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Assunto: Programação
Data: 25/06/2026
Bruce Springsteen, uma dança no escuro do cinema
Bruce Springsteen, uma dança no escuro do cinema
Springsteen é um ícone musical global, responsável também (como autor, objeto, sujeito) por um rol de imagens icónicas: as calças de ganga contra a bandeira americana, as motas, a guitarra, os videoclipes a dançar com Courteney Cox ou a passear por Filadélfia com o mais distinto ar melancólico. Representante e símbolo de Nova Jérsia, isso traz consigo algo que só um enorme território perto de Nova Iorque – a cidade para onde todos sonham ir – pode trazer: uma vontade de fugir em busca de algo melhor (“It’s a town full of losers/ I’m pulling out of here to win”). Em suma, personifica o sonho americano. E, especificamente, o sonho americano de uma classe operária que sonha singrar. Há algo de despedaçado nesse sonho, mesclado de amor pelo país («My father said “Son, we’re lucky in this town,/ It’s a beautiful place to be born”»), mas também de crítica às políticas que vão contra quem dá sangue, suor e lágrimas por esse mesmo sonho (“I'm ten years burnin’ down the road/ Nowhere to run, ain’t got nowhere to go”). 
Decorrendo ao longo de todo o mês de julho, este ciclo pensa, assim, a iconografia que brota de alguém emblemático. Springsteen anseia por dançar no escuro, mas desta vez convidamo-lo a dançar no escuro do cinema. A proposta é um mergulho no universo cinematográfico de Bruce Springsteen, o que nos leva a passar pelos filmes que o inspiraram e que dialogam com o seu ethos – títulos como THE SEARCHERS, de John Ford, ou BADLANDS, de Terrence Malick, homónimo de uma canção do Boss e inspiração para Nebraska. Leva-nos também aos filmes que se apropriaram de títulos das suas canções e a partir daí criaram um mundo narrativo (como THUNDER ROAD, de Arthur Ripley). Inclui ainda, e inevitavelmente, filmes onde as suas canções fazem parte de momentos-chave (em obras como PHILADELPHIA, que lhe valeu o Oscar por Melhor Música Original, PALOMBELLA ROSSA, THE WRESTLER ou JERRY MAGUIRE). Finalmente, ele próprio dá um ar de sua graça: em AMERICAN DREAM, de Barbara Kopple, é o financiador do projeto; surge na figura de mentor benévolo a tentar levar o Rob de HIGH FIDELTY (Stephen Frears) pelo caminho certo; e é ficcionado em SPRINGSTEEN: DELIVER ME FROM NOWHERE (Scott Cooper), onde é protagonizado por Jeremy Allen White. Porque, às vezes, só precisamos de um pouco de Bruce Springsteen para alumiar o caminho: “Show a little faith, there’s magic in the night”.