Em novembro, a Cinemateca Portuguesa abre as hostes de uma retrospetiva aos filmes de
Frank Borzage, num ciclo que se estende até janeiro, e oferece a cadeira de realizadora convidada a
Rita Azevedo Gomes, num ciclo que reflete uma obra singular no cinema português, cruzando-a com uma seleção de filmes que dialogam com o universo da cineasta. Nesse mês também, voltamos a receber o festival
Olhares do Mediterrâneo e continuamos a
Viagem ao Fim do Mudo, a exploração da obra enquanto produtor de
Paulo Branco e, finalmente, celebramos o
centenário do ator Carlos Wallenstein.
Frank Borzage começou por ser ator, mas com THE PITCH O' CHANCE, teve também a sua chance de ingressar na realização. Pioneiro do cinema hollywoodiano, trabalhou consistentemente ao longo da década de 1920. É, contudo, com o final do período mudo e com as primeiras notas do som que chega o culminar da sua carreira, com filmes como SEVENTH HEAVEN (1927), STREET ANGEL (1928), A FAREWELL TO ARMS (1932), YOUNG AS YOU FEEL (1931), BAD GIRL (1931), AFTER TOMORROW (1932), YOUNG AMERICA (1932) ou MAN’S CASTLE (1933) – todos presentes, com muitos outros (incluindo sessões que agrupam alguns dos seus filmes mudos), neste primeiro mês de programa. O cinema de Borzage é de um grande romantismo, onde cinema e amor se fundem como espaços de transcendência do mundano. Dono de uma mão mestra para o melodrama, o realizador americano demonstra, em inúmeros filmes, ternura especial para com jovens apaixonados que têm de lutar contra adversidades que parecem insuperáveis.
Em novembro,
Rita Azevedo Gomes é a realizadora convidada da Cinemateca. Desde 2015, esta rubrica regular apresentou programas de e com Pedro Costa, Nicolas Rey, Albert Serra, Boris Lehman e Billy Woodberry, entre outros. No próximo mês, a cineasta é convocada, assim, a mostrar a sua obra em contexto – apresentada e comentada com muitos dos seus cúmplices nas sessões, incluindo a vinda a Lisboa de
Pierre Léon – e a ligá-la a uma constelação de filmes por si selecionados, cujo diálogo cinéfilo cruza a literatura, a pintura, o teatro e a música. São mostradas todas as suas longas-metragens (de O SOM DA TERRA A TREMER ao recentíssimo FUCK THE POLIS), algumas das suas curtas – entre as quais trabalhos seus menos vistos, realizados nos anos 1990 e no contexto do seu trabalho na Cinemateca (TEATRO E CINEMA, 25 DE ABRIL, 25 ANOS ou INTROMISSÕES; PARABÉNS MANOEL DE OLIVEIRA) – e ainda pequenos filmes realizados com o telemóvel em casa, nos confinamentos de 2020 (dois títulos da série de sete O AH! DAS COISAS). As outras obras selecionadas colocam a filmografia de Rita Azevedo Gomes em
correspondência (de maneiras mais óbvias ou mais veladas) com cineastas como Ingmar Bergman, Yasujiro Ozu, Luis Buñuel, Eric Rohmer, Werner Schroeter, Aki Kaurismäki, Robert Bresson, François Truffaut, Max Ophüls, Mikio Naruse, Nicholas Ray, Kenji Mizoguchi, Elia Kazan e Alfred Hitchcock e ainda Patrícia Saramago e Vítor Gonçalves, com quem trabalhou de perto. [consulte
aqui o calendário completo]