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José Mário Branco - A Morte Nunca Existiu


Tudo o que for vivente tem / Uma queixa que o percorre /
E quando um dia a vida morre / A morte morre também /
Essa já não mata ninguém / Onde nasceu se sumiu /
P’ra esse corpo serviu / Ali fez as contas do povo /
Não vai de um p’ra outro corpo / Porque a morte nunca existiu
 
(poema do poeta popular António Joaquim Lança musicado e cantado por José Mário Branco no álbum Margem de Certa Maneira)
 
José Mário Branco (1942-2019) foi uma figura maior da cultura e das artes portuguesas, e a sua marca fez-se sentir muito para além da música, sua principal área de atividade. A sua relação com o cinema português é, de resto, especialmente importante e interessante: as suas canções foram usadas por vários filmes, mas houve também realizadores que o chamaram a compor expressamente para cinema – sendo porventura mais flagrante o caso de RIO DO OURO, de Paulo Rocha, que sustenta na música e nas canções de José Mário Branco uma parte substancial da sua atmosfera “melo-dramática” de grande filme musical popular. Paulo Rocha foi, aliás, um dos realizadores com quem José Mário Branco teceu uma relação especial; outros que regularmente o tiveram, como compositor, como cantor, como ator, foram Jorge Silva Melo (cujos filmes não são programados nesta ocasião para serem exibidos na retrospetiva que lhe será dedicada em maio, retomando finalmente o programa interrompido pela pandemia em março de 2020, infelizmente já sem poder contar com a energia e a alegria da sua presença) ou Rita Azevedo Gomes, convindo ainda mencionar as suas participações como ator em filmes de António-Pedro Vasconcelos e João Nicolau e as várias participações a que deu a sua inconfundível voz (como é o caso de BOM POVO PORTUGUÊS de Rui Simões). Naturalmente, uma figura do seu calibre atraiu também os filmes construídos sobre si, e de certa forma, para ele – como é o caso de MUDAR DE VIDA – JOSÉ MÁRIO BRANCO, VIDA E OBRA, de Pedro Fidalgo e Nelson Guerreiro.
Vamos então, com este programa, celebrar a passagem de José Mário Branco pelo cinema português, sendo certo que nem esse cinema nem mesmo este país seriam exatamente iguais sem essa passagem, e sem ele.
 
 
23/04/2022, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo José Mário Branco - A Morte Nunca Existiu

A Confederação – O Povo é que Faz a História
de Luís Galvão Teles
Portugal, 1977 - 107 min | M/12
 
26/04/2022, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo José Mário Branco - A Morte Nunca Existiu

Bom Povo Português
de Rui Simões
Portugal, 1980 - 130 min | M/12
27/04/2022, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo José Mário Branco - A Morte Nunca Existiu

O Movimento das Coisas
de Manuela Serra
Portugal, 1985 - 88 min | M/12
27/04/2022, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo José Mário Branco - A Morte Nunca Existiu

A Portuguesa
de Rita Azevedo Gomes
Portugal, 2018 - 136 min | M/12
23/04/2022, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
José Mário Branco - A Morte Nunca Existiu
A Confederação – O Povo é que Faz a História
de Luís Galvão Teles
com Margarida Carpinteiro, Carlos Cabral, Ana Zanatti, Artur Semedo, Luís Santos, Constança Navarro, Ricardo Pais
Portugal, 1977 - 107 min | M/12
Em A CONFEDERAÇÃO vemos uma Lisboa sitiada e vigiada, numa parábola de “antecipação científica”, que evoca Orwell e ALPHAVILLE, de Godard, na sua descrição de uma sociedade totalitária do futuro. O realizador junta material documental sobre a revolução de abril a elementos de ficção, para inventar uma outra realidade. “Documento de uma época e tentativa de instaurar novos códigos no cinema português”, assim o definiu Frederico Lourenço. O filme encontra na música de José Mário Branco um simbolismo político essencial.

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26/04/2022, 19h30 | Sala Luís de Pina
José Mário Branco - A Morte Nunca Existiu
Bom Povo Português
de Rui Simões
com Augusto de Figueiredo, Cecília Guimarães, Helder Costa, Manuel Martins, José Mário Branco
Portugal, 1980 - 130 min | M/12
com a presença do realizador
Entre duas datas, o 25 de abril e o 25 de novembro e duas sequências, de nascimento e de morte, BOM POVO PORTUGUÊS descreve os acontecimentos políticos através das suas imagens (Governos Provisórios, 11 de março, 28 de setembro, comícios e movimentações partidárias) postas a par de imagens de trabalho e de lazer do povo português nos campos e nas fábricas. Em off, um texto escrito por Teresa Sá e dito por José Mário Branco. Um dos primeiros grandes filmes a interrogar a Revolução no seu conjunto.

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27/04/2022, 19h30 | Sala Luís de Pina
José Mário Branco - A Morte Nunca Existiu
O Movimento das Coisas
de Manuela Serra
com a participação do povo de Lanheses
Portugal, 1985 - 88 min | M/12
O MOVIMENTO DAS COISAS é um dos filmes mais curiosos que nas décadas de setenta e oitenta abordaram o universo rural do norte português. Começado a desenvolver no interior da Cooperativa VirVer, em cujos projetos Manuela Serra trabalhou durante vários anos, só seria concluído algum tempo depois. Contudo, tudo aquilo que terá sido a razão de ser da maior parte dos outros filmes parece ter sido depurado, senão eliminado. A sua simplicidade só parece ter paralelo na discrição com que foi recebido (estreou comercialmente somente em 2021). Precisará este “filme sobre o tempo” de uma prova do tempo? Música de José Mário Branco.

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27/04/2022, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
José Mário Branco - A Morte Nunca Existiu
A Portuguesa
de Rita Azevedo Gomes
com Clara Riedenstein, Marcello Urgeghe, Rita Durão, Pierre Léon, Alexandre Alves Costa, Adelaide Teixeira, Manuela de Freitas, Ingrid Caven
Portugal, 2018 - 136 min | M/12
com a presença da realizadora
A casa dele é a guerra. A casa dela é Portugal. A jovem e recém-casada esposa do senhor von Ketten está determinada a fazer do inóspito castelo dos von Ketten, a sua residência. Mal regressam após o casamento em Portugal, ele parte para a guerra contra o Bispo de Trento e ordena-lhe que regresse ao seu país; ela recusa-se a partir. Onze anos decorrem, entre contendas e escaramuças, ele, raramente vai a casa. Correm rumores à volta da presença daquela ‘estrangeira’, isolada no castelo sombrio, rodeada pelas aias e escravas moiras e na presença de um primo que vem de visita. Há quem diga que ela é uma herege… Na realidade, ela impõe uma vida própria: ela lê, canta, toca música, nada no rio, cavalga na floresta. Adota um lobo a que parece dedicar--se mais do que aos seus dois filhos – ou pelo menos é o que sugere esta adaptação da novela Die Portugiesin de Robert Musil, numa atmosfera de finais da Idade Média com música de José Mário Branco. A figura de Ingrid Caven atravessa o filme com canções declamadas, ou recitando Walther von der Vogelweide pelos pátios do castelo. Tandaradai! Primeira exibição na Cinemateca.

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