30/04/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
A Cinemateca com o IndieLisboa - Director's Cut
VRAZDA ING. CERTA
“A Morte do Engenheiro Diabo”
de Ester Krumbachová
com Jirina Bohdalová, Vladimír Mensík
Chéquia, 1970 - 72 min
legendado em inglês e português | M/12
E se, do antigo bloco soviético, surgisse uma paródia mordaz às “comédias românticas” na forma de uma perversa relação onde o poder, o sexo e a comida se digladiam? Até onde pode ir a boçalidade e a condescendência? Eis-nos diante de VRAZDA ING. CERTA, deliciosa peça de câmara para dois atores e um cenário. Este é o único filme realizado por Ester Krumbachová, figura maior do Novo Cinema Checo e fiel colaboradora de Vera Chytilová (foi coargumentista de SEDMI KRASKY / Jovens E Atrevidas). Krumbachová marcou uma geração de cinema checo pelo seu extraordinário trabalho como diretora de arte e figurinista, e isso é muito evidente neste filme, onde o trabalho da cenografia é de uma proeza absoluta. A censura soviética coartou a circulação deste inusitado filme, mas agora é possível descobri-lo numa nova e deslumbrante cópia digital 4K. Primeira apresentação na Cinemateca.
30/04/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
A Cinemateca com o IndieLisboa - Isto não é um Documentário - Retrospetiva Mockumentary
REAL LIFE
de Albert Brooks
com Albert Brooks, Charles Grodin, Harry Shearer
Estados Unidos, 1979 - 99 min
legendado eletronicamente em português | M/12
Nos minutos iniciais do filme, a personagem homónima de Albert Brooks anuncia o seu projeto: “Queremos o maior espetáculo de todos: a vida!” O mote está dado para REAL LIFE, primeira longa-metragem de Albert Brooks que parodia e antecipa o fenómeno popular dos reality shows. Brooks tinha visto An American Family (1973), geralmente considerado o primeiro programa de televisão daquele tipo, e lera um texto de Margaret Mead em que a antropóloga referia que a série podia ser “tão importante para a nossa época como foram a invenção do teatro e do romance para as gerações anteriores: uma nova forma de ajudar as pessoas a compreenderem-se a si próprias”. Primeira apresentação na Cinemateca, a exibir em cópia digital.
30/04/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
A Cinemateca com o IndieLisboa - Director's Cut
MAMMA
de Suzanne Osten
com Malin Ek, Etienne Glaser, Heinz Hoening, Moa Stridbeck
Suécia, 1982 - 92 min
legendado em português e inglês | M/12
MAMMA é o primeiro filme da realizadora sueca Suzanne Osten (falecida em 2024), dedicado à sua mãe, Gerd Osten, a mais importante crítica de cinema da Suécia da sua geração. Mas antes da sua afirmação nas revistas e jornais, Osten tentou tornar-se realizadora no final dos anos 1930. MAMMA é uma ficção biográfica sobre esses primeiros anos em que Gerd lutou contra uma indústria de cinema patriarcal – e contra o regime imposto pela ocupação nazi da Suécia. Trata-se, em certa medida, de uma reparação histórica, já que a filha acabou por fazer o filme que a mãe não conseguiu: uma história de aventuras com uma protagonista forte que quebra todos os estereótipos sobre o papel da mulher na sociedade. Inclui um retrato alegórico de Ingmar Bergman, já que Gerd foi anotadora do seu terceiro filme, UM BARCO PARA A ÍNDIA. Um filme cinéfilo sobre a condição da mulher. Primeira apresentação fora da Suécia do novo restauro digital do filme produzido pelo Svenska Filminstitutet.
30/04/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
A Cinemateca com o IndieLisboa - Isto não é um Documentário - Retrospetiva Mockumentary
PUNISHMENT PARK
de Peter Watkins
com Mark Keats, Kent Foreman, Carmen Argenziano
Estados Unidos, 1971 - 88 min
legendado eletronicamente em português | M/16
Um dos mais extremos exercícios de ficção política cavada na realidade que Peter Watkins alguma vez dirigiu, PUNISHMENT PARK parte da enorme tensão que as lutas sociais nos Estados Unidos – do movimento pelos direitos cívicos à contestação à guerra do Vietname – geraram dentro da sociedade americana, conduzindo a uma intensificação das formas de repressão. Watkins imagina os “campos de castigo”, alternativa às prisões já demasiado cheias, para onde os “ativistas” e outros contestatários são levados e submetidos a uma duríssima provação – se lhe sobrevivessem, poderiam ser deixados em liberdade. Com atores amadores recrutados entre verdadeiros ativistas e verdadeiros membros das forças policiais ou militares, Watkins trabalhou a rodagem quase como um pequeno reality show, em condições muito duras para todos os participantes, construindo com isso uma outra camada de realismo “comportamental”, e adensando a polarização de um país dividido em duas metades que mutuamente se detestam. Invisível durante muitos anos, a redescoberta relativamente recente de PUNISHMENT PARK deixou muita gente convencida de que se trata da obra-prima de Watkins.