17/12/2024, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
DAVID HARUM
de Allan Dwan
com William H. Crane, Harold Lockwood, May Allison
Estados Unidos, 1915 – 68 min, mudo / legendado eletronicamente em português
FARPÕES BALDIOS
de Marta Mateus
Portugal, 2017 – 25 min
duração total da projeção: 93 min | M/12
A importância de DAVID HARUM é histórica e transcende a obra de Allan Dwan. No mesmo ano de THE BIRTH OF A NATION, Dwan, de modo discretíssimo, trazia para o cinema americano um processo revolucionário: o movimento de câmara “vertical”, para a frente e para trás, ao longo da profundidade do campo (e já não apenas “lateral”, como se praticava desde os primórdios), numa cena em que se segue o percurso do protagonista ao longo de toda uma rua. “Foi a primeira vez que mexemos a câmara. E não recebemos muitos elogios por isso – pelo contrário, só insultos. […] em vez de elogios, tivemos reprimendas. Mas aperfeiçoámos o processo e passámos a usá-lo.” A comunidade da cidadezinha americana retratada em DAVID HARUM rima, na sessão, com a comunidade alentejana filmada por Marta Mateus quase um século depois em FARPÕES BALDIOS, o seu primeiro filme, em que pelo menos um
travelling corresponde a uma viagem no tempo: “No final do século XIX, os trabalhadores rurais em Portugal iniciaram uma corajosa luta por melhores condições de trabalho. […] Diz-se no Alentejo, que quando se perde alguma coisa, quem procura deverá começar a andar para trás e voltar ao princípio. […] Os protagonistas deste filme, resistentes desta velha luta, a quem foi roubada a infância e a escolaridade, contam a sua história às gerações de hoje.”
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