da época.

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04/05/2024, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ir ao Cinema em 1975
Salò o Le 120 Giornate di Sodoma
Salò ou os 120 Dias de Sodoma
de Pier Paolo Pasolini
com Paolo Bonaccelli, Giorgio Cataldi, Uberto Paolo Quintavalle, Aldo Valletti, Caterina Borato, Hélène Surgère
Itália, França, 1975 - 115 min
legendado em espanhol e eletronicamente em português | M/16
O último filme de Pasolini, estreado três semanas depois do homicídio do realizador, transcreve o romance de Sade, Os 120 Dias de Sodoma, para o contexto da República de Salò, fundada por irredutíveis do fascismo no período final da guerra. Quatro homens todo-poderosos mandam raptar algumas dezenas de jovens dos dois sexos e levam-nos para uma mansão isolada. Ali, com método, numa série de “círculos”, as vítimas são humilhadas, profanadas, degradadas, obrigadas a relações sexuais, à coprofagia e, finalmente, torturadas até à morte. Mas esta aterradora alegoria sobre o poder não se refere apenas ao fascismo histórico, aos estertores do regime de Mussolini: também é uma metáfora daquilo que Pasolini denominava o “novo fascismo” da sociedade de consumo, a transformação dos corpos em coisas. Pasolini denominou “escritos corsários” os violentos artigos que escreveu nos seus últimos anos. SALÒ é um filme corsário.

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06/05/2024, 16h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ir ao Cinema em 1975
Shivers
Os Parasitas da Morte
de David Cronenberg
com Paul Hampton, Joe Silver, Lynn Lowry, Allan Kolman, Susan Petrie
Canadá, 1975 - 87 min
legendado em espanhol e eletronicamente em português | M/16
Passado o período inicial (as curtas-metragens e o par STEREO/CRIMES OF THE FUTURE) que serviu sobretudo para o convencer de que ser realizador era mesmo o que queria fazer, Cronenberg assinou em SHIVERS a sua primeira obra “profissional”, com apoio de um casa produtora (no caso a Cinepix, um pequeno estúdio canadiano especializado em cinema erótico). É um filme de zombies – “a sex zombie movie”, define-o Cronenberg com humor – em parte devedor do “seminal” NIGHT OF THE LIVING DEAD, que Romero realizara em finais de sessenta. Mas, com uma carga sexual muito mais forte (não necessariamente “erótica”) e um ambiente “clínico” e científico que era já a “marca de autor” de Cronenberg. Por outro lado, SHIVERS é uma apropriação consciente e metódica de um género, o horror movie, que o realizador canadiano trabalhou mais como uma “ferramenta” do que como um fim em si mesmo (embora nessa altura poucos o pudessem ainda perceber). A exibir em cópia digital.

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