CICLO
A Casa


Esta segunda parte de A CASA mostra o que acontece quando os cineastas voltam a câmara “para dentro”; não para o mundo em redor, mas para o interior, para a sua própria casa. Por acaso, será mesmo um filme português o exemplo maior e mais absoluto deste movimento para o interior: VISITA OU MEMÓRIAS E CONFISSÕES, o filme “póstumo” de Manoel de Oliveira, construído como um olhar sobre a casa em que viveu durante décadas no momento em que teve que a vender. Outros cineastas filmaram os seus redutos domésticos, muitas de forma indissociável de um registo ou de uma investigação sobre a família – casos de Sacha Guitry, de Martin Scorsese, de Marco Bellocchio, de Chantal Akerman – mas de uma forma que é sempre “única”, movida por preocupações precisas, e precisa portanto de ser “inventada” a cada momento (e é por isso que todos estes vários filmes, partindo de um princípio mais ou menos comum entre eles, resultam em objetos completamente distintos uns dos outros). Quase sempre, em termos de “género”, estes filmes se aproximam do “documentário”, porque afinal de contas o espaço doméstico é uma realidade tão poderosa que repele qualquer ideia de falsificação. Mas o que acontece quando a ficção se instala “em casa”? Isso é o que se vê, caso quase único na história do cinema, nos derradeiros filmes de Jean-Claude Brisseau (mostramos o último, QUE LE DIABLE NOUS EMPORTE, que o diabo nos carregue), em que a sua casa se transformou num estúdio e a mais delirante e sobrenatural ficção veio habitar a sua sala de estar, o seu escritório, jogar-se com os seus objectos quotidianos, as suas estantes de livros, as suas prateleiras de DVDs. Em maio, teremos uma terceira (e última) parte deste ciclo.
 
15/04/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

QUE LE DIABLE NOUS EMPORTE
Que o Diabo nos Carregue
de Jean-Claude Brisseau
França, 2018 - 97 min
 
16/04/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

MARX PUÒ ASPETTARE
Marx Pode Esperar
de Marco Bellocchio
Itália, 2021 - 96 min
18/04/2026, 16h00 | Sala Luís de Pina
Ciclo A Casa

NO HOME MOVIE
de Chantal Akerman
Bélgica, França, 2015 - 115 min
18/04/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo A Casa

TRYING TO KISS THE MOON
de Stephen Dwoskin
Estados Unidos, 1994 - 95 min
27/04/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo A Casa

SOFT AND HARD (A SOFT CONVERSATION BETWEEN TWO FRIENDS ON A HARD SUBJECT) + JLG/JLG
SOFT AND HARD (A SOFT CONVERSATION BETWEEN TWO FRIENDS ON A HARD SUBJECT) + JLG por JLG
15/04/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
QUE LE DIABLE NOUS EMPORTE
Que o Diabo nos Carregue
de Jean-Claude Brisseau
com Fabienne Babe, Isabelle Prim, Anna Sigalevitch
França, 2018 - 97 min
legendado em português | M/16
O filme final de Brisseau, talvez em plena consciência disso. Outra vez rodado, com um mínimo de meios, em casa do próprio autor, é um filme que retoma os temas (e o imaginário) do cinema de Brisseau (de CHOSES SECRÈTES em diante mas também o anterior, por exemplo o de CÉLINE) para o enformar duma gravidade desconcertante, com remissões a Bresson e a Pushkin, que vive paredes meias com a sua própria irrisão. Um bom resumo para a sua obra, afinal: inclassificável, sofisticada, habitante duma críptica ambiguidade.

consulte a FOLHA da CINEMATECA aqui
16/04/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
MARX PUÒ ASPETTARE
Marx Pode Esperar
de Marco Bellocchio
com Marco Bellocchio, Alberto Bellocchio, Pier Giorgio Bellocchio
Itália, 2021 - 96 min
legendo em português | M/12
O mais impressionante dos muitos e impressionantes reflexos autobiográficos na obra do inesgotável Marco Bellocchio. MARX PUÓ ASPETTARE é uma reunião da “casa Bellocchio”, uma série de conversas entre o realizador e os seus irmãos e irmãs sobre um tema abissal, um “buraco” dentro da família: o suicídio de Camillo, irmão gémeo de Marco, em 1968. Como num pequeno CITIZEN KANE, o mosaico de recordações e testemunhos tenta responder às perguntas cruciais: quem era Camillo, realmente? Por que se matou? Porque é que ninguém percebeu a tempo o que se passava com ele? O título vem da última frase que Marco Bellocchio se recorda de ter ouvido ao seu irmão, nesse ano “revolucionário” de 1968. Primeira exibição na Cinemateca.

A sessão repete no dia 28 às 22h00, na sala M. Félix Ribeiro.

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18/04/2026, 16h00 | Sala Luís de Pina
A Casa
NO HOME MOVIE
de Chantal Akerman
Bélgica, França, 2015 - 115 min
legendado eletronicamente em português | M/12
A casa da mãe: de uma profunda delicadeza e generosidade, NO HOME MOVIE é simultaneamente um diário, um aceno, uma despedida, uma visita repleta de entrelinhas confessionais. “Este filme é acima de tudo sobre a minha mãe, a minha mãe que já não se encontra entre nós. Sobre essa mulher que chegou à Bélgica em 1938, em fuga da Polónia, dos pogroms e da violência. Essa mulher que é sempre apenas vista dentro do seu apartamento. Um apartamento em Bruxelas. Um filme acerca de um mundo em movimento que a minha mãe não vê.” Belíssimo, NO HOME MOVIE seria o último filme de Chantal Akerman, que afirmou que a mãe, Natalia, era o centro da sua obra.

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18/04/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
A Casa
TRYING TO KISS THE MOON
de Stephen Dwoskin
Estados Unidos, 1994 - 95 min
legendado eletronicamente em português | M/16
Como sempre, Stephen Dwoskin filma a partir dos limites da sua própria mobilidade (vítima da poliomielite em criança, passou a vida dependente de uma cadeira de rodas), e essa escala é determinante. Mas TRYING TO KISS THE MOON alia o auto-retrato à auto-biografia, montando imagens colhidas por Dwoskin no seu quotidiano com os “home movies” que o seus pais filmaram em Nova Iorque, em 1939 (precisamente, o sítio e o ano do nascimento de Dwoskin).

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27/04/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
A Casa
SOFT AND HARD (A SOFT CONVERSATION BETWEEN TWO FRIENDS ON A HARD SUBJECT) + JLG/JLG
SOFT AND HARD (A SOFT CONVERSATION BETWEEN TWO FRIENDS ON A HARD SUBJECT) + JLG por JLG
SOFT AND HARD (A SOFT CONVERSATION BETWEEN TWO FRIENDS ON A HARD SUBJECT)
de Jean-Luc Godard, Anne-Marie Miéville
Grã-Bretanha, 1986 - 48 min / legendado eletronicamente em português

JLG/JLG
JLG por JLG
de Jean-Luc Godard
com Jean-Luc Godard, Geneviève Pasquier, Denis Jadot
França, Suíça, 1994 – 55 min/ legendado eletronicamente em português

Duração total da projeção: 103 min | M/12

SOFT AND HARD é também um diálogo – entre Godard e a sua companheira Anne-Marie Miéville – onde aos temas do cinema e da televisão se acrescentam os da criação artística e das relações amorosas. Em JLG/JLG, “Auto-retrato em Dezembro”, Godard encena a sua própria solidão, a partir do local escolhido para o seu exílio voluntário: a sua casa na Suíça, nas margens do lago Leman. Trata-se de um trabalho de uma beleza assombrosa, feito de uma tristeza pontualmente cortada por assomos luminosos e marcada por uma inquietante lucidez.

consulte a FOLHA de SOFT AND HARD aqui

consulte a FOLHA de JLG/JLG aqui