09/01/2026, 15h30 | Sala M. Félix Ribeiro
O Trilho do Gato - William A. Wellman
Heroes For Sale
de William A. Wellman
com Richard Barthelmess, Aline MacMahon, Loretta Young, Gordon Westcott, Robert Barrat
Estados Unidos, 1933 - 73 min
legendado eletronicamente em português | M/12
É dos Wellman imperdíveis, a par de WILD BOYS OF THE ROAD, com o qual emparelha na abordagem impiedosa da realidade americana do final da Primeira Guerra e a Grande Depressão, já vislumbrando a abertura do New Deal. De fundo realista, esta rugosa produção Warner tem Richard Barthelmess no papel de um veterano de Guerra injustiçado num ferimento de combate que desencadeia um círculo de réplicas funestas, envolvendo detenção num hospital alemão, adição à morfina, reabilitação, desemprego, orfandade, dinamismo, viuvez, pobreza, períodos de perseguição e prisão associados ao capitalismo e ao comunismo que o afastam do filho pequeno. Há cenas coletivas admiráveis, de trabalho, da turba em fúria que vitima a personagem de Loretta Young, ou da multidão de cidadãos famintos que ronda uma cantina improvisada e fixa o seu interior do outro lado da vidraça. Antes da resposta otimista, associada à promessa do presidente Roosevelt, alguém pergunta, “O que pensas disto tudo? Este país não pode continuar assim… é o fim da América.” “Espantoso HEROES FOR SALE. Porque está aqui tudo.” (Manuel Cintra Ferreira, 1993)
A apresentar em 35 mm.

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09/01/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Viagem ao Fim do Mudo
Tartüff | Cinema is not 100 Years Old
Acompanhamento ao piano por Filipe Raposo
TARTÜFF
Tartufo
de F.W. Murnau
com Emil Jannings, Werner Krauss, Lil Dagover
Alemanha, 1925 – 84 min /
mudo, intertítulos em alemão legendados eletronicamente em português

CINEMA IS NOT 100 YEARS OLD
de Jonas Mekas
Estados Unidos, 1996 – 4 min / legendado eletronicamente em português

duração total da projeção: 88 min | M/12

A peça satírica de Molière (Tartuffe) serve de “revelador” ao refinamento que a hipocrisia toma quando alguém procura conquistar os favores de outro. Murnau transporta a ação para os tempos “modernos” (o dos anos 1920) e a peça entra na história através de um filme-dentro-do-filme, quando o neto do protagonista, disfarçado de projecionista ambulante, mostra ao avô uma adaptação de Tartuffe, com o intuito de o alertar. O genial Emil Jannings dá corpo ao arrepiante Tartufo, num filme de uma enorme ousadia formal que – talvez por isso mesmo – não foi bem compreendido à época. A propósito deste filme, cuja estreia aconteceu há precisamente 100 anos, apresenta-se o encantador filme-poema de Jonas Mekas, que complementa de forma cândida o seu “Manifesto Anti-100 Anos de Cinema” onde defende que “o cinema recomeça sempre que se ouve o matraquear de um projetor” (primeira apresentação na Cinemateca). TARTÜFF integra igualmente o Ciclo “Uma Cinemateca em Chamas - Histórias de Projeção e Projecionistas” e é exibido em 35 mm.

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09/01/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Sábados Em Família | Cinemateca Júnior
My Man and I
de William A. Wellman
com Ricardo Montalbán, Shelley Winters, Wendell Corey
Estados Unidos, 1952 - 99 min
legendado eletronicamente em português | M/12
A última produção MGM de Wellman foi a adaptação de um guião série B neste melodrama em que um trabalhador migrante de origem mexicana (a personagem de Ricardo Montalbán) é falsamente acusado de ter disparado sobre um agricultor para quem trabalhava, e que, por outro lado, se apaixona por uma rapariga alcoólica (Shelley Winters) empenhando-se na sua reabilitação. O projeto intitulava-se “The President Letter”, aludindo à carta do presidente dos EUA recebida pelo protagonista quando sonhava tornar-se cidadão americano, coisa que consegue sem conseguir livrar-se de racismo. O preconceito racial, o patriotismo, as expectativas das pessoas comuns alimentam um filme de excelentes interpretações e realismo que ronda o “sonho americano”. Wellman não o considerava especialmente, ressentindo-se do facto de o estúdio não lhe pôr nas mãos projetos da envergadura de SINGING’IN THE RAIN, THE BAD AND THE BEAUTIFUL ou PAT AND MIKE realizados no mesmo ano por Gene Kelly/Stanley Donen, Vincente Minnelli e George Cukor. Primeira apresentação na Cinemateca, em 35 mm.

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09/01/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar
DIVINE HORSEMEN: THE LIVING GODS OF HAITI
de Maya Deren
Estados Unidos, 1947/51-81 - 55 min
versão inglesa, legendada eletronicamente em português
Uma viagem pelo universo do Vudu e dos rituais e danças que lhe estão associadas, montada postumamente a partir de imagens filmadas por Deren nas viagens que realizou ao Haiti entre 1947 e 1951. “Quando o antropólogo chega, os deuses partem”, referia a cineasta citando um provérbio haitiano. Partiu para as Antilhas, pensando em fazer um filme em que a dança fosse um tema central, mas as cerimónias rituais da possessão, em que foi iniciada, fizeram-na mudar de ideias. DIVINE HORSEMEN só foi concluído em 1981, vinte anos depois da morte de Deren, pelo seu terceiro marido, Teiji Ito, e pela mulher deste, Cherel Winett Ito. Imagens poéticas de corpos em movimento durante os rituais, misturam-se com as palavras de Deren, retiradas de Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti, livro com o mesmo título do filme, que publicou em 1953. Primeira exibição na Cinemateca, a apresentar em cópia 16mm. 

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