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Assunto: Programação
Data: 25/09/2026
À descoberta do cinema, e da figura, de Noémia Delgado
À descoberta do cinema, e da figura, de Noémia Delgado
De 2 a 14 de outubro, a Cinemateca Portuguesa dedica à cineasta portuguesa Noémia Delgado uma retrospetiva imprescindível. Noémia Delgado, O Cinema no Singular promove um olhar abrangente da sua obra cinematográfica, documental sobretudo, mas também ficcional, incluindo os seus trabalhos televisivos (como nas séries “Palavras Herdadas” ou “Contos Fantásticos”) relacionados com a cultura e o património portugueses.

Noémia Delgado denota a polivalência do seu percurso ainda em Moçambique, onde cresceu, desenvolvendo o seu interesse por escultura como parte do grupo de artes plásticas “Os Novos de Moçambique” e, mais tarde, na Faculdade de Belas Artes em Lisboa. Já a sua ligação ao cinema começa em 1963, colaborando com António da Cunha Telles (no jornal de atualidades CINE-ALMANAQUE, 1967), Paulo Rocha (OS VERDES ANOS, 1963, ou MUDAR DE VIDA, 1966), Manoel de Oliveira (O PASSADO E O PRESENTE, 1971) e Thomas Harlan (na montagem de TORRE BELA, 1976). A sua obra é profundamente imbuída de uma perspetiva poética e etnográfica, sendo ainda marcada por uma forte componente literária, notória pela forma como foi definida por muitos escritores, que adapta ou a cuja obra dedica parte dos seus filmes (figuras como Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Camilo Pessanha e Almeida Garrett).
Em 1976, Noémia Delgado termina MÁSCARAS, o seu primeiro e mais reconhecido título enquanto realizadora, sendo os filmes subsequentes produzidos em colaboração com a RTP, incluindo o seu derradeiro, QUEM FOSTE ALVAREZ?. Esta relação gerou também a série “Contos Tradicionais Portugueses”, quatro documentários dedicados a escritores (“Palavras Herdadas”, 1977) e sete “Contos Fantásticos”, produzidos no início de 1980 a partir de contos de autores portugueses como Júlio Dinis, Mário de Sá-Carneiro, Hugo Rocha, Álvaro Carvalhal, Fialho de Almeida ou Aquilino Ribeiro. Destacamos, aliás, nesta mostra que se baliza com duas passagens de MÁSCARAS, a apresentação integral destes “Contos Fantásticos”, que fizeram de Noémia Delgado uma pioneira do cinema fantástico, dado o seu interesse em interpelar um imaginário mítico e alegórico.

São exibidas também curtas-metragens e séries que realizou sobre arte, arquitetura, património e artesanato – como MAFRA E O BARROCO EUROPEU, “Arte Nova e Déco no Norte de Portugal” e “Trabalho do Ouro e da Prata no Norte” –, e outras raridades, sublinhando como foi sempre transitando entre o cinema, a escultura, a pintura, o desenho e a escrita.

O programa completo do ciclo Noémia Delgado, O Cinema no Singular pode ser consultado aqui.