CICLO
Viagem ao Fim do Mudo


 A viagem ao fim do mudo prossegue com mais três etapas, desta vez todas europeias. A “RUA SEM SOL” de G.W. Pabst, um dos grandes momentos do seu autor e também o último filme europeu de Greta Garbo; um ícone do “germanismo”, SCHATTEN, espécie de súmula de várias vanguardas do cinema alemão dos anos 20, e uma reflexão sobre o próprio cinema enquanto bailado de sombras; e um filme francês, L’INHUMAINE, muito famoso no seu tempo mas depois bastante esquecido (à imagem do seu autor, Marcel L’Herbier), que entre outras coisas apresenta um espantoso trabalho cenográfico que se tornou também uma cápsula dos movimentos artísticos do seu tempo.
 
11/04/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Viagem ao Fim do Mudo

DIE FREUDLOSE GASSE
Rua Sem Sol
de de G. W. Pabst
Alemanha, 1925 - 96 min
 
16/04/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Viagem ao Fim do Mudo

SCHATTEN
Sombras
de Arthur Robison
Alemanha, 1923 - 90 min
29/04/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Viagem ao Fim do Mudo

L’INHUMAINE
A Desumana
de Marcel L’Herbier
França, 1924 - 122 min
11/04/2026, 18h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Viagem ao Fim do Mudo
DIE FREUDLOSE GASSE
Rua Sem Sol
de de G. W. Pabst
com Greta Garbo, Asta Nielsen, Werner Krauss, Valeska Gert
Alemanha, 1925 - 96 min
mudo, intertítulos em alemão legendados eletronicamente em português | M/12
acompanhamento ao piano por Daniel Schvetz
Pabst concebeu DIE FREUDLOSE GASSE (literalmente “A Rua sem Alegria”) como um olhar sobre a Viena dos anos posteriores à Primeira Guerra, marcada por enormes dificuldades económicas e sociais e território propício para todo o tipo de oportunistas e vigaristas. É nestas “ruas sem sol” que Greta Garbo brilha, mesmo não sendo cabeça de cartaz, lugar que coube à vedeta dinamarquesa Asta Nielsen. Mas foi depois do filme de Pabst que Garbo seguiu para Hollywood, onde, cinco anos mais tarde, se lhe juntou uma figurante chamada Marlene Dietrich… À época, o filme sofreu diversos tipos de censura: cerca de 12 minutos de cortes, na Alemanha; supressão de todas as cenas com Werner Krauss na Áustria; na URSS o médico tornou-se um tenente americano e nos Estados Unidos quase todas as cenas com Asta Nielsen foram suprimidas.
16/04/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Viagem ao Fim do Mudo
SCHATTEN
Sombras
de Arthur Robison
com Alexander Granach, Fritz Kortner, Rudolf Klein-Rogge
Alemanha, 1923 - 90 min
mudo, sem intertítulos | M/12
acompanhamento ao piano por João Paulo Esteves da Silva
Em SCHATTEN, como observou Georges Sadoul, “misturam-se o teatro, o Kammerspiel e o Expressionismo”, ou seja, algumas das principais tendências do cinema alemão dos anos vinte do século XX, decididamente ligado às artes da vanguarda, mesmo em filmes destinados ao grande público. Como tantas vezes sucede em “filmes Kammerspiel”, não há intertítulos e a ação é contínua, concentrada num cenário único e numa única noite. Esta tem lugar durante um jantar oferecido por um aristocrata e a sua mulher, na presença de quatro pretendentes dela. Um “mostrador de sombras” fá-los ver o que pode acontecer se os pretendentes não deixarem de cortejar a mulher, confrontando-os por hipnose com os seus sentimentos mais calados. A digressão entre realidade e ilusão do portentoso chiaroscuro de SCHATTEN parte assim da encenação de uma projeção, em que a intimidade dos sentimentos convive com a pulsão erótica mas também com a sinalização da luta de classes de que a casa é palco.  
29/04/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Viagem ao Fim do Mudo
L’INHUMAINE
A Desumana
de Marcel L’Herbier
com Georgette Leblanc, Jaque Catelain, Marcelle Pradot, Philippe Hériat, Kiki de Montparnasse
França, 1924 - 122 min
legendado eletronicamente em português | M/12
acompanhamento ao piano por Filipe Raposo
A estrela de Marcel L’Herbier empalideceu depois, mas no período final do mudo ele foi um dos nomes mais célebres e respeitados do cinema francês. L’INHUMAINE, “uma história féerica” sobre uma cantora de coração empedernido que despreza todos os homens que se apaixonam por ela (daí, “a desumana”), é um exemplo exuberante do alinhamento do cinema com as artes de vanguarda durante os anos 20. L’Herbier pensou o filme como um “preâmbulo” à grande exposição de Paris em 1925 que imortalizou a Art Déco, e confiou a concepção dos cenários e dos adereços à fina flor das artes da época: Fernand Léger, Robert Mallet-Stevens, René Lalique, entre vários outros. Para uma cena de espetáculo num teatro, entre os figurantes na plateia constam Pablo Picasso, Ezra Pound, James Joyce, Erik Satie…