21/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Com a Linha de Sombra
Ana Vieira: e o que não é visto
de Jorge Silva Melo
Portugal, 2011 - 56 min
M/12
Título da série de retratos filmados de artistas plásticos (mais uma atriz e ele mesmo) com a qual, em meados dos anos 1990, Jorge Silva Melo reinventou a sua vida no cinema a partir dos Artistas Unidos. No momento deste retrato de Ana Vieira (1940-2016) interessava à artista “o que não é dito, o que não é visto”. Silva Melo filmou e sobre o que filmou escreveu: “Mas o que não se vê (ou se vê de esguelha, espiando, deslocando o ponto de vista, recusando a frontalidade do renascimento) é o assunto principal deste trabalho intransigente. No cinema, designa-se isso por off e é o assunto principal de muitos dos mais belos planos. No teatro, chamou-se a isso bastidores, é onde morrem Jocasta e Antígona, se cega Édipo, morre Fedra. Nós só sabemos, porque, felizmente, Téramène na Fedra ou o Soldado no Rei Édipo, ecos, testemunhas, nos vêm contar. Ou porque Ana Vieira, guardadora das sombras, lhes fixou a traça? Filmar o invisível, é assim um destino: filmar o rasto (rastejar?), a ausência, colocar-me à indiscreta janela (é belo o inglês, REAR WINDOW) onde passam as sombras, na caverna.”
30/05/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Com a Linha de Sombra
Inês de Castro
de Leitão de Barros
com António Vilar, Alicia Palacios, Erico Braga, Raul de Carvalho,
Maria Dolores Pradera, João Villaret
Portugal, Espanha, 1945 - 102 min
M/12
Coprodução luso espanhola e ambiciosa reconstituição histórica rodada em Espanha, INÊS DE CASTRO parte da adaptação da obra de Afonso Lopes Vieira A Paixão de Pedro, o Cru, e é a variação de Leitão de Barros das histórias que rondam a lenda de Pedro e Inês. Peça importante do investimento no cinema de glorificação histórica tão defendido por António Ferro, e ainda do esforço de internacionalização do cinema português, é, por outro lado, um dos grandes exemplos das capacidades plásticas de Barros, que o levaram, em particular na segunda parte do filme e nas sequências finais, a transcender, pela inventiva e a sofisticação visual, o que tenderiam a ser os limites do seu excessivo convencionalismo dramático. A exibir em cópia digital.