29/04/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
A Queda das Ditaduras e a Emergência dos Cinemas Novos na Grécia e em Espanha
El crimen de Cuenca
de Pilar Miró
com Amparo Soler Leal, Héctor Alterio, Daniel Dicenta
Espanha, 1980 - 88 min
legendado eletronicamente em português | M/16
Baseado numa história real de extrema violência, sobre dois amigos torturados pela Guarda Civil e forçados a confessar terem cometido um crime que, na realidade, não cometeram, EL CRIMEN DE CUENCA foi uma obra que agitou consciências no período de consolidação da democracia, após a morte de Franco. Realizado por uma mulher, Pilar Miró, que foi diretora da RTVE entre 1986 e 1989, o filme foi confiscado por alegadamente ferir o bom nome da Guarda Civil – uma censura que tem lugar após o fim da ditadura. Quando foi finalmente exibido, tornou-se um sucesso de público extraordinário, provando a necessidade de se alargar a liberdade de expressão e de se deixar para trás os maus hábitos encrustados na sociedade espanhola pelo regime anterior. A exibir em cópia digital.
29/04/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Patrícia Saramago - " Fazer e Refazer é o Dia a Dia numa Sala de Montagem"
OÙ GÎT VOTRE SOURIRE ENFOUÎ?
Onde Jaz o Teu Sorriso?
de Pedro Costa
com Jean-Marie Straub, Danièle Huillet
Portugal, França, 2001 - 104 min
legendado em português | M/6
projeção seguida de conversa com Pedro Costa, a confirmar
No momento da montagem da terceira versão de SICILIA! por Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, Pedro Costa rodou uma “comédia da remontagem”. Por detrás da sua paciência “au travail”, terna e violenta, os dois cineastas desvelam uma certa ideia do cinema, do seu cinema, do seu casal e do casal “tout court”. Foi o filme de Costa em que o trabalho de Patrícia Saramago na montagem foi mais decisivo. “Aprendi imenso, com Danièle Huillet e Jean-Marie Straub, ao vê-los a observar os gestos dos atores, ‘o brilho nos olhos’, a mão que bate na mesa em tal palavra dita, começar o plano exatamente onde começa o primeiro som da fala, ações essenciais à gestão de forças dentro da montagem do filme, de qualquer filme, que acabam por definir o ritmo, a aceleração ou pausa, e nesses contrastes enriquecer a forma do filme.” (Patrícia Saramago) A apresentar em DCP.
29/04/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
A Queda das Ditaduras e a Emergência dos Cinemas Novos na Grécia e em Espanha
I PROTI EIKONA | MIA ZOI SE THYMAMAI NA FEVGEIS
I PROTI EIKONA
“A Primeira Imagem”
de Olia Verriopoulou
com Konstantinos Vourloumis, Maia Mikeli, Christos Plainis
Grécia, 2025 – 25 min
MIA ZOI SE THYMAMAI NA FEVGEIS
“Lembro-me de te Ires Embora o Tempo Todo”
de Frieda Liappa
com Dimitris Poulikakos, Nena Menti, Betty Arvaniti
Grécia, 1977 – 45 min
duração total da projeção: 70 min
legendados eletronicamente em português | M/12
O filme de Frieda Liappa é uma média-metragem sobre o relacionamento de uma jornalista de esquerda com um antigo actor de teatro. Inspirado pela música de Dimitris Mitropanos, onde a realizadora foi buscar o título do filme, trata-se de um retrato da situação vivida na Grécia no ano de 1977, durante o período de transição democrática que se seguiu à queda da junta militar. Liappa esteve presa durante o regime ditatorial dos generais, sendo o seu primeiro filme, META 40 MERES, sobre um soldado que vagueia pelas ruas de Atenas, dois anos antes do fim da junta. A abrir a sessão, uma curta-metragem de ficção de uma jovem realizadora situada nos primeiros tempos da ditadura militar.
O pequeno Loukas sente-se sufocado no apartamento da família, do qual está proibido de sair. Inventa então um novo jogo que o liga ao mundo exterior: atender o telefone. Mas a linha telefónica da casa acaba por se misturar com a do cinema local. Primeiras passagens na Cinemateca, a exibir em cópias digitais.
29/04/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Viagem ao Fim do Mudo
L’INHUMAINE
A Desumana
de Marcel L’Herbier
com Georgette Leblanc, Jaque Catelain, Marcelle Pradot, Philippe Hériat, Kiki de Montparnasse
França, 1924 - 122 min
legendado eletronicamente em português | M/12
acompanhamento ao piano por Filipe Raposo
A estrela de Marcel L’Herbier empalideceu depois, mas no período final do mudo ele foi um dos nomes mais célebres e respeitados do cinema francês. L’INHUMAINE, “uma história féerica” sobre uma cantora de coração empedernido que despreza todos os homens que se apaixonam por ela (daí, “a desumana”), é um exemplo exuberante do alinhamento do cinema com as artes de vanguarda durante os anos 20. L’Herbier pensou o filme como um “preâmbulo” à grande exposição de Paris em 1925 que imortalizou a Art Déco, e confiou a concepção dos cenários e dos adereços à fina flor das artes da época: Fernand Léger, Robert Mallet-Stevens, René Lalique, entre vários outros. Para uma cena de espetáculo num teatro, entre os figurantes na plateia constam Pablo Picasso, Ezra Pound, James Joyce, Erik Satie…