Ao longo do mês de dezembro e no início de 2026, várias obras fundamentais da história do cinema português regressam às salas de cinema, num renovado circuito de exibição promovido por diferentes distribuidores.
Aniki-Bóbó, a primeira longa-metragem de Manoel de Oliveira, estreada originalmente a 18 de dezembro de 1942, assinalou o seu aniversário com a estreia de uma nova cópia digitalizada e restaurada, apresentada simultaneamente no Porto (Cinema Trindade), em Coimbra (Casa do Cinema) e em Lisboa (Nimas e Cinema Ideal), estando prevista a inclusão de novas salas. A Nitrato Filmes, responsável pela circulação da obra em Portugal, promoveu também este ano a reposição de Vale Abraão (1993), igualmente numa versão integral restaurada pela Cinemateca Portuguesa.
A Midas Filmes associa-se às comemorações do nascimento de Fernando Lopes (28 de dezembro de 1935) com o relançamento, ao longo do mês de dezembro, dos seis primeiros filmes do realizador, agora em novas versões digitais. O ciclo tem início a 26 de dezembro, às 19h00, na Cinemateca Portuguesa, com a exibição de O Fio do Horizonte (1993).
Antecipando estas celebrações, a RTP2 exibirá, a partir de sábado, dia 20, Belarmino, seguido, nos dois sábados seguintes, por Uma Abelha na Chuva e Nós por Cá Todos Bem. Esta primeira trilogia será completada na primavera de 2026 com os restantes três filmes. No próprio dia 28 de dezembro, o Cinema Ideal dedica um dia inteiramente a Fernando Lopes, com sessões dos seis filmes, de entrada gratuita, assinalando o aniversário do realizador.
Já a partir de 8 de janeiro de 2026, a Medeia Filmes apresenta uma retrospetiva integral da obra de João César Monteiro, em cópias digitais restauradas pela Cinemateca Portuguesa. O programa decorre nos Cinemas Medeia Nimas, em Lisboa, e no Teatro Campo Alegre, no Porto, com extensões no Auditório Charlot (Setúbal), TAGV (Coimbra), CAE da Figueira da Foz e Theatro Circo de Braga. A retrospetiva prolonga-se até fevereiro, mês marcante na vida do realizador, nascido a 2 de fevereiro e falecido um dia após completar 64 anos.
Este conjunto de relançamentos sublinha a importância estratégica do Plano de Digitalização do Cinema Português da Cinemateca Portuguesa, que tem vindo a assegurar a preservação, atualização técnica e acessibilidade de obras fundamentais do cinema nacional. Ao permitir a criação de novas cópias digitais, este trabalho não só garante a salvaguarda do património cinematográfico como promove a sua reativação no presente. Com o importante trabalho e dedicação dos distribuidores, estes filmes regressam assim ao circuito comercial e cultural, afirmando o cinema de património como um corpo vivo, continuamente redescoberto e reinscrito na experiência coletiva da sala de cinema.