CICLO
In Memoriam Glória de Matos


A atriz Glória de Matos faleceu no passado dia 11 de dezembro, aos 89 anos. O dia da sua morte coincide com a data do aniversário de Manoel de Oliveira, o realizador com quem mais trabalhou, num total de sete longas-metragens. Foi Etelvina em BENILDE OU A VIRGEM MÃE, Rita Owen em FRANCISCA, Maria do Loreto em VALE ABRAÃO, a Rainha D. Catarina em O QUINTO IMPÉRIO – ONTEM COMO HOJE, a carinhosa enfermeira Ilda em ESPELHO MÁGICO e fez de si mesma tanto em OS CANIBAIS como em SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOURA. Mulheres fortes, imponentes e cerebrais, donas de uma certa autoridade seráfica e de uma segurança quente.
Glória de Matos nasceu a 30 de maio de 1936, em Lisboa, e estudou interpretação teatral nono Conservatório Nacional. Além de ser uma das fundadoras do Grupo de Teatro da Casa da Comédia, prolongou os seus estudos em Londres, no Curso Superior de Teatro na Bristol Old Vic Theatre School (bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian), onde foi colega de turma de, entre outros, Anthony Hopkins. Entre o teatro e o cinema, foi também professora, tendo lecionado entre 1971 e 1975 no Conservatório Nacional e, mais tarde, entre 1980 e 1999, já na Escola Superior de Teatro e Cinema. Pela sua mão formou-se uma nova geração de atores que nasceu com a democracia e que domina hoje os palcos e os ecrãs.
Ainda assim o público televisivo lembra-a – acima de tudo – pela sua participação em algumas das primeiras (e seminais) telenovelas portuguesas, Vila Faia (1982), Origens (1983) e Terra Mãe (1996). “As pessoas pensam que é muito fácil entrar no mercado de trabalho, no cinema, na televisão, no teatro. (...) O teatro e o cinema verdadeiramente bem-feitos são uma arte com muitas dificuldades, que nos pede muitas coisas. Nós temos de estar preparados para dar.” Nestas duas sessões de homenagem, apresentam-se dois filmes muitos diferentes que dão a ver a variedade de atributos da atriz. Por um lado, BENILDE OU A VIRGEM MÃE, que marcaria o início da colaboração com Manoel de Oliveira, por outro, o curioso OPERAÇÃO DINAMITE, que corresponde ao seu primeiro trabalho em cinema (onde contracena com Nicolau Breyner).
 
16/03/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo In Memoriam Glória de Matos

BENILDE OU A VIRGEM MÃE
de Manoel de Oliveira
Portugal, 1974 - 106 min
 
16/03/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
In Memoriam Glória de Matos
BENILDE OU A VIRGEM MÃE
de Manoel de Oliveira
com Maria Amélia Matta, Jorge Rola, Jacinto Ramos, Maria Barroso, Glória de Matos
Portugal, 1974 - 106 min
M/12
BENILDE OU A VIRGEM MÃE é a adaptação da peça homónima de José Régio (escrita em 1947) e foi o filme que marcou a consagração internacional de Oliveira. É uma obra que nos leva à significação última da corporalidade e da oralidade na obra do realizador. O texto era fundamental para Oliveira pelo que, como lembrou Glória de Matos, foi o realizador que a chamou “muitas vezes para treinar os atores a dizerem bem o texto”. Entre realizador e atriz construiu-se uma relação de colaboração e respeito mútuo que se prolongaria pelas décadas seguintes, onde a exigência de Oliveira não deixava de abrir espaço aos rasgos de uma grande atriz.