05/11/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azevedo Gomes | Realizadora Convidada
SPLENDOR IN THE GRASS
Esplendor na Relva
de Elia Kazan
com Warren Beatty, Natalie Wood, Barbara Loden, Pat Hingle, Audrey Christie, Fred Stewart
Estados Unidos, 1961 - 124 min
legendado em castelhano e eletronicamente em português | M/12
A adaptação da peça de William Inge que gira à volta dos recalcamentos sexuais (como acontecia em Picnic, peça do mesmo autor, também adaptada ao cinema). Neste caso, as personagens são dois adolescentes à descoberta do amor no fim da década de vinte do século XX. Elia Kazan constrói um dos mais dilacerantes e belos poemas de amor no cinema, dando a Warren Beatty e a Natalie Wood os papéis das suas vidas. A sequência em que se invoca o poema que dá o título ao filme é um dos momentos mais perfeitos da História do cinema. “O efeito misterioso do cinema caiu em mim como nunca antes. Um argumento aparentemente simples, um filme onde tudo vem muito mais da visão de Kazan, que lhe dá outra dimensão, do que da história dos dois jovens do Kansas.” (Rita Azevedo Gomes, 2023) No programa, faz par com ALTAR.


 
05/11/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azevedo Gomes | Realizadora Convidada
DOIS E UM GATO | ALTAR
com a presença de Rita Azevedo Gomes
DOIS E UM GATO
de Patrícia Saramago
com Alice Ruiz, Mateus Alho, Manuel, Monica Calle
Portugal, 2026 – 25 min

ALTAR
de Rita Azevedo Gomes
com René Gouzenne, Alice Lovelace, Thomas Toutain
Portugal, 2002 – 75 min / legendado em português

duração total da projeção: 100 min | M/12

“Um jovem casal de namorados que partilha a vida desarrumada num quarto arrendado e com o gato Manuel que mantêm escondido. Sem forma de pagar rendas em atraso, decidem fugir rapidamente empacotando tralhas e gato”. É como reza a sinopse da Sopro Filmes sobre o filme da estreia póstuma na realização de Patrícia Saramago, DOIS E UM GATO (primeira apresentação na Cinemateca), surpreendente conto a cores que trata sobretudo de cinema. ALTAR é uma das obras em que Patrícia trabalhou com Rita Azevedo Gomes na montagem e, neste caso, também como atriz (sob o pseudónimo Alice Lovelace), sendo sua a imagem do grande plano que passou a ser a imagem pública do filme. Trata-se da primeira vez que Rita improvisou somando realização e produção sem rede (financeira) e com meios inestimáveis (o apoio de cumplicidades pessoais). Sucedendo a FRÁGIL COMO O MUNDO pela obstinação de continuar a filmar, o argumento de ALTAR, filmado na Serra de Montejunto, volta a contar com a reverberação de um verso de Sophia: “Imagens tão mudas que, ao olhá-las, me pareça que fechei os olhos.”



 
05/11/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Frank Borzage - O Lugar mais Sagrado
MAN’S CASTLE
A Vida É Um Sonho
de Frank Borzage
com Spencer Tracy, Loretta Young, Marjorie Rambeau, Glenda Farrell, Walter Connolly
Estados Unidos, 1933 - 75 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Um filme assombroso que equaciona a miséria da Depressão e a pura poesia. Spencer Tracy e Loretta Young nos papéis de um casal que sobrevive ao drama social numa história de amor pela qual passa a honestidade e a responsabilidade, nem sempre amorosas. “Frank Borzage foi o maior romântico do cinema americano, sempre consciente do contexto dos seus romances. A sua abordagem baseava-se num paradoxal e desafiador ‘irrealismo’, evidente neste [filme] excecional. MAN’S CASTLE tem lugar num bairro de lata […] Um ambiente que qualquer outro filme retrataria pela desolação transforma-se aqui num mundo orgulhosamente romântico e onírico. […] O cósmico e o íntimo são uma unidade.” (Peter von Bagh, citado pelo festival Il Cinema Ritrovato 2023) Na última passagem do filme na Cinemateca, em 2002, Manuel Cintra Ferreira notava a linhagem da personagem de Tracy em SEVENTH HEAVEN, qualificando-a como uma das mais fascinantes do universo de Borzage e a mais próxima de Charlot. Entre as cenas mais fulgurantes, um banho ao luar; as estrelas observadas por um alçapão improvisado.



 
05/11/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Viagem ao Fim do Mudo
DAS TAGEBUCH EINER VERLORENEN
“Diário de Uma Mulher Perdida”
de G.W. Pabst
com Louise Brooks, André Roanne, Valeska Gert
Alemanha, 1929 - 83 min
mudo, intertítulos em francês e alemão traduzidos eletronicamente em português
ACOMPANHAMENTO AO PIANO POR DANIEL SCHVETZ
A americana Louise Brooks entrou para a imortalidade cinematográfica com dois filmes que fez na Alemanha, realizados por Pabst: DIE BÜCHSE DER PANDORA e DAS TAGEBUCH EINER VERLORENEN. Este segundo filme, baseado no polémico romance homónimo de Margaret Böhme (1905), foi uma peça fundamental para a construção do mito em que Louise Brooks se tornou. Trata-se da história de uma jovem, seduzida e desprezada, que se torna prostituta de luxo e, após o casamento com um velho milionário, denuncia a hipocrisia do meio que a expulsou. Uma das obras-primas do período mudo.