Ver

Pesquisa

Notícias

Assunto: Programação
Data: 16/10/2026
O romantismo de Borzage, a vitalidade de Rita Azevedo Gomes
O romantismo de Borzage, a vitalidade de Rita Azevedo Gomes
Em novembro, a Cinemateca Portuguesa abre as hostes de uma retrospetiva aos filmes de Frank Borzage, num ciclo que se estende até janeiro, e oferece a cadeira de realizadora convidada a Rita Azevedo Gomes, num ciclo que reflete uma obra singular no cinema português, cruzando-a com uma seleção de filmes que dialogam com o universo da cineasta. Nesse mês também, voltamos a receber o festival Olhares do Mediterrâneo e continuamos a Viagem ao Fim do Mudo, a exploração da obra enquanto produtor de Paulo Branco e, finalmente, celebramos o centenário do ator Carlos Wallenstein.
Frank Borzage começou por ser ator, mas com THE PITCH O' CHANCE, teve também a sua chance de ingressar na realização. Pioneiro do cinema hollywoodiano, trabalhou consistentemente ao longo da década de 1920. É, contudo, com o final do período mudo e com as primeiras notas do som que chega o culminar da sua carreira, com filmes como SEVENTH HEAVEN (1927), STREET ANGEL (1928), A FAREWELL TO ARMS (1932), YOUNG AS YOU FEEL (1931), BAD GIRL (1931), AFTER TOMORROW (1932), YOUNG AMERICA (1932) ou MAN’S CASTLE (1933) – todos presentes, com muitos outros (incluindo sessões que agrupam alguns dos seus filmes mudos), neste primeiro mês de programa. O cinema de Borzage é de um grande romantismo, onde cinema e amor se fundem como espaços de transcendência do mundano. Dono de uma mão mestra para o melodrama, o realizador americano demonstra, em inúmeros filmes, ternura especial para com jovens apaixonados que têm de lutar contra adversidades que parecem insuperáveis.

Em novembro, Rita Azevedo Gomes é a realizadora convidada da Cinemateca. Desde 2015, esta rubrica regular apresentou programas de e com Pedro Costa, Nicolas Rey, Albert Serra, Boris Lehman e Billy Woodberry, entre outros. No próximo mês, a cineasta é convocada, assim, a mostrar a sua obra em contexto – apresentada e comentada com muitos dos seus cúmplices nas sessões, incluindo a vinda a Lisboa de Pierre Léon – e a ligá-la a uma constelação de filmes por si selecionados, cujo diálogo cinéfilo cruza a literatura, a pintura, o teatro e a música. São mostradas todas as suas longas-metragens (de O SOM DA TERRA A TREMER ao recentíssimo FUCK THE POLIS), algumas das suas curtas – entre as quais trabalhos seus menos vistos, realizados nos anos 1990 e no contexto do seu trabalho na Cinemateca (TEATRO E CINEMA, 25 DE ABRIL, 25 ANOS ou INTROMISSÕES; PARABÉNS MANOEL DE OLIVEIRA) – e ainda pequenos filmes realizados com o telemóvel em casa, nos confinamentos de 2020 (dois títulos da série de sete O AH! DAS COISAS). As outras obras selecionadas colocam a filmografia de Rita Azevedo Gomes em correspondência (de maneiras mais óbvias ou mais veladas) com cineastas como Ingmar Bergman, Yasujiro Ozu, Luis Buñuel, Eric Rohmer, Werner Schroeter, Aki Kaurismäki, Robert Bresson, François Truffaut, Max Ophüls, Mikio Naruse, Nicholas Ray, Kenji Mizoguchi, Elia Kazan e Alfred Hitchcock e ainda Patrícia Saramago e Vítor Gonçalves, com quem trabalhou de perto. [consulte aqui o calendário completo]
A Viagem ao Fim do Mudo prossegue a todo o vapor até ao início de 2028 e este novembro Louise Brooks é o nome a reter. Verdadeiro ícone do mudo, é ela a vedeta principal em dois filmes distintos, realizados por dois grandes realizadores e em contextos de produção bastante diversos: A GIRL IN EVERY PORT (1928), de Howard Hawks, e TAGEBUCH EINER VERLORENEN (Diário de uma Mulher Perdida, 1929), de G. W. Pabst. A terceira paragem é a mirabolante comédia soviética NEOBYCHAINYE PRIKLYUCGEBIYA MISTERA VESTA V STRANE BOLSHEVIKOV (As Extraordinárias Aventuras de Mr. West no País dos Bolcheviques, 1924), de Lev Kulechov. O título é autoexplicativo e a diversão garantida nesta aventura de um norte-americano perdido na Rússia pós-revolução de Outubro. Todos os filmes deste ciclo contarão, como habitualmente, com acompanhamento ao piano pelos pianistas residentes da Cinemateca.

Novembro na Cinemateca faz-se ainda com um novo punhado de produções de Paulo Branco (com destaque para MISTÉRIOS DE LISBOA, um dos vários filmes de Raúl Ruiz produzidos por Branco, e títulos de realizadores portugueses como Oliveira, César Monteiro ou António-Pedro Vasconcelos), a celebração do centenário do ator Carlos Wallenstein (a cujo programa a Cinemateca se associa com a exibição de JOGO DE MÃO, de Monique Rutler) e com nova colaboração com o festival Olhares do Mediterrâneo, este ano com foco em cinco obras associadas a cineastas mulheres e a um contexto cinematográfico da Eslovénia e da região dos Balcãs.