De 2 a 14 de outubro, a Cinemateca Portuguesa dedica à cineasta portuguesa
Noémia Delgado uma retrospetiva imprescindível.
Noémia Delgado, O Cinema no Singular promove um olhar abrangente da sua obra cinematográfica
, documental sobretudo, mas também ficcional, incluindo os seus trabalhos televisivos (como nas séries “Palavras Herdadas” ou “Contos Fantásticos”) relacionados com a cultura e o património portugueses.
Noémia Delgado denota a polivalência do seu percurso ainda em Moçambique, onde cresceu, desenvolvendo o seu interesse por escultura como parte do grupo de artes plásticas “Os Novos de Moçambique” e, mais tarde, na Faculdade de Belas Artes em Lisboa. Já a sua ligação ao cinema começa em 1963, colaborando com António da Cunha Telles (no jornal de atualidades CINE-ALMANAQUE, 1967), Paulo Rocha (OS VERDES ANOS, 1963, ou MUDAR DE VIDA, 1966), Manoel de Oliveira (O PASSADO E O PRESENTE, 1971) e Thomas Harlan (na montagem de TORRE BELA, 1976). A sua obra é profundamente imbuída de uma perspetiva poética e etnográfica, sendo ainda marcada por uma forte componente literária, notória pela forma como foi definida por muitos escritores, que adapta ou a cuja obra dedica parte dos seus filmes (figuras como Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Camilo Pessanha e Almeida Garrett).