03/11/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Frank Borzage - O Lugar mais Sagrado
BAD GIRL
Uma Jóia de Rapariga
de Frank Borzage
com Sally Eilers, James Dunn, Minna Gombell, Paul Fix
Estados Unidos, 1931 - 90 min
legendado eletronicamente em português | M/12
O segundo Oscar conquistado por Frank Borzage como realizador, BAD GIRL é uma comédia dramática à volta dos temas centrais da obra de Borzage, o amor e a adversidade, com a história de um casal numa época de crise económica, onde o melodrama se mistura com um olhar realista muito duro (o Código de Produção ainda não estava em vigor, mas foi um filme que chamou muito a atenção do sempre zeloso Will Hays). É o primeiro dos grandes filmes de Borzage (pertence inequivocamente à galeria das suas obras primas) a terem a Grande Depressão como fundo.


 
03/11/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azevedo Gomes | Realizadora Convidada
O AH! DAS COISAS – O PECADO DE JOÃO PALOLO, 18 DE MAIO DE 2020 | O SOM DA TERRA A TREMER
O AH! DAS COISAS – O PECADO DE JOÃO PALOLO, 18 DE MAIO DE 2020
de Rita Azevedo Gomes
Portugal, 2020 – 5 min

O SOM DA TERRA A TREMER
de Rita Azevedo Gomes
com José Mário Branco, Manuela de Freitas, Miguel Gonçalves, Sara Marques, Duarte de Almeida, Paulo Rocha
Portugal, 1990 – 93 min

duração total da projeção: 98 min | M/12

Longinquamente baseado em Gide (Paludes) e em Hawthorne (Wakefield) é um filme sobre “um escritor que nunca escreveu nada” e que “sopra ao luar o hálito à geada” – desempenho inesquecível de José Mário Branco. O poema de Carlos Queiroz não é citado em O SOM DA TERRA A TREMER, mas o ambiente é esse, entre cartas escritas e jamais recebidas, livros com capas de corvos e acasos que não acontecem por acaso. Ficção dentro da ficção, histórias dentro de histórias, como essas caixinhas chinesas em que há sempre um fundo e outro fundo. Ou as duas margens do mesmo rio, para sempre laterais. Uma das obras mais inclassificáveis do nosso cinema que só podia suscitar – e suscitou – reações extremas. Genérico de António Palolo. A abrir a sessão, O PECADO DE JOÃO PALOLO, um de sete AH! DAS COISAS realizados por Rita Azevedo Gomes em casa nos períodos de confinamento que enfiaram boa parte da população dos quatro cantos do mundo entre quatro paredes por motivos pandémicos (primeira apresentação no espaço físico da sala da Cinemateca). O pretexto foi a “Sala de Projeção” imaginada pela então também confinada equipa de programação da Cinemateca. A apresentar em digital em ambos os casos.


 
03/11/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Frank Borzage - O Lugar mais Sagrado
AFTER TOMORROW
de Frank Borzage
com Charles Farrell, Marian Nixon, Minna Gombell
Estados Unidos, 1932 - 79 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Um filme feito por insistência da Fox, que pretendia aproveitar o sucesso de BAD GIRL e mais não pedia a Borzage do que se copiasse a si próprio. A tal ponto que, uma vez garantido Charles Farrell para protagonista, se insistiu muito com Janet Gaynor para vir reeditar o “par maravilha” dos grandes Borzages do fim do mudo, mas ela recusou. O filme – uma “valsa de frustrações”, para usar a expressão de Hervé Dumont – passou à história como um exemplo do “Borzage-funcionário de estúdio". Na Cinemateca, não é exibido desde 1990. A apresentar em cópia 35mm de preservação cedida gentilmente pelo UCLA Film & Television Archive.


 
03/11/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Correspondências - Rita Azevedo Gomes | Realizadora Convidada
SHADOW OF A DOUBT
Mentira!
de Alfred Hitchcock
com Joseph Cotten, Teresa Wright, Macdonald Carey, Hume Cronyn, Patricia Coolidge
Estados Unidos, 1943 - 108 min
legendado em português | M/12
Um homem suspeito de ser o misterioso “assassino de viúvas” (assombrado pela música de “A Viúva Alegre”) refugia-se numa pequena comunidade californiana onde tem família. Uma sobrinha fascinada pela sua personalidade torna-se alvo de misteriosos “acidentes”. Ela é Teresa Wright, o tio é Joseph Cotten, ambos se chamam Charlie, e é ele quem diz, “Sabes que o mundo é uma pocilga infeta? O mundo é um inferno”. Sob o sol americano e os meandros do crime, é dos mais negros filmes de Hitchcock, que muito o estimava e o construiu dirigindo-se aos alicerces da representação idealizada da sociedade americana. Uma obra-prima sobre a suspeita e a dúvida, cuja dimensão noir se encontra a descoberto na perversidade dos termos, na duplicidade omnipresente, nos segredos obscuros, no cinismo abissal ou nas sombras projetadas através de cortinas. No programa, faz par com O SOM DA TERRA A TREMER.