CICLO
A Casa


Esta segunda parte de A CASA mostra o que acontece quando os cineastas voltam a câmara “para dentro”; não para o mundo em redor, mas para o interior, para a sua própria casa. Por acaso, será mesmo um filme português o exemplo maior e mais absoluto deste movimento para o interior: VISITA OU MEMÓRIAS E CONFISSÕES, o filme “póstumo” de Manoel de Oliveira, construído como um olhar sobre a casa em que viveu durante décadas no momento em que teve que a vender. Outros cineastas filmaram os seus redutos domésticos, muitas de forma indissociável de um registo ou de uma investigação sobre a família – casos de Sacha Guitry, de Martin Scorsese, de Marco Bellocchio, de Chantal Akerman – mas de uma forma que é sempre “única”, movida por preocupações precisas, e precisa portanto de ser “inventada” a cada momento (e é por isso que todos estes vários filmes, partindo de um princípio mais ou menos comum entre eles, resultam em objetos completamente distintos uns dos outros). Quase sempre, em termos de “género”, estes filmes se aproximam do “documentário”, porque afinal de contas o espaço doméstico é uma realidade tão poderosa que repele qualquer ideia de falsificação. Mas o que acontece quando a ficção se instala “em casa”? Isso é o que se vê, caso quase único na história do cinema, nos derradeiros filmes de Jean-Claude Brisseau (mostramos o último, QUE LE DIABLE NOUS EMPORTE, que o diabo nos carregue), em que a sua casa se transformou num estúdio e a mais delirante e sobrenatural ficção veio habitar a sua sala de estar, o seu escritório, jogar-se com os seus objectos quotidianos, as suas estantes de livros, as suas prateleiras de DVDs. Em maio, teremos uma terceira (e última) parte deste ciclo.
 
28/04/2026, 22h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

MARX PUÒ ASPETTARE
Marx Pode Esperar
de Marco Bellocchio
Itália, 2021 - 96 min
 
28/04/2026, 22h00 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
MARX PUÒ ASPETTARE
Marx Pode Esperar
de Marco Bellocchio
com Marco Bellocchio, Alberto Bellocchio, Pier Giorgio Bellocchio
Itália, 2021 - 96 min
legendo em português | M/12
O mais impressionante dos muitos e impressionantes reflexos autobiográficos na obra do inesgotável Marco Bellocchio. MARX PUÓ ASPETTARE é uma reunião da “casa Bellocchio”, uma série de conversas entre o realizador e os seus irmãos e irmãs sobre um tema abissal, um “buraco” dentro da família: o suicídio de Camillo, irmão gémeo de Marco, em 1968. Como num pequeno CITIZEN KANE, o mosaico de recordações e testemunhos tenta responder às perguntas cruciais: quem era Camillo, realmente? Por que se matou? Porque é que ninguém percebeu a tempo o que se passava com ele? O título vem da última frase que Marco Bellocchio se recorda de ter ouvido ao seu irmão, nesse ano “revolucionário” de 1968. Primeira exibição na Cinemateca.

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