CICLO
Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar



“O meu objetivo é realizar um filme experimental (cuja dimensão física está sujeita às condições materiais) no qual tentarei desenvolver uma forma de arte cinematográfica, assente nas potencialidades criativas da própria câmara, e livre da influência de outras linguagens artísticas, como a literatura, o teatro, as artes plásticas e pictóricas.”
 
“Que mais poderia eu pedir, enquanto artista,
senão que as vossas visões mais preciosas, por mais raras que sejam,
assumam por vezes as formas das minhas imagens?”
 
Maya Deren
 
Maya Deren (1917-1961) é uma das mais notáveis representantes do cinema de vanguarda norte-americano, de que foi uma das pioneiras.  Começou a filmar ainda nos anos 1940, sendo autora de uma obra curta, mas determinante na história do cinema, que mostraremos na Cinemateca na sua integralidade, acompanhada por filmes que dialogam com o seu trabalho, num programa organizado em seis sessões. MESHES OF THE AFTERNOON (1943), o seu primeiro filme, corealizado com Alexander Hammid, revelou-se um dos mais influentes no domínio do cinema experimental, seguindo-se AT LAND (1944), A STUDY IN CHOREOGRAPHY FOR CAMERA (1945) e RITUAL IN TRANSFIGURED TIME (1946). Em 1944 deixaria ainda um projeto inacabado, THE WITCH’S CRADLE, que concebeu em colaboração com Marcel Duchamp para uma exposição. São filmes oníricos, que seguem a lógica dos sonhos, fazendo uso frequente de duplos, câmara lenta, elementos naturais e movimentos corporais expressivos para evocar um ritual coletivo de transformação, tendo vários deles a cineasta como protagonista.
De origem ucraniana, Eleanora Derenkowsky chegou aos Estados Unidos em 1922 com os pais, assumindo posteriormente o nome de Maya Deren. Estudou línguas em Genebra, jornalismo e ciência política na Syracuse University e na New York University, e, em 1939, concluiu o mestrado em literatura inglesa pela Smith College. Deren trabalhou como assistente de Katherine Dunham, coreógrafa, bailarina e antropóloga que revolucionou a dança afro-americana moderna, inspirando-se no trabalho de campo que realizou nas Caraíbas e, na mesma altura, conheceu Hammid, o segundo marido, que já era um realizador e fotógrafo consagrado, e que viria a colaborar em vários dos seus filmes. Foi a primeira cineasta a receber uma bolsa Guggenheim, e usou-a para financiar as várias viagens que realizou ao Haiti entre 1947 e 1954, onde registou as danças e rituais vudu, que estariam na origem do importante filme que deixou inacabado, DIVINE HORSEMEN: THE LIVING GODS OF HAITI. Este só seria terminado vinte anos depois da sua morte, sendo o material existente montado pelo seu terceiro marido, Teiji Ito, que com ela viajou para o Haiti e foi o autor da música de vários dos seus trabalhos, e por Cheryl Winett Ito. Deren concluiu ainda mais dois filmes, MEDITATION ON VIOLENCE (1948) e THE VERY EYE OF NIGHT (1955).
Cruzando a dança, as artes visuais, a etnologia e a poesia, nos filmes de Deren é clara a influência do trabalho de Dunham, e dos antropólogos Gregory Bateson e Margaret Mead, assim como das primeiras vanguardas (Man Ray, Jean Cocteau, Jean Cocteau, Germaine Dulac, Fernand Léger), que se materializaram num imaginário de inspiração surrealista, que explora em pleno as possibilidades do cinema enquanto arte. No final da década de 1950 Deren criou a Creative Film Foundation, associação destinada a apoiar os cineastas independentes, exercendo ao mesmo tempo uma grande influência sobre a obra de outros realizadores que começavam a trabalhar, ou que prolongariam o seu legado, dos quais mostraremos filmes, como Stan Brakhage, Barbara Hammer, Shirley Clarke, ou Raymonde Carasco, que se somam aos dos seus contemporâneos: Joseph Cornell, Kenneth Anger, Sara Kathryn Arledge ou Mary Ellen Bute. Neste diálogo mostraremos ainda duas raridades; KATHERINE DUNHAM, PERFORMING BALLET CREOLE (1952) e TRANCE AND DANCE IN BALI.
Artista multifacetada, ao longo dos anos, e em paralelo com os filmes, Deren dedicou-se à poesia e escreveu amplamente sobre cinema e sobre o Haiti. É autora de dois livros; An Anagram of Ideas on Art, Form, and Film (1946), que Jonas Mekas considerou “uma das três obras mais importantes publicadas sobre cinema”, e Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti (1953), grande referência sobre o vudu haitiano, cujo texto preside ao filme homónimo. Como escreveu Maya Deren a propósito de MEDITATION ON VIOLENCE “Concebi filmar como uma espécie de cubismo no tempo. O mesmo movimento é visto de diferentes perspetivas, assim como no cubismo, diferentes aspetos são vistos em simultâneo, não no espaço, mas sim no tempo.” Um cinema assente em diferentes intensidades e sobreposições de tempos, que liberta a câmara e “faz dançar o mundo”. Ou, como afirmou Stan Brakhage, um cinema em que a câmara se identifica com a própria cineasta.
 
02/01/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar

Meshes of the Afternoon | At Land | A Study in Choreography for Camera | The Private Life of a Cat
 
03/01/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Ciclo Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar

Le Ballet Mécanique | Anémic Cinéma | Étoile de Mer | Disque 957 | Katherine Dunham, Performing Ballet Creole | Trance and Dance in Bali
03/01/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar

THE WITCH’S CRADLE | RITUAL IN TRANSFIGURED TIME | MEDITATION ON VIOLENCE | ENSEMBLE FOR SOMNAMBULISTS | THE VERY EYE OF NIGHT
05/01/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar

DIVINE HORSEMEN: THE LIVING GODS OF HAITI
de Maya Deren
Estados Unidos, 1947/51-81 - 55 min
06/01/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Ciclo Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar

Le Ballet Mécanique | Anémic Cinéma | Étoile de Mer | Disque 957 | Katherine Dunham, Performing Ballet Creole | Trance and Dance in Bali
02/01/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar
Meshes of the Afternoon | At Land | A Study in Choreography for Camera | The Private Life of a Cat
Sessão com apresentação
MESHES OF THE AFTERNOON
de Maya Deren, Alexander Hammid
com Maya Deren, Alexander Hammid
Estados Unidos, 1943 – 14 min / sem diálogos
AT LAND
de Maya Deren
com Maya Deren, Alexander Hammid, John Cage, Parker Tyler
Estados Unidos, 1944 – 15 min / mudo
A STUDY IN CHOREOGRAPHY FOR CAMERA
de Maya Deren
com Talley Beatty
Estados Unidos, 1945 – 3 min / mudo
THE PRIVATE LIFE OF A CAT
de Alexander Hammid, Maya Deren
Estados Unidos, 1946 – 29 min / legendado eletronicamente em português
duração total da projeção: 61 min | M/12

Uma sessão que reproduz uma outra promovida em 1946 por Maya Deren, que denominou “Three abandoned films” em que apresentou a sua obra, a que se soma THE PRIVATE LIFE OF A CAT. Pioneira do cinema de vanguarda norte-americano, nos anos 1940 Deren realizou um conjunto de filmes marcados pela indefinição entre o sonho e realidade, inaugurando uma tendência do cinema experimental, que P. Adams Sitney apelidou de “trance films”. MESHES OF THE AFTERNOON “está ligado às experiências interiores de um indivíduo. Não regista um acontecimento que possa ser testemunhado por outras pessoas”, escreveu Deren, que em 1959 regressou ao filme que realizou com Alexander Hammid, fazendo-o acompanhar por uma banda musical de influência japonesa composta por Teiji Ito. Da mesma forma, Deren descreveu AT LAND como uma “luta para manter a identidade”, numa estranha viagem em que se confronta com diferentes versões de si própria. A STUDY IN CHOREOGRAPHY FOR CAMERA liberta um bailarino (e a câmara) da arquitetura estática de um teatro, transportando-o para um espaço tão móvel e volátil como ele próprio, afirmando-se como um dueto entre Talley Beatty e esse mesmo espaço. THE PRIVATE LIFE OF A CAT é um estudo impressionista do quotidiano de uma família de gatos que partilham com o casal Hammid-Deren o apartamento em Greenwich Village. A apresentar em 16mm, com exceção do último filme, que é uma primeira exibição na Cinemateca e será mostrado em cópia digital. 

A sessão repete no dia 10 às 21h30, na sala M. Félix Ribeiro.

consulte a FOLHA da CINEMATECA aqui
03/01/2026, 19h30 | Sala Luís de Pina
Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar
Le Ballet Mécanique | Anémic Cinéma | Étoile de Mer | Disque 957 | Katherine Dunham, Performing Ballet Creole | Trance and Dance in Bali
LE BALLET MÉCANIQUE
de Fernand Léger, Dudley Murphy
França, 1924 – 17 min / com intertítulos em francês
ANÉMIC CINÉMA
de Marcel Duchamp
França, 1926 – 7 min / mudo, com texto em francês
ÉTOILE DE MER
de Man Ray
com Kiki de Montparnasse, Andrè de la Rivière, Robert Desnos
França, 1928 – 15 min / com intertítulos em francês
DISQUE 957
de Germaine Dulac
França, 1928 – 9 min / mudo, com intertítulos em francês
KATHERINE DUNHAM, PERFORMING BALLET
CREOLE
Estados Unidos, 1952 – 3 min
TRANCE AND DANCE IN BALI
de Gregory Bateson, Margaret Mead
Estados Unidos, 1951 – 20 min
duração total da projeção: 71 min / legendados eletronicamente em português | M/12

Uma sessão que reúne grandes clássicos do surrealismo e dadaísmo cinematográfico dos anos 1920, com duas obras raras dos campos da antropologia e da dança, que reenviam para a heterogeneidade das influências na obra de Deren. LE BALLET MÉCANIQUE revela todo um universo fascinado pelas novas possibilidades do cinema enquanto arte. Especialmente admirado por Deren, ANÉMIC CINÉMA, de Duchamp, feito em colaboração com Man Ray e Marc Allégret e assinado pelo alter ego feminino do artista, Rrose Sélavy, é um ensaio filmado que questiona as próprias regras do cinema, projetando uma experiência cinematográfica de vanguarda dadaísta. Caracterizado por muitos como um “cine-poema” ou um “film-flou” de imagens difusas, L'ÉTOILE DE MER é um dos mais célebres filmes de Man Ray e um dos grandes exemplos do surrealismo no cinema. DISQUE 957 reúne um conjunto de “impressões visuais” em torno da relação da luz e do movimento, inspiradas por dois Prelúdios de Chopin. A par das vanguardas cinematográficas, Deren foi buscar parte da sua inspiração ao trabalho de Katherine Dunham, cuja companhia de dança chegou a acompanhar em tournée. Desta coreógrafa, bailarina e antropóloga exibiremos um “ballet crioulo”, apresentado no Cambridge Theatre, em Londres, que rima com TRANCE AND DANCE IN BALI, realizado por Margaret Mead e Gregory Bateson, antropólogos cujo trabalho teve também um papel determinante no cinema de Deren, e em concreto em DIVINE HORSEMEN. Estes dois últimos filmes são primeiras exibições, e serão apresentados em cópias digitais (assim como LE BALLET MÉCANIQUE). Os restantes são mostrados em 35mm e 16 mm. 

A sessão repete no dia 6 às 19h00, na sala M. Félix Ribeiro.

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03/01/2026, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar
THE WITCH’S CRADLE | RITUAL IN TRANSFIGURED TIME | MEDITATION ON VIOLENCE | ENSEMBLE FOR SOMNAMBULISTS | THE VERY EYE OF NIGHT
THE WITCH’S CRADLE
de Maya Deren
com Marcel Duchamp, Pajorita Matta
Estados Unidos, 1944 – 13 min / mudo
RITUAL IN TRANSFIGURED TIME
de Maya Deren, Alexander Hammid
com Anaïs Nin, Rita Christiani, Maya Deren, Frank Westbrook
Estados Unidos, 1946 – 15 min / mudo
MEDITATION ON VIOLENCE
de Maya Deren
com Chao-li Chi
Estados Unidos, 1948 – 12 min / sem diálogos
ENSEMBLE FOR SOMNAMBULISTS
de Maya Deren
Estados Unidos, 1951 – 7 min / sem diálogos
THE VERY EYE OF NIGHT
de Maya Deren
Estados Unidos, 1955-59 – 15 min / sem diálogos
duração total da projeção: 61 min | M/12

THE WITCH’S CRADLE, colaboração de Deren com Marcel Duchamp, foi concebido como uma exploração das qualidades mágicas dos objetos surrealistas presentes na galeria nova iorquina onde o artista costumava expor. Filme inacabado, revela-nos uma sequência coreografada de movimentos entre as figuras e a câmara. RITUAL IN TRANSFIGURED TIME desafia o tempo e o espaço dos corpos filmados em diferentes cenários. Simbolismo e câmara lenta contribuem para a atmosfera quase kabuki em que se envolve Deren, Anaïs Nin, e Rita Christiani, ex-bailarina da Katherine Dunham Dance Company. Sobre MEDITATION ON VIOLENCE Deren escreveu: “Concebi filmar como uma espécie de cubismo no tempo (…)”, deslocando o eixo do espaço para o tempo.  ENSEMBLE FOR SOMNAMBULISTS foi produzido enquanto lecionou um workshop na Toronto Film Society, sendo considerado por muitos como um esboço para THE VERY EYE OF NIGHT. Este, por sua vez, é o último filme completo de Maya Deren. Realizado em colaboração com o coreógrafo Antony Tudor e a Metropolitan Opera Ballet School, foi inteiramente fotografado em negativo, e a banda sonora, acrescentada em 1959, é de autoria de Teiji Ito, então marido de Deren. Aqui os bailarinos parecem flutuar no espaço celeste, que nos liberta de referências e da narrativa, revelando-nos um universo interior num estado entre a vigília e o sono. A apresentar em cópias de 16mm, com exceção do primeiro filme, exibido em cópia digital. ENSEMBLE FOR SOMNAMBULISTS é uma estreia na Cinemateca. 

Ao contrário do programado, não é possível apresentar ENSEMBLE FOR SOMNAMBULISTS, por falha da chegada de cópia a tempo da sessão de dia 3. Espera-se, no entanto, que seja possível apresentar este filme de Maya Deren ainda durante a retrospectiva.

A sessão repete no dia 8 às 18h30, na sala M. Félix Ribeiro.

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05/01/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar
DIVINE HORSEMEN: THE LIVING GODS OF HAITI
de Maya Deren
Estados Unidos, 1947/51-81 - 55 min
versão inglesa, legendada eletronicamente em português
Uma viagem pelo universo do Vudu e dos rituais e danças que lhe estão associadas, montada postumamente a partir de imagens filmadas por Deren nas viagens que realizou ao Haiti entre 1947 e 1951. “Quando o antropólogo chega, os deuses partem”, referia a cineasta citando um provérbio haitiano. Partiu para as Antilhas, pensando em fazer um filme em que a dança fosse um tema central, mas as cerimónias rituais da possessão, em que foi iniciada, fizeram-na mudar de ideias. DIVINE HORSEMEN só foi concluído em 1981, vinte anos depois da morte de Deren, pelo seu terceiro marido, Teiji Ito, e pela mulher deste, Cherel Winett Ito. Imagens poéticas de corpos em movimento durante os rituais, misturam-se com as palavras de Deren, retiradas de Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti, livro com o mesmo título do filme, que publicou em 1953. Primeira exibição na Cinemateca, a apresentar em cópia 16mm. 

A sessão repete no dia 9 às 21h30, na sala M. Félix Ribeiro.

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06/01/2026, 19h00 | Sala M. Félix Ribeiro
Maya Deren : No Cinema Posso Fazer o Mundo Dançar
Le Ballet Mécanique | Anémic Cinéma | Étoile de Mer | Disque 957 | Katherine Dunham, Performing Ballet Creole | Trance and Dance in Bali
LE BALLET MÉCANIQUE
de Fernand Léger, Dudley Murphy
França, 1924 – 17 min / com intertítulos em francês
ANÉMIC CINÉMA
de Marcel Duchamp
França, 1926 – 7 min / mudo, com texto em francês
ÉTOILE DE MER
de Man Ray
com Kiki de Montparnasse, Andrè de la Rivière, Robert Desnos
França, 1928 – 15 min / com intertítulos em francês
DISQUE 957
de Germaine Dulac
França, 1928 – 9 min / mudo, com intertítulos em francês
KATHERINE DUNHAM, PERFORMING BALLET
CREOLE
Estados Unidos, 1952 – 3 min
TRANCE AND DANCE IN BALI
de Gregory Bateson, Margaret Mead
Estados Unidos, 1951 – 20 min
duração total da projeção: 71 min / legendados eletronicamente em português | M/12

Uma sessão que reúne grandes clássicos do surrealismo e dadaísmo cinematográfico dos anos 1920, com duas obras raras dos campos da antropologia e da dança, que reenviam para a heterogeneidade das influências na obra de Deren. LE BALLET MÉCANIQUE revela todo um universo fascinado pelas novas possibilidades do cinema enquanto arte. Especialmente admirado por Deren, ANÉMIC CINÉMA, de Duchamp, feito em colaboração com Man Ray e Marc Allégret e assinado pelo alter ego feminino do artista, Rrose Sélavy, é um ensaio filmado que questiona as próprias regras do cinema, projetando uma experiência cinematográfica de vanguarda dadaísta. Caracterizado por muitos como um “cine-poema” ou um “film-flou” de imagens difusas, L'ÉTOILE DE MER é um dos mais célebres filmes de Man Ray e um dos grandes exemplos do surrealismo no cinema. DISQUE 957 reúne um conjunto de “impressões visuais” em torno da relação da luz e do movimento, inspiradas por dois Prelúdios de Chopin. A par das vanguardas cinematográficas, Deren foi buscar parte da sua inspiração ao trabalho de Katherine Dunham, cuja companhia de dança chegou a acompanhar em tournée. Desta coreógrafa, bailarina e antropóloga exibiremos um “ballet crioulo”, apresentado no Cambridge Theatre, em Londres, que rima com TRANCE AND DANCE IN BALI, realizado por Margaret Mead e Gregory Bateson, antropólogos cujo trabalho teve também um papel determinante no cinema de Deren, e em concreto em DIVINE HORSEMEN. Estes dois últimos filmes são primeiras exibições, e serão apresentados em cópias digitais (assim como LE BALLET MÉCANIQUE). Os restantes são mostrados em 35mm e 16 mm. 

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