Nascido no início do Estado Novo, de cuja opressão fugiu quando teve oportunidade, Carlos Saboga foi um dos grandes argumentistas do cinema português das últimas cinco décadas. Foi no mítico Vavá, conhecido pelas suas célebres tertúlias, que travou conhecimento com alguns dos principais realizadores da sua geração, entre os quais António-Pedro Vasconcelos, Alberto Seixas Santos e João César César Monteiro, dos quais se tornaria amigo.
Em Paris, para onde foge ao salto à boleia de uma equipa de filmagem que passou por Portugal em 1965, e mais tarde em Roma começa por trabalhar como assistente realização e depois como argumentista sempre na tentativa de passar à cadeira principal, algo que apenas aconteceria mais tarde, com a realização de PHOTO e A UMA HORA INCERTA, já na segunda década deste século, dois filmes bastante marcados pelo peso da ditadura de Salazar. Enquanto não realizou as suas duas longas-metragens foi escrevendo argumentos para inúmeros projetos de cinema e televisão, onde acabaria por deixar a sua marca.
Da sua filmografia sobressaem obras de cineastas como António-Pedro Vasconcelos (com quem trabalhou em diversas ocasiões, com destaque para um dos títulos mais populares do cinema português da década 1980, O LUGAR DO MORTO), José Fonseca e Costa, Fernando Lopes e Mário Barroso (outro dos realizadores com quem mais colaborou) e no derradeiro filme de Raul Ruiz, MISTÉRIOS DE LISBOA, entre muitos outros. Ainda dentro do universo camiliano, deixou escrito o argumento de MEMÓRIAS DO CÁRCERE, de Sérgio Graciano, que chegará aos cinemas em meados deste ano.
Ao longo da sua carreira foi conquistando variadíssimos galardões atribuídos por entidades como o Festival de San Sebastián ou a Academia Portuguesa de Cinema, que lhe atribuiu recentemente um prémio de carreira, tendo ainda colaborado com inúmeras publicações (especializadas em cinema e não só) na escrita de crítica cinematográfica.